Maior queda do dia, Banco Inter (BIDI11) desacelera abertura de novas contas em 2022

O banco encerrou março com 18,6 milhões de clientes, avanço de 82% na comparação com o mesmo período de 2021

Foto: Shutterstock

(Esta matéria foi alterada às 15h55 do dia 12/04/2022 para corrigir a informação de 504 mil contas abertas no primeiro trimestre de 2022 pelo Banco Inter. O número correto é de 2,3 milhões. O dado anterior fazia referência aos novos clientes do Inter Shop, e não a correntistas.)

Acelerando a temporada de prévias operacionais, o Banco Inter (BIDI11) apresentou seus números do primeiro trimestre de 2022. A instituição mineira abre o ano se colocando como uma empresa internacional, após a conclusão da compra do banco digital americano Usend.

De acordo com o comunicado ao mercado, divulgado na noite da última segunda-feira (11), agora o Banco Inter conta com mais uma avenida de crescimento, ligada à operação internacional: Cross Border Services.

A comunicação “americanizada” do banco conversa com o objetivo de ampliar as fronteiras e ter 50% da receita no exterior até 2025

No primeiro momento, a aposta do banco é angariar uma base de clientes sólida no território americano, com produtos digitais como transferências, pagamentos e cartão de débito. 

No primeiro trimestre, houve um pico de três mil aberturas de Global Accounts em apenas um dia.

O Banco Inter informou que, no consolidado, fechou março com 18,6 milhões de clientes, avanço de 82% na comparação com o mesmo período do ano passado. Talvez esteja aí o motivo para a queda das ações na sessão de hoje.

Por volta das 13h, as units do Banco Inter recuavam 6,13% na B3, para R$ 17,14, pressionadas pela forte desaceleração da geração de novos correntistas.

Banco Inter diminui velocidade de aberturas

Há cerca de três anos ou quatro anos, os bancos digitais passaram a tomar a atenção do mercado com uma proposta de valor menos custosa, prática e banhada a tecnologia, o que trazia uma melhor percepção da jornada do cliente.

Puxados por Nubank, que já aumentava de tamanho, Banco Inter, Next e outros bancos digitais ganharam notoriedade pela aceleração na abertura de contas e, em função disso, pelo potencial de monetização da plataforma. 

A proposta de disrupção do setor bancário atraiu não só clientes desbancarizados e com renda ainda em crescimento, mas também investidores relevantes, como o Softbank, que tem cerca de 15% do Banco Inter. 

Até o fim do ano passado, o banco entregou o crescimento em linha com o maior patamar histórico, registrado meses antes. O primeiro trimestre deste ano, porém, foi menos intenso que o quarto trimestre de 2021, com crescimento aproximadamente 5% menor. 

Período Dias úteis no período Correntistas adicionados Correntistas adicionados/dia útil
1T21 61 1,8 milhão 29.508
2T21 62 1,9 milhão 30.645
3T21 65 2 milhões 30.769
4T21 63 2,5 milhões 39.682
1T22 61 2,3 milhões 37.704

Fonte: Prévias operacionais Banco Inter

Em uma tese de crescimento, como é o Banco Inter, a manutenção da velocidade desse crescimento é igualmente relevante.

A desaceleração pode ser atribuída a uma série de fatores, como a concorrência. Hoje, não só os bancos digitais mas também os grandes bancos possuem operações voltadas ao público digital.

O iti, banco digital do Itaú (ITUB4), já possui cerca de 15 milhões de clientes e a expectativa da instituição é que seu braço virtual continue avançando. 

O desafio do Banco Inter é, e sempre foi desde a concepção do negócio, a monetização da base de usuários. Com isso, abrem-se as portas para as operações de crédito, o filé mignon do serviço bancário, em qualquer espectro que ele esteja. 

Operação de crédito acelera, mas inadimplência é freio de mão

No primeiro trimestre deste ano, a originação de crédito do Banco Inter atingiu R$ 4,5 bilhões, avanço de 22% em comparação ao reportado no mesmo período de 2021. 

O banco aproveitou a retomada da economia e a maior contribuição, com quase 70% do total da originação, sendo direcionado para empresas. 

Nesse sentido, porém, o ponto de interrogação fica por conta da inadimplência. O crédito não produtivo (non-performing loan ou NPL, em inglês) acima de 90 dias foi de 3,3% em março de 2022. No cartão de crédito, concessão de maior risco, esse percentual chegou a 6,6%.

No caso do Itaú, com base nos dados do quarto trimestre de 2021, a taxa de inadimplência acima de 90 dias é de 2,5%; no Bradesco, 2,8%; e no Santander, de 2,7%. Operar crédito não é trivial e demandará do Banco Inter expertise e cautela no crescimento da carteira.

O índice do Banco Inter também é maior em comparação seu próprio patamar de inadimplência no quarto trimestre de 2021, que foi de 2,8% da carteira.

A aceleração da estratégia de crédito, na procura por maior rentabilidade, certamente será acompanhada pelo aumento da PDD (Provisão para Devedores Duvidosos). A depender do volume, as reservas tendem a diminuir o espaço para o investimento no crescimento. 

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Na tentativa de atingir uma clientela com potencialmente maior capacidade financeira, diferentemente do público jovem com renda ainda baixa, o banco anunciou uma parceria com a Mercantil do Brasil, para explorar a oferta de crédito para pessoas acima de 50 anos.

O negócio, também comunicado ao mercado ontem à noite, consiste na realização de operações de cessão de créditos originadas pelo Mercantil do Brasil ao banco, com volume total de até R$ 2 bilhões, e prazo de 18 meses.

Outra tentativa do banco na avenida de crédito é explorar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), assim como faz o Banco Pan (BPAN4), na antecipação do saque-aniversário. 

Vale a pena investir no Banco Inter?

Outrora queridinhas do mercado, as ações do banco mineiro passaram por forte correção nos últimos meses.

Enquanto o Ibovespa persegue a máxima histórica ao subir cerca de 13% em 2022, as units do Banco Inter acumulam queda de 39% desde o primeiro pregão do ano, mostrando como a tese de investimento em crescimento tem sofrido com o aumento do custo de capital mundo afora. 

Units BIDI11 e índice Ibovespa nos últimos 12 meses

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Dados apresentados pela Refinitiv, compilados na plataforma do TradeMap, porém, mostram que o momento pode ser uma boa oportunidade de compra dos papéis.

Todos os oito especialistas que acompanham o Banco Inter recomendam a compra das units, sendo que o preço-alvo mediano é de R$ 36, indicando que os papéis já podem ter caído mais do que deveriam.

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