Hub de inovação do Bradesco prepara mudança de endereço e terá novo modelo de créditos
No edifício localizado entre a Avenida Angélica e a Avenida Consolação, em São Paulo, onde funciona o Inovabra, o hub de inovação do Bradesco, o contrato funciona da seguinte forma: a startup paga para ter uma posição — uma cadeira, uma sala — e, a partir daí, ganha acesso a eventos, mentorias e, potencialmente, a empresas clientes, incluindo unidades de negócio do banco. É esse modelo, que é o mesmo desde a fundação do hub há quase uma década, em 2018, que o Inovabra está prestes a trocar.A partir do primeiro trimestre de 2027, a startup ou companhia parceira que quiser acessar o Inovabra vai comprar um pacote de créditos flexíveis, não mais um lugar físico. Dependendo da categoria contratada, esse crédito dará acesso a diferentes combinações de trilhas temáticas, eventos, programas de aceleração e conexões, sem a obrigação de manter uma cadeira fixa no prédio."Estamos tentando nos antecipar ao contexto que já identificamos no mercado", afirmou Paulo Emediato, head de growth e comunicação do Inovabra, à Bloomberg Línea. “Vários players estão fazendo movimentos que não estão indo exatamente na mesma direção, mas cada um está puxando para um lado.”⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.A mudança de modelo acompanha uma percepção no mercado de que os hubs de inovação, estruturados na década passada com um modelo baseado no networking e em espaços físicos, cumpriram os seus papéis, mas precisam avançar para atender às demandas atuais. Leia também: Settle usa agentes de IA para destravar mercado de licitações públicas de R$ 1 triEm especial, num momento em que a inteligência artificial apresenta novos desafios às startups e corporações e os modelos de financiamento, como venture capital, passam por remodelagens. Junto com Emediato, chegou Chen Wei Chi para liderar a divisão de negócios e soluções do Inovabra. Os dois respondem a Renata Petrovic, head do Inovabra, que segue à frente da operação.Com a transição, a equipe do Inovabra deixará o prédio atual em dezembro. Os executivos não revelaram o novo endereço do hub, apenas afirmaram que a nova sede ficará próxima da atual. O investimento destinado à reformulação também não foi divulgado. Da gestão de espaço à orquestraçãoO argumento central por trás da mudança é que o espaço físico deixou de ser o principal ativo do Inovabra — e vinha, inclusive, se tornando um obstáculo interno nas empresas parceiras. Segundo os executivos, quando um gestor de inovação precisa defender orçamento dentro de sua companhia, o aluguel de uma sala é o item mais fácil de questionar, mesmo quando o valor real está nos programas e conexões viabilizados por ela.“Quando eles vão defender o orçamento, o espaço é mais tangível do que os outros serviços. Aí, quando ele vai defender, começa a perder a discussão: por que você está alugando um espaço que não usa?”, afirma Chen. “Sendo que o valor está nos outros serviços.”Chen, head de negócios e soluções do Inovabra: A proposta é reposicionar o hub como um orquestrador de soluções, e não apenas um ponto de conexão entre startups e corporaçõesCerca de 70% das startups residentes hoje, segundo o Inovabra, já operam de forma total ou majoritariamente remota — o que reforça a avaliação interna de que manter o modelo de assento fixo já não reflete como o ecossistema efetivamente funciona. “Faz sentido continuar sendo um gestor de espaço? Ou será que nós não podemos dedicar a nossa expertise e capacitação em articular parceiros e ser gestor de programas e projetos?”, diz.A proposta é reposicionar o Inovabra como um orquestrador de soluções, e não apenas um ponto de conexão entre startups e corporações. Na prática, isso significa acompanhar o problema de uma empresa de ponta a ponta — combinando, quando necessário, mais de uma startup e até consultorias para resolvê-lo — e medir o resultado do negócio gerado. “Se eu tiro do jogo a sala e as posições e apresento uma carteira de crédito para você ter acesso a uma série de funcionalidades, nosso vínculo fica muito mais leve”, afirma Emediato. “Fica mais provável que a gente consiga trilhar uma jornada em que eu consiga te dar retorno também aferido, para além das iniciativas que acontecem dentro de um clube.”Leia também: Nubank forma parceria com o Lead Bank para acelerar lançamento nos EUAOs executivos citam como exemplo a própria conexão entre as startups e o Bradesco. No ano passado, mais de 70 POCs (provas de conceito) foram realizadas diretamente com as áreas de negócio do banco, em projetos sobre tecnologias emergentes, cibersegurança, criptografia pós-quântica, uso de stablecoins e observabilidade de LLMs.“Continuaremos fazendo tudo isso com o banco, mas queremos trazer esse aprendizado para cá também. Iremos rebalancear esses esforços para oferecer a outras corporações também”, conta Emediato. Nesta fase de transição, o Inovabra está pilotando projetos internamente e com parceiros para fechar o plano de negócios e manter a estrutura sustentável. Paralelamente à mudança comercial, o Inovabra está consolidando diferentes ferramentas internas para oferecer uma plataforma digital, que passa a incorporar tendências, relatórios e mecanismos de engajamento por comunidades temáticas. Números e transiçãoO Inovabra soma hoje 270 startups residentes ativas e cerca de 40 corporações. Desde 2018, mais de 600 startups passaram pelo ambiente físico do Inovabra, um espaço operado pelo WeWork. Segundo dados do hub, outras 3.100 foram conectadas por meio de parceiros, e mais de mil negócios foram gerados entre integrantes da comunidade. Em 2025, os eventos promovidos pelo hub reuniram cerca de 20 mil participantes. A transição para o novo modelo deve começar a ser sentida já neste segundo semestre. O “soft opening” está previsto para o primeiro trimestre de 2027 — quando a nova plataforma digital e os primeiros pacotes de crédito devem entrar em operação. As novas mudanças, assim como a contratação de Emediato, devem fazer com que o hub criado pelo Bradesco seja mais vocal e apresente mais ao mercado o que está sendo construído. “A forma como nos manifestamos também acompanha essa jornada de mudança. A presença nos eventos já mudou, com muito mais foco na comunidade e na demanda deles”, afirma Emediato. Leia tambémiPhone 18 mais caro? 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