Bolsas globais recuam com petróleo a US$ 107 e rendimento de Treasuries acima de 5%
As ações dos EUA caíram à medida que os preços elevados do petróleo impulsionaram novas vendas de títulos do Tesouro americano e levaram o rendimento dos títulos de 10 anos a níveis não observados há 19 anos, o que manteve o apetite pelo risco firmemente contido.Os futuros do S&P 500 recuaram 0,5%. A taxa dos títulos do Tesouro de 10 anos subiu quatro pontos-base, para 5,03%, o nível mais alto desde 2007. O petróleo Brent ultrapassou os US$ 107 por barril, elevando os ganhos em setembro para quase 20%. O dólar caminhava para sua primeira alta consecutiva neste mês. O bitcoin recuou à medida que se esvaíam as esperanças de um avanço iminente em um projeto de lei regulatório nos EUA, levando as ações do setor de criptomoedas a uma queda acentuada no início do pregão.Os altos rendimentos dos títulos estão definindo o tom dos mercados, colocando os riscos decorrentes do aumento dos custos de energia e do endividamento crescente firmemente no radar dos operadores. ⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.O entusiasmo em relação ao setor de IA, o principal impulsionador dos ganhos das ações neste ano, também permanece moderado, enquanto se intensifica o debate sobre se a tecnologia poderia causar danos catastróficos."É claro que a onda de vendas de títulos está pesando sobre as ações de tecnologia e de crescimento", afirmou Louis Puga, da Societe de Gestion Prevoir. “Na verdade, há dois mundos em jogo aqui: de um lado, balanços patrimoniais e lucros corporativos saudáveis; do outro, países com grandes déficits que pressionam o mercado de títulos.”O índice europeu Stoxx 600 caiu 1%. O Deutsche Bank liderou as perdas entre as ações do setor bancário, ecoando as quedas entre seus pares norte-americanos depois que o Bank of America alertou que a receita de operações para o trimestre atual ficará estável. Os rendimentos subiram em toda a região, com a taxa dos títulos do Tesouro britânicos de dois anos subindo quatro pontos-base, para 4,93%, à medida que os operadores reforçaram as apostas de que o Banco da Inglaterra aumentará as taxas de juros pelo menos duas vezes este ano. “Os mercados estão claramente ficando nervosos, o que significa que qualquer revés pode desencadear movimentos significativos”, observou Padhraic Garvey, do ING. “Com o petróleo subindo a cada dia e o gás europeu sendo negociado bem acima das máximas anteriores, vemos muitos riscos pela frente.”No Japão, as vendas concentraram-se em títulos de longo prazo, à medida que o governo considerava uma meta de gastos com defesa a médio prazo de 3,5% do PIB. O índice de referência de ações da MSCI para a Ásia recuou pelo quarto dia consecutivo — sua maior sequência de perdas desde maio —, com cerca de três em cada quatro ações em queda.O ouro recuou ainda mais para abaixo de US$ 4.300 a onça, à medida que o aumento dos preços do petróleo reforçou as expectativas de que o Federal Reserve possa elevar as taxas de juros nesta semana. Taxas mais altas geralmente diminuem o apelo do metal, que não gera rendimento.O que dizem os estrategistas da Bloomberg: “A divergência cada vez maior entre o petróleo bruto e o ouro indica que os operadores macroeconômicos talvez tenham de lidar com correlações rompidas entre as classes de ativos por mais algum tempo. Eles estão perdendo a confiança na chegada de um ‘circuit breaker’ capaz de reduzir os preços do petróleo e restaurar o apetite pelo risco nos mercados.” — Mark Cranfield, estrategista da Markets Live.→ Assine a newsletter matinal Breakfast, uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque em negócios e finanças no Brasil e no mundo.-- Com informações da Bloomberg News.Veja mais em bloomberg.comLeia tambémÉ cedo para dizer que inadimplência atingiu o pior momento, diz economista da Serasa




















