SLC Agrícola sobe e entra em sobrecompra; Direcional pode evitar novas mínimas?
SLC Agrícola (SLCE3) e Direcional (DIRR3) atravessam momentos técnicos bastante diferentes na Bolsa. A SLC Agrícola acelerou a recuperação e já opera em uma região de maior esticamento, enquanto a Direcional voltou a perder força após uma tentativa de reação e permanece pressionada no curto prazo.
Na SLC Agrícola, o Índice de Força Relativa (IFR) está em 75,73 pontos, acima da referência de 70 e em região de sobrecompra. O indicador acompanha a forte arrancada recente do papel, que rompeu resistências importantes e passou a negociar acima das médias móveis. A leitura, porém, também mostra que o movimento está mais esticado e pode favorecer realização de lucros ou consolidação, sem representar, isoladamente, um sinal de reversão. Em 2026, SLCE3 acumula valorização de 25,75% e, nos últimos 12 meses, sobe 25,15%.
Na Direcional, a configuração é mais fraca. O IFR recuou para 37,38 pontos, ainda acima da região de sobrevenda, mas refletindo a perda de força do papel após a tentativa recente de recuperação. No gráfico diário, a ação voltou a ficar abaixo das médias móveis de curto prazo e permanece distante da média de 200 períodos, mantendo a pressão vendedora. Uma eventual reação ainda precisa ganhar consistência antes de sinalizar uma mudança relevante na tendência. Em 2026, DIRR3 acumula queda de 25,85% e, nos últimos 12 meses, recua 24,01%.
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IFR: ações da bolsa
O Índice de Força Relativa (IFR), ferramenta amplamente utilizada na análise técnica, mede a intensidade dos movimentos de preço em uma escala que varia de 0 a 100. Leituras acima de 70 costumam sinalizar sobrecompra, enquanto níveis abaixo de 30 indicam sobrevenda.
Na prática, esse quadro sugere que a SLC Agrícola (SLCE3) pode atravessar um período de forte otimismo, enquanto a Direcional (DIRR3) enfrenta maior pressão vendedora — condição que, em determinados momentos, pode abrir espaço para movimentos de recuperação no curto prazo.
Também figuram na lista das ações em região de sobrecompra: Fleury (FLRY3), Petrobras (PETR4), Ultrapar (UGPA3) e Suzano (SUZB3).
Na outra ponta, entre os papéis mais pressionados no momento, aparecem Hapvida (HAPV3), Smart Fit (SMFT3), Natura (NATU3), e Copasa (CSMG3), negociando em faixas técnicas consideradas mais frágeis.

Análise técnica SLC Agrícola (SLCE3)
A SLC Agrícola (SLCE3) mantém uma configuração técnica positiva no curto prazo, após a forte arrancada das últimas semanas. No gráfico diário, o papel permanece acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos e rompeu importantes regiões de resistência durante a recuperação, reforçando o predomínio comprador. Na última sessão, porém, a ação recuou 2,66%, aos R$ 17,94, em um movimento de realização após se aproximar da resistência em R$ 18,70.
A intensidade da valorização deixou o ativo mais esticado. O IFR (14) está em 75,73 pontos, em região de sobrecompra, condição que aumenta a possibilidade de novas realizações de lucros ou de uma consolidação no curto prazo. Apesar disso, a estrutura permanece favorável e, até o momento, não há sinais consistentes de reversão do movimento de alta.
Para retomar o avanço, a SLC Agrícola precisa superar inicialmente R$ 18,70 e, na sequência, R$ 19,48. O rompimento dessa faixa pode renovar o impulso comprador e abrir espaço para novos patamares. No sentido contrário, a perda de R$ 17,90 aumentaria a atenção para uma correção em direção à média de 9 períodos e à região de R$ 16,30. Abaixo desses níveis, as médias de 21 e 200 períodos, próximas de R$ 15,81/R$ 15,52, passam a ser referências técnicas mais relevantes.
Resistências: R$ 18,70; R$ 19,48; R$ 21,10; R$ 22,25 e R$ 24,40.
Suportes: R$ 17,88; 16,30; 15,50; 14,25; 13,00.

Análise técnica Direcional (DIRR3)
A Direcional (DIRR3) mantém uma configuração técnica negativa no curto prazo, após a tentativa recente de recuperação perder força. No gráfico diário, o papel voltou a negociar abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos e permanece distante da média de 200 períodos, reforçando o predomínio vendedor. Na última sessão, a ação recuou 4,30%, para R$ 10,46, voltando a se aproximar das mínimas recentes.
O IFR (14) caiu para 37,38 pontos, ainda fora da região de sobrevenda, mas acompanhando a deterioração do movimento. A estrutura gráfica segue favorecendo as baixas, especialmente se o papel perder o suporte em R$ 10,18. O rompimento desse patamar pode intensificar a pressão vendedora e abrir espaço para novas mínimas.
Para ensaiar uma recuperação, a Direcional precisa inicialmente retomar as médias móveis de curto prazo, hoje próximas de R$ 10,88/R$ 11,00, e posteriormente superar a resistência em R$ 11,71. Acima desses níveis, o fluxo vendedor pode perder força. No sentido contrário, a perda de R$ 10,18 aumenta o risco de continuidade da queda, colocando R$ 9,35 como próxima referência de suporte.
Resistências: R$ 10,88; R$ 11,70; R$ 12,35; R$ 13,60 e R$ 14,40.
Suportes: R$ 10,18; R$ 9,37; R$ 8,14; e R$ 6,87.

(Rodrigo Paz é analista técnico CNPI-T)
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