Arábia Saudita fecha oleoduto estratégico e amplia temor sobre oferta de petróleo
A Arábia Saudita fechou seu oleoduto Leste-Oeste, uma alternativa estratégica ao Estreito de Ormuz para exportação de petróleo, após uma série de ataques ocorridos na quinta-feira.
Segundo o Ministério da Energia saudita, a interrupção foi adotada como medida preventiva. Os ataques deixaram feridos, e equipes de emergência trabalham para garantir a segurança da infraestrutura e avaliar possíveis danos.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do reino, diversos drones lançados do Iraque atingiram trechos do oleoduto nas regiões de Riad e Medina.
Os confrontos no Oriente Médio se intensificaram nos últimos dias. Os rebeldes houthis, do Iêmen, afirmaram ter atacado instalações energéticas sauditas em Abha, Najran e Jazan, enquanto os Estados Unidos realizaram ofensivas contra navios petroleiros iranianos.
O oleoduto Leste-Oeste tornou-se uma rota fundamental para as exportações sauditas desde o agravamento da guerra envolvendo o Irã. Com capacidade para transportar até 7 milhões de barris por dia, a estrutura atingiu rapidamente sua lotação máxima neste ano, depois que o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz foi severamente prejudicado.
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Oferta de petróleo saudita atinge nível mais baixo em mais de 3 décadas
A tubulação leva petróleo do Golfo Pérsico até o Mar Vermelho, permitindo o embarque em navios sem a necessidade de passar por Ormuz. Nos últimos meses, porém, essa rota também passou a sofrer pressão diante dos ataques dos houthis apoiados pelo Irã.
Para Gregory Brew, analista geopolítico da Eurasia Group, os ataques mostram que o Irã e seus aliados mantêm capacidade e disposição para atingir infraestrutura energética na região.
“É uma demonstração bastante clara de que o Irã e seus aliados têm tanto capacidade quanto disposição para atacar a infraestrutura energética regional, e que essa infraestrutura é vulnerável a drones e mísseis balísticos”, afirmou.
Apesar do fechamento do oleoduto, o mercado reagiu de forma moderada. O petróleo Brent operava próximo de US$ 105 por barril após o anúncio. Na quinta-feira, a commodity chegou perto de US$ 110 diante dos temores sobre o impacto da escalada militar na oferta global de energia.
“O tamanho da interrupção já foi precificado”, disse Brew.
As exportações de petróleo da Arábia Saudita caíram para cerca de 3 milhões de barris por dia em agosto, o menor volume desde o início de 2017, segundo dados citados pela Bloomberg. A queda ocorreu em meio aos ataques a embarcações no Mar Vermelho promovidos pelos houthis.
Ao mesmo tempo, o fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz segue limitado. Os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos carregamentos provenientes de portos iranianos, enquanto Teerã continua ameaçando embarcações que transitam pela região.
Dados da consultoria Vortexa mostram que aproximadamente 1 milhão de barris por dia de derivados de petróleo está atravessando Ormuz atualmente, bem abaixo dos cerca de 4 milhões de barris diários registrados antes do conflito.
A restrição da oferta tem pressionado não apenas o petróleo bruto, mas também os combustíveis. Nos Estados Unidos, a gasolina está sendo vendida em média acima de US$ 4 por galão, enquanto o diesel atingiu o recorde de US$ 6 por galão.
Outro fator de preocupação é o esgotamento gradual dos mecanismos que ajudaram a amortecer o choque energético no início da guerra. Os estoques de petróleo dos EUA recuaram significativamente, e grande parte das reservas estratégicas liberadas por governos ao redor do mundo já foi absorvida pelo mercado.
Enquanto isso, forças houthis avançaram nesta semana ao longo da costa do Mar Vermelho, em direção ao estreito de Bab el-Mandeb, mantendo paralelamente os ataques com drones e mísseis contra a Arábia Saudita. A ofensiva já levou o reino a interromper operações em algumas instalações energéticas.
Segundo Fernando Ferreira, da Rapidan Energy Group, o avanço dos houthis coloca Riad diante de uma escolha difícil: ampliar uma campanha militar que há anos não consegue derrotar o grupo ou aceitar uma influência cada vez maior dos rebeldes sobre uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
“Riad está em uma posição difícil”, afirmou. “À medida que os EUA mantêm o bloqueio e conseguem escoltar mais petroleiros para fora da região, o Irã tende a aumentar os ataques contra instalações energéticas do Golfo.”
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