Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana
Ao longo da semana, os investidores acompanharam a divulgação de novos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, enquanto a escalada das tensões no Oriente Médio e seus impactos sobre o mercado de petróleo permaneceram no centro das atenções.
No cenário doméstico, o IPCA recuou 0,32% em agosto, queda mais intensa que a projeção de 0,29%, após alta de 0,07% em julho. Em 12 meses, o índice acumulou avanço de 4,22%, abaixo da expectativa de 4,27%. O Boletim Focus também ficou no radar, com a projeção para o IPCA de 2026 recuando de 5,01% para 5,00%, enquanto a estimativa para o PIB subiu de 1,92% para 1,93%. A previsão para a Selic permaneceu em 13,75% ao ano ao fim de 2026.
Nos Estados Unidos, os investidores repercutiram novos indicadores de inflação. O PPI avançou 0,4% em agosto, em linha com as projeções, enquanto o CPI também subiu 0,4% no período. O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3%, acima da expectativa de 0,2%. Na comparação anual, o índice cheio acumulou alta de 3,4%.
No cenário geopolítico, as tensões no Oriente Médio se intensificaram ao longo da semana. Ataques dos houthis a instalações de energia na Arábia Saudita ampliaram as preocupações com o fornecimento da commodity, enquanto as restrições no Estreito de Ormuz e o avanço do grupo próximo ao estreito de Bab al-Mandeb elevaram as incertezas sobre importantes rotas de transporte de petróleo. O risco de prolongamento da guerra entre Estados Unidos e Irã também permaneceu no radar.
Maiores altas
A Assaí (ASAI3) avançou 8,15% na semana, acompanhando o desempenho positivo das ações do varejo na B3. O movimento ocorreu em meio à melhora do mercado acionário brasileiro, com o Ibovespa avançando 1,20% na terça-feira (8), diante das expectativas em torno do cenário eleitoral. A pesquisa Quaest mostrou empate numérico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, com 41% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contribuindo para o desempenho positivo do mercado e dos papéis do setor.
A PRIO (PRIO3) avançou 6,65% na semana, impulsionada pela forte valorização do petróleo, que se aproximou de US$ 100 por barril diante do aumento das tensões no Oriente Médio. Os novos ataques a aliados dos Estados Unidos reduziram as expectativas de um acordo com o Irã e ampliaram as preocupações com a oferta da commodity. A expectativa de recuperação da produção após as paradas para manutenção em Albacora Leste e Peregrino e a continuidade do programa de recompra de ações também contribuíram para o desempenho positivo dos papéis.
A Petrobras (PETR3) registrou alta de 4,83% na semana, impulsionada pela forte valorização do petróleo diante da escalada das tensões no Oriente Médio. O Brent ultrapassou US$ 100 por barril e chegou a superar US$ 107, em meio a ataques a embarcações, restrições no Estreito de Ormuz e ofensivas dos houthis contra instalações de energia na Arábia Saudita. As preocupações com possíveis interrupções no fornecimento global da commodity favoreceram as ações da estatal ao longo do período.
A CSN (CSNA3) acumulou valorização de 4,72% na semana, favorecida pela melhora da percepção dos investidores sobre a nova gestão e pelas expectativas em torno do programa de venda de ativos. A chegada de Fabio Schvartsman à presidência reforçou as perspectivas de maior foco na redução do endividamento e na disciplina de capital. O mercado também acompanhou as negociações para a venda da CSN Cimentos, que pode alcançar R$ 11 bilhões, além da possível venda de ativos siderúrgicos na Alemanha.
Maiores quedas
A Direcional (DIRR3) liderou as perdas da semana, com queda de 8,64%, em meio a um ambiente de maior cautela com o setor imobiliário diante do patamar ainda elevado dos juros. Os investidores acompanharam as perspectivas para a política monetária, com a Selic em 14% ao ano, fator que segue pressionando as condições de crédito e financiamento do setor. No período, os papéis também passaram a integrar o IBrX 50, enquanto a Genial iniciou a cobertura da companhia com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19.
A Hapvida (HAPV3) recuou 7,30% na semana, dando continuidade ao desempenho negativo acumulado nos últimos meses. Os papéis ainda enfrentam dificuldade para consolidar uma recuperação após as fortes perdas recentes e acumulam queda superior a 50% em 2026. Apesar de uma reação pontual nas últimas sessões, o movimento não foi suficiente para reverter a pressão sobre as ações, que permaneceram entre os destaques negativos do período.
A Tenda (TEND3) apresentou queda de 7,28% na semana, pressionada pela alta dos juros futuros em meio ao aumento das preocupações com os riscos inflacionários associados à valorização do petróleo. O movimento afetou principalmente ações de consumo cíclico, mais sensíveis às taxas de juros, e levou os papéis da construtora a registrarem forte queda no período. A companhia também concluiu a transição de comando, com Marcos Cruz assumindo a presidência no lugar de Rodrigo Osmo. Na semana, as ações ainda estrearam na composição definitiva do Ibovespa.
A Azzas 2154 (AZZA3) encerrou a semana com baixa de 7,12%, em um movimento de realização após as fortes altas registradas nos pregões anteriores. Os papéis também foram pressionados pelo rebaixamento do rating nacional pela S&P, de “brAA+” para “brAA”, após o anúncio da cisão da companhia. A agência colocou a nota em observação negativa e destacou riscos relacionados à perda de escala, à distribuição dos passivos e às métricas de crédito das futuras empresas.
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