Aumento das opções no EWZ e o reflexo na disparada do Ibovespa com o trade eleitoral
O “trade eleitoral” do mercado financeiro levou o Ibovespa a última quinta-feira (10) em mais um pregão em firme alta (+1,42%), em 188.268,59 pontos, perto das máximas do dia. O movimento veio acompanhado de um giro de R$ 30 bilhões e já leva o índice a acumular uma alta de 6,11% em setembro.
A pesquisa AtlasIntel divulgada na quinta endossa a expectativa do mercado de que a chapa à direita está se fortalecendo e reduzindo a distância do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No segundo turno, o levantamento mostrou um empate técnico entre os principais candidatos, em linha com o resultado de outras pesquisas já divulgadas até agora.
O levamento mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) está numericamente à frente de Lula em um eventual segundo turno da eleição entre ambos. Flávio tem agora 46,4%, ante 42,6% na pesquisa anterior, ao passo que Lula tem 46,2%, ante 47,1%. Como a margem de erro da pesquisa é de 1 ponto percentual, os dois estão em empate técnico.
O levantamento mostrou ainda que Lula mantém a liderança no primeiro turno, com 43% das intenções de voto, mesmo patamar da pesquisa de agosto, enquanto Flávio soma 37,4%, ante 34% na pesquisa anterior.
A leitura do mercado financeiro é de que uma disputa mais equilibrada abre espaço para uma mudança de rumo político e fiscal no País, o que tem levado investidores a realizar movimentos no mercado à vista e futuro que se retroalimentam.
Operadores observam que houve aumento das compras de calls e call spreads, estruturas com opções usadas para apostar na valorização dos ativos. O movimento está acontecendo não somente nos contratos de BOVA11, ETF que replica o Ibovespa, como também no EWZ, maior ETF ligado a ações brasileiras negociado em Nova York e que sobe 7% apenas no começo deste mês.
As call spreads combinam a compra e a venda de opções de compra em diferentes níveis de preço. A estratégia reduz o custo da aposta em comparação à compra simples de calls.
Segundo Norberto Sangalli, broker de renda variável da Nippur, esse movimento no EWZ tem sido incomum e concentrado nesse tipo de aposta e de forma atípica. Ele destaca que as apostas eleitorais, antes previstas para depois do pleito, começaram a antecipar o resultado. “As posições começaram a migrar para outubro, refletindo a percepção de que a disputa mais equilibrada nas pesquisas pode gerar reprecificação mais rápida dos ativos brasileiros”, diz.
Segundo Roberto Moura, head de renda variável da Grand Capital Invest, esse posicionamento fica mais claro quando se olha para o vencimento de novembro, após o segundo turno das eleições. Segundo ele, os negócios ficam concentrados em calls, sobretudo em strikes (preço de exercício) altos, na região de 200 mil e 210 mil pontos do Ibovespa. “Essa estrutura serve para turbinar o ganho se a bolsa disparar num cenário de mudança política”, afirma.
Sobre o mercado de opções do EWZ, Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, aponta que um dos sinais mais claros desse movimento é a abertura do diferencial entre a volatilidade implícita (IV) e a volatilidade histórica (HV) do ETF, como destacado no gráfico abaixo:

Dados do mercado mostram que a volatilidade implícita do EWZ, que mede a oscilação esperada pelos investidores para os próximos meses, subiu para cerca de 41,5%, enquanto a volatilidade histórica de 200 dias permanece próxima de 26,1%. Para Saadia, esse descolamento indica que os investidores estão pagando mais caro por proteção diante da incerteza eleitoral.
“É um comportamento clássico de pré-evento. A volatilidade implícita sobe antes do fato sem que a volatilidade efetivamente observada acompanhe o movimento, porque o mercado está comprando proteção antes da definição das urnas”, afirma o economista. Segundo ele, o fenômeno não deve ser interpretado necessariamente como um sinal de otimismo com o Brasil, mas sim como uma estratégia de hedge diante de um evento binário, cujos desdobramentos ainda são incertos.
Saadia também acrescenta que o aumento da demanda por opções também ajuda a explicar parte da valorização recente do próprio EWZ.
Esse movimento nas opções também pode ajudar a explicar parte da alta no mercado à vista, com alta do EWZ. Quando market makers (formadores de mercado, que garantem a liquidez) ficam na ponta vendedora das calls compradas pelos investidores, precisam comprar os ativos correspondentes para neutralizar sua exposição à alta. À medida que esses ativos se valorizam, o hedge pode exigir novas compras, reforçando o movimento do Ibovespa e do EWZ.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)



















