Em meio ao tumulto envolvendo o caso da Americanas (AMER3), investidores também precisam se atentar à temporada de balanços referente ao último trimestre de 2022. No Brasil, como já de costume, a largada foi dada pela Cielo (CIEL3), na quinta-feira (26). A companhia terminou o período com alta de 63% no lucro líquido recorrente, para R$ 490 milhões.
Apesar disso, as ações caíram na sexta-feira (27), em meio à redução do número de clientes ativos. Esse dado era um ponto favorável para a avaliação da empresa, que tinha conseguido driblar o cenário de juros altos, mantendo sua base.
A reação do mercado ao balanço da líder do setor de pagamentos mostra que alguns indicadores podem ser vistos de forma bastante negativa pelos investidores, levando em conta o contexto macroeconômico, com juros atualmente de 13,75% ao ano, e renda média reduzida.
Perder “recursos” importantes para estabilizar as operações é fator preocupante no cenário atual. No caso da Cielo, esse alerta foi dado ainda que a companhia também tenha elevado preços no ano passado, reduzido custos e, como dito, aumentado a rentabilidade.
Nos Estados Unidos, a Microsoft (MSFT34) anunciou, na quarta-feira (25), o recuo de 12% no lucro líquido no último trimestre do ano e reforçou o desânimo do mercado com suas projeções. A companhia prevê que o segmento de computadores recue 17% no primeiro trimestre deste ano (ou terceiro trimestre fiscal de 2023), em relação ao mesmo período anterior.
Parece não dar para esconder a dificuldade de melhoria de performance diante dos efeitos ainda sentidos da pandemia e das incertezas quanto à estabilidade econômica americana e mundial. Na quinta, a Intel (ITLC34) estimou um prejuízo inesperado para o primeiro trimestre e desabou na Bolsa de Nova York no dia seguinte.
Além disso, a companhia, que teve perda líquida superior a US$ 660 milhões no trimestre passado, mais do que o dobro que o esperado, previu receita US$ 3 bilhões abaixo das expectativas do mercado para o próximo período. Como a Microsoft, a Intel enfrenta desaceleração no mercado de centrais de processamento de dados.
No Brasil, com a fila de divulgações de empresas apenas começando a andar, o desenho desse cenário ainda está por ocorrer. Por enquanto, há bastante demanda para novas informações relacionadas à Americanas, que resolveu reforçar o discurso nessa última semana contra os bancos e pediu a extensão da recuperação judicial nos EUA.
Veja os destaques da semana da agência TradeMap na semana.
Cinco tombos históricos da Bolsa brasileira
A queda de 77% das ações da Americanas (AMER3), que perdeu mais de R$ 9 bilhões em valor de mercado só no dia 12 de janeiro, não tem precedentes na história da Bolsa brasileira, mas tombos relevantes já chamaram a atenção. A Vale, por exemplo, responde por um dos cinco maiores recuos em um pregão entre os integrantes do Ibovespa. Vale conferir a lista completa!
Prates assume Petrobras e fala em impulso à economia e transição energética
O novo presidente da Petrobras (PETR4), Jean Paulo Prates, quer que a estatal tenha papel de destaque na transição energética no Brasil. Em vídeo aos funcionários, o executivo, que tomou posse do cargo na quinta-feira (26), defendeu que a petrolífera tenha um papel de condutora do crescimento econômico do país.
Na terça-feira (24), a companhia ainda informou que o preço médio de venda de “gasolina A” para as distribuidoras passaria de R$ 3,08 para R$ 3,31 por litro, um aumento de R$ 0,23 por litro, ou 7,47%. O anúncio interrompeu uma sequência de cinco quedas consecutivas desde junho do ano passado.
Cautela dá o tom do investimento em BB em 2023
Ainda no campo das estatais, com o início do novo governo, investidores levantam dúvidas sobre a alocação de recursos em empresas como o Banco do Brasil (BBAS3). Analistas consideram que o investimento no BB ainda é interessante, mas que a cautela deverá prevalecer neste ano, já que ainda é cedo para prever o papel que a instituição terá durante o novo governo.
Compensa comprar uma ação ‘mico’?
A volatilidade das ações da Americanas (AMER3) nos últimos pregões reflete as inconsistências contábeis na empresa e o pedido de recuperação judicial que se seguiu. Investidores questionam se seria hora de comprar o papel após a derrocada, mas, na opinião de especialistas, o melhor é ficar (bem) longe dos ativos. Entenda as razões para isso!
Bradesco é o banco que tem maior dívida com Americanas
E para fechar os destaques da crise da Americanas, sua dívida com os bancos soma R$ 23,8 bilhões, segundo a lista de credores no processo de recuperação judicial. A instituição com maior exposição é o Bradesco (BBDC4), com uma dívida de R$ 4,8 bilhões.
Agenda da próxima semana
A semana que vem será marcada pela “Superquarta“, dia em que tanto o Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, quanto o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto), do Federal Reserve, o banco central americano, divulgam as decisões referentes à taxa básica de juros de cada um dos países.
Segundo o CME Group, 99% dos investidores precificam uma redução no ritmo de aumento de juros nos Estados Unidos, para 0,25 ponto percentual.
Em 14 de dezembro, o Fed elevou a taxa básica em 0,50 ponto, para o intervalo entre 4,25% e 4,50%, o maior patamar em 15 anos.
Por lá, na sexta-feira (2), a secretaria de estatísticas trabalhistas americanas (BLS) ainda divulga dados de criação de vagas e a taxa de desemprego nos Estados Unidos em janeiro. O número de vagas de dezembro somou 223 mil, acima do esperado pelo mercado.
Brasil
No Brasil, a expectativa é que o Copom mantenha a Selic nos atuais 13,75% ao ano, assim como fez no encontro realizado em dezembro. Em ata da reunião, o comitê ressaltou a existência de um cenário de elevada incerteza fiscal e que poderá voltar a subir a Selic se a inflação não ceder como o esperado.
De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo BC na segunda-feira (23), o mercado revisou para cima as projeções para o IPCA de 2023 e 2024. A expectativa agora é que a inflação termine este ano em 5,48% e o próximo em 3,84%.
Europa
Na quinta-feira (1º), será a vez de o Banco da Inglaterra informar a nova taxa de juros do Reino Unido e de o Banco Central Europeu anunciar a decisão sobre os juros da zona do euro. Atualmente, a taxa básica do Reino Unido está no patamar de 3,5% ao ano, e a da zona do euro, em 2,5% ao ano.
Ainda na semana que vem, a Eurostat divulga o desempenho do PIB da zona do Euro referente ao quarto trimestre de 2022.