Payroll mostra alta salarial abaixo do esperado nos EUA; dólar e juros caem

Taxa de desemprego na maior economia do mundo caiu de 3,6% em novembro a 3,5% no mês passado

Foto: Shutterstock/FOTOGRIN

O payroll, relatório sobre o mercado de trabalho americano, mostrou uma alta do salário médio por hora menor que a esperada em dezembro, o que animou os índices futuros americanos e fez o Ibovespa acentuar a alta na manhã desta sexta-feira (6).

Após a divulgação do número, 68% dos investidores passaram a acreditar em uma nova desaceleração do ritmo de alta dos juros americanos em fevereiro, segundo dados do CME Group (anteriormente, 57% acreditavam nessa possibilidade).

De acordo com os dados, divulgados pela secretaria de estatísticas trabalhistas dos Estados Unidos (BLS), o salário subiu 0,27% no mês passado na comparação com novembro, contra uma expectativa de 0,40%. Na comparação anual, o aumento foi de 4,59% (contra consenso de 5%).

Já a criação de vagas em dezembro somou 223 mil, acima do esperado pelo mercado, mas o dado de novembro foi revisado para baixo (em vez de 263 mil postos de trabalho, 256 mil). Os dados mostraram ainda que a taxa de desemprego caiu a 3,5% na maior economia do mundo, uma leve queda em relação ao dado revisado de novembro, de 3,6%.

O indicador era o mais aguardado da semana, já que é acompanhado com atenção pelo Federal Reserve (banco central americano) para definição dos juros da maior economia do mundo. O BC dos EUA tem duplo mandato, que é combater a inflação gerando o máximo de empregos.

Como o relatório mostrou uma aumento menor que o imaginado na média salarial, os investidores passaram a ver pressões inflacionárias menores à frente, o que reduz a chance de o Fed ser obrigado a prolongar o ciclo de alta dos juros.

Na quarta (4), a ata da última reunião do Fomc, colegiado de política monetária do Fed, mandou um recado visto com pessimismo pelo mercado: nenhum dirigente vê queda dos juros americanos ainda neste ano, cenário que aumenta o risco de recessão.

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Após a divulgação do número, os índices futuros americanos, que operavam em estabilidade, passaram a subir: por volta das 11h10, o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq eram negociados em alta de 1%.

No mesmo horário, o Ibovespa, que já havia reagido bem à ausência de referência à política econômica de Lula na abertura da reunião ministerial desta sexta, subia 1,23%, o dólar futuro recuava 1,50% e os contratos DI com vencimento em abril de 2026 recuavam 14 pontos, a 12,92%.

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Após a volatilidade do mercado com declarações desencontradas de ministros nos primeiros dias de governo, a expectativa é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dê continuidade ao “freio de arrumação” dos últimos dias e passe o recado: é preciso alinhar o discurso, e ninguém fala de decisões de governo sem autorização.

 

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