Petróleo cai em câmera lenta, mas pode se recuperar no modo turbo – o que marcou a semana

Início da guerra da Ucrânia gerou receios de escassez e consequente valorização de uma série de commodities, entre elas o petróleo

Gustavo Nicoletta

Gustavo Nicoletta

Foto: Shutterstock

A perspectiva de desaceleração da economia mundial frente ao aumento acelerado nos juros em grandes economias atingiu em cheio o petróleo, que nesta semana voltou a operar abaixo de US$ 90 o barril pela primeira vez desde que a Rússia invadiu a Ucrânia e fez os preços da commodity dispararem.

O início do conflito, em 24 de fevereiro, gerou receios de escassez de uma série de matérias-primas. O petróleo foi uma delas, e chegou a custar quase US$ 140 o barril em março.

Os preços se mantiveram acima dos US$ 100 o barril nos meses seguintes, e o pico mais recente foi atingido em junho, de US$ 120 o barril. De lá para cá, porém, o petróleo entrou num período de lenta desvalorização.

A queda aconteceu, em primeiro lugar, porque a oferta de petróleo permaneceu relativamente estável a despeito das sanções econômicas aplicadas à Rússia. Além disso, a estimativa de avanço econômico ficou limitada em função de novas ações de lockdown na China para conter a Covid-19, e da alta de juros nas principais economias do mundo.

A Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) então tomou, na segunda-feira (5), decisão contrária a que lhe foi exigida no primeiro semestre, quando houve pressão para que aumentasse mais rapidamente a produção. A entidade anunciou um corte na oferta na tentativa de conter a queda nos preços, mas nem mesmo esta atitude impediu que o petróleo recuasse para US$ 88 o barril na última quarta-feira.

O mercado, no entanto, está pouco convencido desta desvalorização. Segundo especialistas ouvidos pela Agência TradeMap, o cenário apertado para oferta e demanda deve manter os preços acima de US$ 90 até o final do ano. Há quem ache que o barril possa terminar o ano a US$ 125, como é o caso da área de gestão de patrimônio do UBS.

Vale mencionar que, na semana, mesmo tendo recuado para um dos menores níveis do ano, os preços devem terminar relativamente estáveis, perto de US$ 93 o barril. A trajetória de recuo da cotação do petróleo ainda tende a instabilidades à frente.

O ritmo de alta de juros pelo BCE (Banco Central Europeu) e o Federal Reserve, o banco central americano, será um dos fatores determinantes para esse cenário. Qualquer desaceleração no avanço das taxas poderá agir como uma espécie de varinha de condão, levando a commodity a retomar os preços mais altos – mas o efeito da mágica ainda é duvidoso.

 

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Veja os destaques da Agência TradeMap na semana.

Banco do Brasil teria lucro menor em eventual governo Lula?

Levantamento da Agência TradeMap mostrou que o Banco do Brasil teve lucros maiores que a média dos principais bancos privados (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander) na maioria dos anos de gestão do PT, que vão de 2003, quando Lula assume o primeiro mandato, até 2016, quando a ex-presidente Dilma Rousseff teve o segundo mandato interrompido em um processo de impeachment.

As mais indicadas no quesito dividendos

As recomendações com foco em dividendos seguem concentrando nas ações de instituições financeiras e commodities. De acordo com as carteiras de 15 corretoras compiladas pela Agência TradeMap, o papel da Vale é o mais indicado para investir com foco em dividendos em setembro. BB Seguridade (BBSE3) e Itaú Unibanco também estão no ranking de ações mais indicadas para setembro.

Revisão de projeções e corrida contra o tempo

O cenário econômico ao fim do primeiro semestre levou muitas empresas a revisarem as previsões para 2022 – algumas para refletir situações negativas, como nos setores aéreo e de mineração, e outras para demonstrar otimismo, como foi o caso no setor bancário. Algumas delas, porém, terão de correr contra o tempo para cumprir o que foi divulgado ao mercado.

Assets independentes lideram aporte em fundos de previdência

As gestoras de recursos independentes vêm ganhando terreno com a sofisticação dos produtos e o aumento da portabilidade no segmento de fundos de previdência privada. Enquanto as carteiras geridas por instituições ligadas a bancos e seguradoras tiveram resgate líquido, entre entradas e saídas, de R$ 567 milhões no ano, até julho, os portfólios de gestoras independentes registraram captação líquida de R$ 3,8 bilhões.

Oportunidade na Europa para empresas de energias

A crise energética que assola a Europa pode gerar oportunidades para algumas empresas brasileiras, de acordo com a corretora do Santander. Em relatório distribuído nesta quinta-feira (8), a instituição argumenta que algumas companhias, que têm empresas europeias entre suas principais concorrentes, podem aproveitar as dificuldades da indústria do Velho Continente para ganhar participação de mercado.

Agenda da semana

Na terça-feira (13), a pouco mais de uma semana da realização da próxima reunião do Fomc, o comitê de política monetária do Federal Reserve, o banco central americano – que ocorrerá em 21 e 22 de setembro – a secretaria de estatísticas trabalhistas dos Estados Unidos (BLS) informará o CPI (índice de preços ao consumidor) referente a agosto. Esse é um dos dados levados em conta pela autoridade monetária na decisão sobre a taxa de juros. Em julho, o indicador supreendeu positivamente, quando mostrou estabilidade em relação a junho.

Na quarta (14), será a vez da divulgação do PPI (índice de preços ao produtor), também referente a agosto, pela secretaria de estatísticas trabalhistas dos EUA (BLS).

Ambos os indicadores vão dar suporte à postura, adotada pelo Fomc, de observância dos números para que a decisão relativa aos juros tenha ritmo e magnitude adequados ao controle da inflação, como frisado na ata do encontro do Fed realizado no fim de julho. Na ocasião, o BC americano elevou a taxa em 0,75 ponto percentual, ao intervalo entre 2,25% e 2,50% ao ano.

A zona do euro também fará nova rodada de avaliação sobre o comportamento da inflação da região a partir da divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor), também correspondente a agosto, na sexta-feira (16). Na quinta (8), o BCE (Banco Central Europeu) subiu a taxa básica de juros em 0,75 p.p., para o patamar positivo de 0,75% ao ano.

E no Reino Unido, a próxima reunião do BoE, o banco da Inglaterra, foi adiada por causa da morte da Rainha Elizabeth II, na quinta. O encontro, que decidirá sobre a nova taxa básica de juros, ocorrerá no dia 22 de setembro.

Por aqui, a agenda conta com a divulgação do IBC-Br, índice de atividade econômica elaborado pelo Banco Central, relativo a julho, na quinta-feira (15). Dados setoriais contribuirão para análises. Na terça, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentará a Pesquisa Mensal de Serviço, também de julho. Na quarta-feira (14), será a vez da Pesquisa Mensal de Comércio referente ao mesmo período. E na sexta, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) apresentará a sondagem industrial de agosto.

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