A deflação chegou em julho, e não só. A queda de 0,68% foi a maior registrada na série histórica do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde 1980. Há previsões de que agosto trará um novo recuo, mas que em setembro as coisas voltem a ser como antes – com inflação dali para frente.
De antemão o mercado sabe que a queda nos preços em julho foi resultado das medidas adotadas pelo governo -entre elas a queda na tributação de combustíveis. O que está em análise é qual será o nível real de inflação da economia nos próximos meses.
A Petrobras, por exemplo, vem baixando os preços da gasolina e do diesel, acompanhando a desvalorização do petróleo no mercado internacional, tirando a força de um dos principais fatores de pressão inflacionária do primeiro semestre.
Ao mesmo tempo, tudo indica que os juros devem estacionar nos níveis atuais ou em patamares levemente maiores, e permanecerem por ali por um bom tempo.
Mesmo em julho, o mês da deflação histórica, fica evidente que alguns preços da economia ainda estão em tendência de alta. A inflação de alimentos e bebidas, por exemplo, acelerou para 1,30% no período. Foi a mais elevada dentre os grupos pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no mês passado.
A alimentação é um dos itens que mais pesam na cesta de consumo das famílias mais pobres, e a alta contínua nos preços sugere que o poder de compra da população seguirá caindo.
Os efeitos disso já estão se manifestando. Na Pesquisa Mensal do Comércio referente a junho, divulgada na quarta-feira (10), os números mostraram que as vendas no varejo tiveram a maior queda mensal desde dezembro do ano passado.
No setor de serviços, os resultados em junho ainda foram positivos, mais por causa da demanda represada do que pelo contexto econômico. Ainda assim, essa persistência do consumo de serviços – que tende a ser reforçada pelo início do pagamento de R$ 600 do Auxílio Emergencial – pode alimentar a inflação neste setor nos próximos meses.
Veja os destaques da semana da Agência TradeMap.
Nos EUA, dividendos ou renda fixa?
As opções com foco em dividendos passaram a ser alvo de grandes investidores ao longo dos últimos meses. A transição do investimento de empresas de crescimento, que surfaram ao menos uma década de dinheiro fácil e barato, para companhias ditas de valor tem a ver com a crise econômica da qual os Estados Unidos se aproximam e a contração monetária praticada pelo Fed, o banco central americano.
Bancos mantêm crescimento contínuo
A temporada de balanços das instituições financeiras reforçou a tese de solidez dos grandes players do setor. No segundo trimestre deste ano, os quatro grandes bancos listados na Bolsa (desconsiderando BTG Pactual e XP Inc.), somados à Caixa Econômica Federal, atingiram um lucro de R$ 32,89 bilhões. No consolidado do primeiro semestre, o número chega a R$ 62,18 bilhões. Anualizado, o montante deixa para trás os de 2019 e 2021.
Magazine Luiza tem prejuízo pior do que o esperado
O prejuízo líquido ajustado do Magazine Luiza, de R$ 112 milhões no segundo trimestre, veio pior que o esperado pelo mercado. O resultado ocorreu principalmente pelos encargos financeiros. As despesas financeiras cresceram 163% em um ano, para R$ 583,4 milhões. E o pagamento de juros de empréstimos e financiamentos aumentou oito vezes em relação ao mesmo período do ano passado.
Diversificação sustenta resultado da JBS
A JBS reportou resultados sólidos no segundo trimestre deste ano, suportados pela estratégia de diversificação de portfólio e região, apesar da queda de 9,8% do lucro líquido. A companhia teve um desempenho mais fraco no mercado americano, que foi amenizado por melhores resultados no Brasil e na Austrália. Essa diversificação permite que a JBS compense resultados mais fracos causados por adversidades específicas de uma proteína ou região.
Os FIIS que sofrem com a deflação
A desaceleração da inflação, com o IPCA registrando a maior deflação da série histórica em julho, deve reduzir o retorno dos fundos imobiliários de papel. Esses fundos investem, em grande parte, em títulos de dívida imobiliária atrelados a índices de preços como IPCA e IGP-M, como os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários).
Agenda
A exemplo do que ocorreu nesta semana, com a divulgação da ata da reunião do Copom, na próxima quarta-feira (17), será a vez de a versão americana do colegiado apresentar o seu documento.
Na semana antepassada, no dia 27 de julho, o Fomc, comitê de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 2,25% para 2,50%. E, após a realização do encontro, dois indicadores de preços do mercado americano reforçaram a tendência de queda da inflação, o que poderá levar o Fed a afrouxar a política monetária.
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No Brasil, os efeitos do aperto monetário ainda em curso serão avaliados pelo IBC-Br de junho, calculado pelo Banco Central. O indicador serve como sinalização do resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que mede o desempenho oficial da economia. A próxima edição do IBC-Br, que será divulgada na segunda (15), consolidará o resultado do primeiro semestre deste ano.