Magazine Luiza (MGLU3) se apega a marketplace enquanto sofre com juros; veja análise

O Magalu reportou um prejuízo ajustado de R$ 112,1 milhões entre abril e junho deste ano

Foto: Shutterstock

As expectativas para o Magazine Luiza (MGLU3) no segundo trimestre deste ano eram negativas. Com a disparada da taxa de juros e consumo desacelerado da população, os investidores já esperavam um prejuízo por parte da varejista.

O resultado líquido foi ainda pior do que o esperado. O mercado aguardava uma perda entre R$ 90 milhões e R$ 100 milhões, revertendo o lucro do mesmo período de 2021, mas o Magazine Luiza reportou um prejuízo ajustado de R$ 112,1 milhões entre abril e junho deste ano. 

Isso ocorreu por algumas razões em especial, mas principalmente pelos encargos financeiros. A primeira delas diz respeito às despesas financeiras, que cresceram 163% em um ano, para R$ 583,4 milhões.

O principal peso diz respeito ao pagamento de juros de empréstimos e financiamentos, que saiu de R$ 26,7 milhões para R$ 213,7 milhões, número oito vezes maior. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 493,8 milhões.

Com isso, não há Ebitda que aguente. O indicador, que mostra uma aproximação da geração de caixa da empresa, até cresceu em um ano, para R$ 492,1 milhões, num avanço de 8%.

O resultado, inclusive, demonstra certo aumento da eficiência do Magalu, que viu suas margens bruta (+3 pontos percentuais) e Ebitda (+0,1 ponto percentual) crescerem no período, mesmo com as vendas totais tendo apresentado forte desaceleração.

As vendas, que incluem o marketplace, foram de R$ 13,92 bilhões, leve crescimento de 1,3% na comparação anual. O número fica abaixo, inclusive, do primeiro trimestre, que sazonalmente é mais fraco em função da ressaca das vendas do último trimestre do ano anterior.

O desempenho das vendas do período entre julho e setembro deste ano, além disso, também fica abaixo do terceiro e quarto trimestres de 2021, mostrando um aperto na concorrência e menor demanda por parte dos clientes.

Neste contexto turbulento, o ganho de margens é um alento às operações para os próximos trimestres. A empresa de certa forma conseguiu repassar a inflação no período, parcelou mais com juros, protegendo o valor dos recebimentos ao longo do tempo, e teve menores despesas operacionais.

Magazine Luiza anima mercado com desempenho operacional

A visão positiva do mercado gira em torno da geração de caixa da empresa. A varejista, que já havia indicado uma boa gestão do regime de caixa com o avanço anual do Ebitda, surpreendeu com o desempenho operacional neste sentido.

O Magalu apresentou forte geração de caixa operacional, de R$ 1,3 bilhão, entre abril e junho deste ano. Tirando as despesas de capital (também chamado de Capex), a geração foi de aproximadamente R$ 1 bilhão, revertendo a perda de R$ 3,6 bilhões no trimestre imediatamente anterior.

A empresa conseguiu fazer valer a evolução no capital de giro, entendendo que poderia operar com menos estoque (que agora está em um patamar menor do que há 12 meses). Além disso, a companhia aumentou o saldo de fornecedores.

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Em três meses, a empresa elevou sua posição de caixa total em quase R$ 500 milhões, chegando a R$ 9 bilhões – considerando aplicações financeiras e recebíveis de cartão de crédito. 

Embora o montante em disponibilidades esteja abaixo do terceiro e quarto trimestres do ano passado, quando, de fato, mais caixa era necessário para consumo do fim do ano, traz alívio frente aos compromissos financeiros. 

Isso porque o endividamento bruto da companhia teve forte crescimento nos últimos meses, saltando de R$ 2,33 bilhões no segundo trimestre do ano passado para R$ 6,84 bilhões no fim de junho deste ano. 

Aposta total em marketplace parece ser o caminho

Enquanto sofre com as despesas financeiras, o Magazine Luiza se apega ao crescimento do marketplace. Em 12 meses, o total de vendedores na plataforma dobrou, chegando a 200 mil.

O crescimento na comparação trimestral foi de 11,1%. No trimestre anterior, o crescimento na mesma base comparativa havia sido de 12,5%, mostrando uma tendência de desaceleração.

A mesma coisa com as vendas do segmento. O GMV atingiu R$ 3,6 bilhões no segundo trimestre, alta de 22% em comparação ao mesmo período de 2021, mas queda R$ 100 milhões ante o primeiro trimestre deste ano. 

O arrefecimento no crescimento conversa com a desaceleração no crescimento de usuários ativos mensais e clientes ativos, que praticamente ficaram de lado na comparação trimestral. 

Enquanto o 3P segue crescendo, o 1P, que é operacionalizado apenas pelo Magalu, caiu 7% em um ano. Aqui, a operação está altamente exposta a eletroeletrônicos, eletrodomésticos e móveis, ou seja, bens duráveis que deixaram de ser prioridade com a perda do poder de compra com a inflação. 

No fim das contas, o Magalu ainda enfrenta desafios, tanto em termos financeiros como concorrenciais e de crescimento, já que sua tese de múltiplos altos diz respeito ao valor futuro da companhia.

O valor da empresa hoje, contudo, tem sofrido na mão do mercado. No ano, as ações MGLU3 caem mais de 50%. Desde a máxima histórica, atingida em novembro de 2020, a baixa é de 88%.

Por volta das 11h30 desta sexta-feira, as ações da varejista subiam 4,16%, para R$ 3,18, figurando entre as maiores altas da sessão.

Para analistas consultados pela Refinitiv, ainda vale a pena comprar as ações do Magazine Luiza. Dados compilados na plataforma do TradeMap apontam para um preço alvo mediano de R$ 7, mais do que o dobro da cotação atual.

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