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Ibovespa descola do exterior e engata quarta alta consecutiva, ajudado por commodities

Ibovespa descola do exterior e engata quarta alta consecutiva, ajudado por commodities

Principal índice da B3 encerrou o pregão em alta de 0,55%, aos 106.471 pontos, com R$ 20,91 bilhões em volume negociado

Ilustração de gráficos de ações

Foto: Shutterstock

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Na contramão das Bolsas do exterior, pressionadas por dados do mercado de trabalho americano, o Ibovespa engatou sua quarta alta seguida, ajudado pela valorização das commodities e ainda repercutindo a expectativa de fim do ciclo de alta de juros pelo Banco Central.

Com isso, o principal índice da Bolsa brasileira encerrou o pregão em alta de 0,55%, aos 106.471 pontos, com R$ 20,91 bilhões em volume negociado. O saldo da semana é de valorização de 3,21%, enquanto a performance acumulada em 2022 é de avanço de 1,57%.

No pregão, as Bolsas do exterior foram impactadas pela divulgação do payroll nos Estados Unidos. Em Nova York, o S&P 500 teve baixa de 0,16%, o Dow Jones avançou 0,23% e o Nasdaq caiu 0,5%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 teve perdas de 0,78%.

Payroll preocupa mercados internacionais

Nesta manhã, a secretaria de estatísticas trabalhistas dos EUA (BLS) divulgou o relatório de empregos conhecido como payroll, que mostrou que o país criou 528 mil vagas de emprego em julho, o dobro do esperado por analistas de mercado, que acreditavam na criação de 250 mil pontos de trabalho.

A BLS ainda revisou para cima os dados de junho, de 372 mil empregos para 398 mil, e informou que a taxa de desemprego ficou em 3,5% no mês passado, abaixo da expectativa de 3,6%. Já o ganho médio por hora chegou a US$ 32,27, um aumento de 0,5% na comparação com junho e de 5,2% em relação a julho do ano passado.

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Como o Fed tem duplo mandato (combater a inflação e promover o pleno emprego), os dados do payroll são acompanhados com atenção redobrada pelos investidores. Um mercado de trabalho muito ou pouco aquecido pode indicar mais ou menos pressões sobre a inflação, o que pode sinalizar um banco central mais ou menos agressivo com os juros.

Assim, os dados de hoje aumentam a chance de outro aumento de 0,75 ponto na taxa básica do país no próximo encontro, marcado para o final de setembro – antes da divulgação, a maior parte dos analistas esperava uma redução de ritmo, para 0,50 ponto.

Commodities e Copom sustentam o Ibovespa

Por aqui, o mercado seguiu reagindo ao Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que subiu os juros em 0,50 ponto na quarta-feira (3), a 13,75% ao ano, sinalizando a possibilidade de uma alta menor na taxa básica no seu próximo encontro, em setembro.

Apesar de o colegiado ter deixado a porta aberta para seguir com o aumento da Selic, a forma pouco assertiva como o BC comunicou a possibilidade de mais um aperto (no texto que acompanha a decisão, o comitê afirmou apenas que “irá avaliar” um ajuste adicional) fez parte do mercado acreditar que o BC, de fato, não pretende levar a taxa a 14%.

Outro fator que deu impulso ao índice brasileiro nesta sexta foi a valorização das commodities. O petróleo Brent fechou em alta de 0,85%, a US$ 94,92 por barril, enquanto o minério de ferro teve alta de 2,55% na Bolsa de Dalian, a US$ 107,12 por tonelada.

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Como consequência, as ações de petrolíferas, mineradoras e siderúrgicas subiram em bloco. No fechamento, as maiores altas do Ibovespa eram de Braskem (BRKM5), Minerva (BEEF3) e Prio (PRIO3), com ganhos de 3,56%, 3,16% e 3,08%, respectivamente.

A Braskem subiu num movimento de recuperação aos quatro últimos pregões, onde acumulou uma perda de mais de 7%. Ontem, a petroquímica divulgou uma nota afirmando que seus resultados nos próximos trimestres serão prejudicados pela decisão do governo de baixar as tarifas de importação aplicadas a alguns produtos vendidos pela companhia.

Balanços mexem com o mercado

O Bradesco (BBDC4) teve alta mais discreta, de 1,2%. O banco anunciou um lucro líquido de R$ 7 bilhões no segundo trimestre, uma alta de 11,4%, mas apresentou aumento na taxa de inadimplência e decidiu turbinar as reservas para cobrir eventuais calotes, as chamadas provisões para devedores duvidosos (PDDs).

Fora do Ibovespa, a Tenda (TEND3) disparou 31,56%, mesmo depois de a companhia registrar um prejuízo líquido de R$ 114,4 milhões no segundo trimestre, contra lucro de R$ 33,8 milhões no mesmo período de 2021. A empresa registrou piora em seus principais indicadores, e argumentou que isso ocorreu por causa do andamento mais lento das obras e do volume menor de repasses de clientes para o financiamento bancário no período.

Também fora do Ibovespa, a Oi (OIBR3) saltou 12,73%, depois de o juiz responsável pelo caso de recuperação judicial da companhia autorizar a abertura do processo de venda de parte dos ativos de sua operação fixa.

Outra alta importante entre as ações que não compõem o índice foi de Tupy (TUPY3), de 6,33%. A companhia registrou lucro líquido de R$ 181,7 milhões no segundo trimestre, alta de 477,3% na comparação anual.

Na ponta oposta do índice, as ações que mais caíram foram de Alpargatas (ALPA4), Americanas (AMER3) e Fleury (FLRY3), com recuos de 13,54%, 7,83% e 6,65%, nesta ordem.

A Alpargatas (ALPA4) viu o seu lucro líquido consolidado do segundo trimestre cair 47,40% na base anual, para R$ 63,8 milhões. Segundo a companhia, a base de comparação não é recorrente devido à aquisição de 49,9% da Rothy’s, marca americana de calçados e acessórios, anunciada em 2021.

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Já a queda nas ações do Fleury pareceu ignorar os resultados do segundo trimestre, que mostraram alta de 7,6% no lucro, para R$ 70,5 milhões. O crescimento foi motivado pelas aquisições, somadas a um aumento nas vendas dos serviços prestados pela companhia, compensando o forte aumento das despesas com operações financeiras.

Outra queda significativa foi de Hapvida (HAPV3), de 2,27%. A expectativa do mercado é que a companhia seja a maior prejudicada pela PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que delimita um piso salarial para profissionais de enfermagem, sancionada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro.

A Lojas Renner (LREN3), por sua vez, fechou em baixa de 2,76%, mesmo após registrar números positivos no segundo trimestre, impulsionados pelo fim das restrições à mobilidade e o retorno de eventos sociais, pelas ondas de frio e por datas comemorativas. O lucro líquido da companhia avançou 87% na comparação anual, para R$ 360 milhões, superando o patamar pré-pandemia em 56%.

De acordo com o CEO da varejista, Fabio Faccio, em comentários durante a teleconferência com analistas, as vendas devem desacelerar nos próximos meses, voltando a patamares similares aos registrados no primeiro trimestre do ano.

Criptomoedas

A semana foi de fortes emoções para os investidores criptos com pressões internas e do cenário macroeconômico. Na ponta negativa, a divulgação de um ataque hacker a pontes de uma blockchain da Ethereum (ETH), que deixou um prejuízo estimado em US$ 190 milhões, não teve grande impacto nos ativos.

Da mesma forma que a notícia de que a BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, firmou uma parceria com a Coinbase para dar acesso a criptomoedas aos investidores também não gerou o ânimo esperado por parte dos analistas.

Por último, nesta sexta dados da economia americana contrariando as expectativas também surtiram pouco efeito nas cotações.

Diante dessas pressões, o Bitcoin (BTC) se manteve na faixa de US$ 23 mil, mas caminha para fechar a primeira semana de agosto no campo negativo.

Por volta das 16h50, a maior cripto do mercado tinha alta de 0,7%, negociada a US$ 22.812. Na semana, a queda é de 3,5%, conforme dados da plataforma TradeMap.

Comportamento semelhante foi visto no ETH, que na mesma hora tinha variação positiva de 0,8%, cotado a US$ 1.674. Na semana, a segunda maior cripto do mercado registra recuo de 1,1%.

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