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Emprego cresce nos EUA e dá susto nas bolsas por receio de juros ainda maiores no país; entenda

Emprego cresce nos EUA e dá susto nas bolsas por receio de juros ainda maiores no país; entenda

Dado positivo sobre emprego enfraqueceu a tese de que juros nos EUA vão subir mais devagar para evitar recessão econômica

dados com setas para cima e para baixo e símbolo de porcentual sobre uma nota de dólar

Foto: Shutterstock

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A criação de empregos nos Estados Unidos superou em muito a expectativa do mercado e provocou um choque nas previsões para os juros do país. Agora, os investidores veem uma probabilidade maior de as taxas por lá subirem mais rápido – o que pesa sobre os mercados de ações.

Os Estados Unidos criaram 528 mil empregos em julho, segundo dados do governo do país, conhecidos como payroll. O número é mais que o dobro do previsto por especialistas. Além disso, houve revisão no número de empregos criados em junho, que saiu de 372 mil para 398 mil (leia mais aqui).

Os dados mostraram ainda que a taxa de desemprego nos Estados Unidos foi de 3,5% no mês passado – ante previsão de 3,6% -, enquanto o valor do salário por hora aumentou 5,2% – também melhor que o esperado.

Foi a terceira vez seguida que a criação de vagas nos EUA superou as previsões do mercado. Os números também revelam que todos os empregos perdidos na economia americana durante a pandemia foram recuperados.

Todas as notícias são em tese positivas, principalmente porque a economia americana encolheu na primeira metade de 2022. Com mais pessoas trabalhando e mais renda circulando, o consumo tende a crescer e reverter o quadro negativo.

Para o mercado financeiro, no entanto, os dados têm um viés negativo, pelo lado da inflação.

Por que as bolsas americanas caem após o payroll?

Boa parte dos investidores acreditava que, com o fraco desempenho da economia dos Estados Unidos no primeiro semestre, a inflação poderia desacelerar. Consequentemente, o Fed (Federal Reserve, o banco central do país) ficaria mais inclinado a diminuir o ritmo de alta dos juros para evitar uma recessão.

Os dados sobre o mercado de trabalho jogam um balde de água fria nessa expectativa. Como a tendência é de aumento no consumo, a inflação deve desacelerar mais devagar, o que tende a manter o ritmo intenso de alta nos juros, na tentativa do Fed de coibir a alta dos preços.

“A queda nos preços da gasolina deve aumentar o poder de compra dos consumidores, levando a uma recuperação no crescimento do PIB do terceiro trimestre de 3% ou mais”, disse James Knightley, economista-chefe internacional do banco ING, em relatório.

“Com a previsão de que o índice de preços ao consumidor, que sairá na semana que vem, vá mostrar o núcleo da inflação passando de 6% ao ano, o mercado está se inclinando para mais um aumento de 0,75 ponto porcentual nos juros”, acrescentou.

Mercado ajusta previsões para os juros

Os investidores já começaram a incorporar esse cenário nos preços. Segundo dados do CME Group extraídos de negócios com contratos de juros futuros, os ativos passaram a deixar implícita uma chance de 71% de os juros americanos subirem 0,75 ponto porcentual na próxima reunião do Fed, em setembro. Ontem, essa taxa estava em 34%.

Além disso, após a divulgação dos dados sobre emprego nos Estados Unidos, a aposta majoritária do mercado passou a ser de um aumento de pelo menos 1,5 ponto porcentual nos juros americanos até o fim do ano. Ontem, esse cenário tinha uma probabilidade de apenas 33%.

Leia mais:
Fed eleva juros americanos em 0,75 ponto, para a faixa de 2,25% a 2,50% ao ano

Juros maiores são duplamente negativos para os preços das ações. Primeiro porque resultam num aumento de custos das empresas, diminuindo a rentabilidade. Depois porque podem fazer investidores saírem da renda variável em busca de retornos menos voláteis na renda fixa.

Um olhar mais atento aos dados de emprego

Logo após a divulgação dos números sobre o emprego dos Estados Unidos, o contrato futuro do S&P 500, um dos principais índices acionários do país, passou a cair mais de 1%. Antes dos dados, o índice operava quase estável. Por volta das 12h30, o índice registrava queda menos intensa, de 0,82%.

Na Europa, o Stoxx 50, índice que reúne as principais empresas da região, também aprofundou as perdas observadas mais cedo em reação aos dados de emprego americano, mas se recuperou parcialmente e, por volta das 12h30, caía 0,62%.

O que explica o alívio parcial do mercado são as letras miúdas do relatório sobre emprego.

A queda na taxa de desemprego, por exemplo, foi beneficiada pela segunda redução consecutiva no número de pessoas que fazem parte da força de trabalho americana.

O baixo número de pessoas dispostas a trabalhar é um fator que pode limitar as contratações nos próximos meses, segundo a equipe de análise econômica do banco Toronto-Dominion, um dos maiores do Canadá. “A falta de oferta de mão de obra logo vai se tornar uma barreira às contratações”, disse o economista Thomas Feltmate.

O crescimento no número de horas trabalhadas. acompanhado de queda na produtividade. é outro elemento que pode indicar fraqueza no mercado à frente. “As horas trabalhadas e o número de trabalhadores continuam subindo, mas a produtividade está ruim. Isso em geral não termina bem, então é preciso ficar em guarda para a possibilidade real de os empregos serem atingidos”, afirmou o economista Derek Holt, do Scotiabank, em relatório a clientes.

Além disso, outro indicador sobre a criação de emprego nos Estados Unidos publicado hoje, mas baseado em uma amostra de dados menor (e por isso menos acompanhado), apontou que em julho foram abertas 179 mil vagas  – número mais condizente com outros que mostram um mercado de trabalho menos aquecido, segundo o Wells Fargo.

Por último, investidores já vinham se ajustando à possibilidade de juros mais altos depois de algumas autoridades do Fed deixarem claro que as taxas poderiam continuar subindo rapidamente se a inflação exigisse isso.

“A situação que o Fed enfrenta agora é mais cheia de nuances”, disseram a economista-chefe do Wells Fargo, Sarah House, e o economista Michael Pugliese, em relatório.

Segundo eles, o ideal para o banco central americano seria o crescimento do emprego desacelerar o suficiente para evitar que a economia dos Estados Unidos passe por uma recessão muito forte, e criar meio milhão de empregos por mês “claramente não é um ritmo sustentável”.

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