A primeira leitura do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos no segundo trimestre mostrou que a maior economia do mundo, após recuar 1,6% entre janeiro e março, tombou mais 0,9% entre abril e junho. O mercado esperava uma expansão. Uma má notícia?
Sim e não. Para os mercados, o número reforça a chance de o Federal Reserve, banco central do país, frear o ritmo agressivo de aumento nos juros americanos, atualmente em 0,75 ponto percentual. Nesse cenário, há um risco menor de a economia dos EUA – e a do mundo, diga-se de passagem – entrar em um declínio ainda mais prolongado.
Em tese, um tombo da atividade por dois trimestres consecutivos já seria razão para se caracterizar uma recessão. Entretanto, parte dos economistas refutam essa possibilidade pelo forte aquecimento do mercado de trabalho americano, e acreditam em uma retomada forte da economia dos EUA no terceiro trimestre.
Isso seria possível principalmente se o Federal Reserve reduzisse o ritmo de aumentos da taxa básica americana, que nesta quarta-feira (28) foi elevada em 0,75 ponto, para o intervalo entre 2,25% e 2,50% ao ano.
De acordo com o BEA, escritório oficial de estatísticas americano, no segundo trimestre o consumo cresceu 1%, abaixo do esperado pelo mercado. “Essa redução no consumo não deixa de ser desejada pelo Federal Reserve”, aponta a economista Claudia Rodrigues, do C6 Bank. “Um PIB mais fraco pode desacelerar o ritmo de aumento dos juros, já que que o Fed sinalizou ontem que próximos aumentos dependerão de dados.”
É a mesma avaliação de Marcelo Oliveira, da Quantzed. Segundo ele, após a divulgação do dado, o mercado americano realizou um movimento de recompra de ações de tecnologia.
Estes papéis foram os que mais sofreram com os aumentos de juros porque as empresas do setor tendem a precisar de mais capital para crescer e a ter uma rentabilidade menos vantajosa ao investidor quando se mede a relação entre os dividendos e o preço da ação.
Se os juros aumentam, o capital fica mais caro – e afeta o crescimento destas companhias – e a rentabilidade da renda fixa cresce, criando uma alternativa considerada mais segura aos investimento no setor de tecnologia.
“Com medo de recessão e de PIB negativo, o Fed não deve subir tanto os juros. Por isso vemos o dólar se fortalecendo e a bolsa realizando lucro”, avaliou. “Para o mercado é positivo, pois mostra que o Fed não precisa elevar tanto os juros, que é o grande temor.”
Ontem, o Federal Reserve reforçou que está focado no combate à inflação e elevou os juros conforme o mercado esperava. Ao mesmo tempo, o presidente do Fed, Jerome Powell, deixou no ar a chance de reduzir o ritmo de aumentos nos próximos encontros, o que impulsionou as bolsas americanas.
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Por volta das 13h57, o Dow Jones subia 0,73%, o S&P 500 estava em alta de 0,75% e o Nasdaq ganhava 0,40%. No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,53% e o dólar caía 0,88%, a R$ 5,20.
PIB ainda passa por duas revisões
O indicador trimestral do PIB americano é divulgado uma vez e depois passa por duas revisões, com ajustes feitos a partir de dados mais completos que vão sendo disponibilizados.
Ou seja, no total, são três leituras do comportamento da atividade econômica na maior economia do mundo para cada trimestre.