Goldman Sachs elege as ações de varejo preferidas para o período pós-eleição – confira

Ações de consumo básico, como Assaí (ASAI3) e Carrefour (CRFB), devem se beneficiar com programas de aumento de renda e Copa do Mundo

Foto: Shutterstock/Dennis Diatel

Passado o segundo turno das eleições, o Goldman Sachs vê as ações de consumo e de varejo entre as mais beneficiadas pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diante da expectativa de medidas focadas no aumento da renda e de um potencial programa de reestruturação da dívida do consumidor.

Embora as perspectivas para o crescimento econômico em 2023 sejam mais negativas, com a média dos analistas apontando para um avanço do PIB de apenas 0,64% ano que vem segundo o último Boletim Focus, a desaceleração da inflação e a expectativa de corte de juros a partir do segundo trimestre de 2023 devem dar alívio para a renda das famílias, o que pode ajudar o consumo, apontou o banco, em relatório divulgado nesta segunda-feira (31).

Durante a campanha, Lula prometeu manter os programas de transferência de renda, como o Bolsa Auxílio, e disse que irá conceder um reajuste do salário mínima acima da inflação.

Sobre a proposta do programa de refinanciamento de dívida, a ideia é criar um fundo de garantia patrocinado pelo governo. O objetivo seria diminuir o risco desses empréstimos pendentes, permitindo assim que os bancos reestruturem a dívida a taxas mais baixas e prazos mais longos, apontou o Goldman.

De acordo com dados do Banco Central de agosto, o comprometimento da renda das famílias com dívidas, excluindo o crédito imobiliário, era de 34%.

Empresas de alimentos são beneficiadas por programas de renda e Copa

No curto prazo, o banco espera que as empresas de varejo alimentar, como Assaí (ASAI3) e Carrefour (CRFB3) continuem a se beneficiar de uma perspectiva de demanda de curto prazo relativamente forte, com o aumento do Auxílio Brasil para R$ 600 e a Copa do Mundo.

Ambas as varejistas também podem se beneficiar da maior exposição ao Nordeste, região que deve receber volume maior de recursos dos programas sociais e que representa 28% das bases de lojas do Assaí e do Carrefour.

Além disso, as companhias podem colher os frutos de um esperado aumento de vendas no quarto trimestre em função da Copa do Mundo.

O Goldman prevê um crescimento do lucro por ação de 2022 a 2024 de 60% para o Assaí e de 53%, do Carrefour.

O banco tem recomendação de compra para as ações e está com preço-alvo de R$ 24 para os papéis do Assaí nos próximos 12 meses e de R$ 25,1 para o Carrefour, o que indica potenciais de alta em torno de 29% e 23% respectivamente, em relação às cotações atuais.

Grupo SBF (ex-Centauro) deve ser beneficiado pela Copa

O grupo SBF (SBFG3), que controla a rede de lojas Centauro, também tende a se beneficiar de demanda adicional por produtos relacionados à Copa do Mundo, aponta o Goldman.

O banco projeta um crescimento anual de 19% da receita da empresa no quarto trimestre e prevê um preço-alvo de R$ 32 para o papel nos próximos 12 meses, potencial de valorização da ordem de 72%. A recomendação para SBFG3 também equivale à compra.

Para outras varejistas, especialmente com vendas concentradas em shopping centers, o evento da Copa pode ser negativo, ao reduzir o tráfego de consumidores nas lojas.

A exceção fica com varejistas como Magalu (MGLU3) e Via (VIIA3), que devem se beneficiar do aumento da venda de TVs durante o evento.

Contudo, para 2023, essas varejistas mais voltadas para bens de consumo duráveis estão mais expostas a uma desaceleração do crescimento do PIB. O Goldman Sachs tem recomendação de compra para as ações de Magalu e de venda para as da Via.

Queda de juros deve beneficiar varejistas

A queda esperada da taxa Selic em 2023, por sua vez, deve beneficiar principalmente varejistas como Natura (NTCO3), Magalu e Americanas (AMER3), devendo contribuir para uma redução das despesas financeiras, aponta o Goldman.

O banco está com preço-alvo de R$ 5,2 para as ações da Magalu para os próximos 12 meses, o que implica um potencial de alta de aproximadamente 16% em relação à cotação atual. No caso de Natura e Americanas, o Goldman tem recomendação neutra.

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