Alex Saab, aliado de Maduro, se declara culpado de lavagem de dinheiro
Um aliado próximo do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro se declarou culpado nesta terça-feira, 15, de uma única acusação de lavagem de dinheiro ligada a uma suposta conspiração de suborno para obter contratos governamentais lucrativos no país sul-americano.
Como parte do acordo judicial, Alex Saab concordou em cooperar com as investigações federais em andamento e em entregar US$ 195 milhões em rendimentos ilícitos provenientes do esquema de corrupção.
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Saab, de 54 anos, foi deportado em maio pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para os Estados Unidos, que vêm investigando há mais de uma década o empresário nascido na Colômbia.
O crime de lavagem de dinheiro prevê pena máxima de 20 anos, mas os promotores concordaram em recomendar uma sentença na faixa mínima do intervalo recomendado e buscar reduções adicionais caso sua cooperação, inclusive contra quatro co-réus não identificados, se mostre valiosa.
Saab já havia sido acusado durante o primeiro governo Trump, em 2019, e depois preso durante uma escala para reabastecimento em Cabo Verde, no que o governo venezuelano descreveu como uma missão humanitária de alto nível ao Irã.
Nesta terça-feira, Saab disse à juíza Kathleen Williams que toma diariamente o antidepressivo Zoloft e outros medicamentos para o que descreveu como “transtorno de estresse pós-traumático” após sua prisão em 2020.
O presidente Joe Biden concedeu o perdão a Saab em 2023 em troca da libertação de vários americanos presos na Venezuela.
O acordo, parte de uma tentativa fracassada da Casa Branca de Biden de convencer Maduro a realizar uma eleição presidencial livre, foi duramente criticado pelos republicanos e por autoridades federais responsáveis pela aplicação da lei, que imediatamente começaram a investigar Saab por outros supostos crimes não abrangidos pelo perdão, cujo escopo era restrito.
“Homem do dinheiro”
Autoridades americanas há muito descrevem Saab como o “homem do dinheiro” de Maduro e poderiam pedir que ele testemunhasse a favor do ex-presidente, que aguarda julgamento por acusações relacionadas a drogas em Manhattan após ter sido capturado em uma operação das Forças Armadas dos EUA em janeiro.
O novo processo judicial dos EUA contra Saab e Maduro ocorre no momento em que o governo Trump reformula as relações com a Venezuela, concentrando sua atenção na exploração das vastas reservas de petróleo do país.
Neste mês, Trump anunciou uma parceria com o empresário petrolífero venezuelano Alejandro Betancourt, na qual o governo dos EUA obterá uma participação acionária e acesso a remessas de petróleo bruto a preço de custo provenientes de campos petrolíferos com potencial para produzir 65 bilhões de barris.
Saab era pouco conhecido até mesmo na Venezuela até depois de sua primeira prisão, em 2020, quando o governo de Maduro investiu enormes recursos para mobilizar apoio público à sua libertação.
Rodríguez, que na época ocupava o cargo de vice-presidente de Maduro, ajudou a organizar uma campanha internacional na qual se referiu a Saab como um “diplomata venezuelano inocente” que havia sido ilegalmente “sequestrado” pelos EUA.
Mas, após a prisão de Maduro, Rodríguez se distanciou de Saab, demitindo-o de seu gabinete e destituindo-o de sua função como principal canal para empresas estrangeiras interessadas em investir na Venezuela.
Saab acumulou uma fortuna por meio de contratos com o governo venezuelano, mas tornou-se ainda mais valioso para Maduro à medida que as sanções dos EUA forçaram a Venezuela a realizar grande parte de suas vendas de petróleo e do comércio exterior fora das instituições financeiras ocidentais.
A nova acusação imputa a Saab e outros a criação de uma rede de empresas para subornar altos funcionários venezuelanos que controlavam contratos do chamado programa CLAP, criado por Maduro para fornecer alimentos básicos – arroz, farinha de milho, óleo de cozinha – aos venezuelanos pobres em um momento de hiperinflação galopante e moeda em colapso.
Como parte da suposta conspiração, Saab ajudou a criar empresas falsas, falsificar registros de embarque e desviar recursos de contratos governamentais para importar alimentos da Colômbia e do México. Os conspiradores também tiveram acesso a bilhões de dólares provenientes das vendas de petróleo da empresa estatal PDVSA, de acordo com a denúncia criminal.
*Com informações da agência Associated Press (AP).
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- Estadão15/09/2026, 16:26Alex Saab, aliado de Maduro, se declara culpado de lavagem de dinheiro em tribunal dos EUA





















