J.P.Morgan vê PagSeguro pressionada por concorrência e corta projeção de lucro
O JPMorgan reduziu o preço-alvo da PagSeguro (PAGS) para dezembro de 2027 a US$ 10 por ação, ante os US$ 12 estipulados anteriormente para dezembro de 2026. O banco manteve a recomendação neutra para o papel da companhia, que batiza sua marca de conta digital e maquininhas de cartão de PagBank, mesmo após revisar as projeções de lucro para os próximos dois anos na sequência da divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026.A revisão reflete um cenário de concorrência mais acirrada entre as adquirentes brasileiras, o que pressiona as taxas cobradas por transação, segundo o relatório assinado pelo JPMorgan em 11 de setembro. O banco também passou a projetar uma Selic mais alta a partir do próximo ano, em torno de 14%, ante os 12,5% considerados antes. A mudança reduz o ganho esperado com despesas financeiras, item que vinha favorecendo o resultado da companhia.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.Para 2026, o JP Morgan cortou em 2% a estimativa de lucro líquido recorrente, para R$ 2,23 bilhões, alta de 6% sobre 2025. Para 2027, o corte foi de 8%, a R$ 2,28 bilhões, crescimento de apenas 2%, ano a ano. O lucro por ação ajustado esperado para 2026 subiu, no entanto, de R$ 7,54 para R$ 8,11, avanço de 7,6%, puxado pela recompra de ações que reduziu o número de papéis em circulação.Nas projeções trimestrais, o banco espera receita líquida de R$ 5,10 bilhões no terceiro trimestre de 2026 e R$ 5,28 bilhões no quarto, ante R$ 5,00 bilhões e R$ 5,08 bilhões nos dois primeiros trimestres do ano, já realizados. Para o ano cheio, a receita líquida projetada é de R$ 20,47 bilhões, patamar próximo aos R$ 20,41 bilhões registrados em 2025, segundo o relatório do JPMorgan.Leia também: Dona da InfinitePay aposta em cartão e agente de IA para crescer além das maquininhasMudança no boardA revisão do banco ocorre poucas semanas depois de uma mudança na cúpula de PagSeguro. Luis Frias, fundador da companhia, deixou a presidência do conselho de administração em 21 de agosto, após nove anos no cargo, mas segue como controlador indireto da empresa. O conselho elevou Maria Judith de Brito à presidência do colegiado e reconduziu Eduardo Alcaro à vice-presidência, em um movimento que a companhia descreveu como reforço de governança sem alteração no bloco de controle.O JPMorgan descreve PagSeguro como a provedora mais conhecida de maquininhas POS (point of sale, ou ponto de venda) de baixo custo do Brasil, posição que permitiu à empresa ganhar mercado rapidamente nos primeiros anos de operação. Leia também: C6 Bank compra a Alymente e estreia em mercado de benefícios de R$ 150 bilhõesO banco também vê risco de execução na venda cruzada de crédito aos lojistas, uma das principais frentes de crescimento da companhia daqui para frente, embora considere que a ação não está com preço exigente.O preço-alvo de US$ 10 vem de um modelo de renda residual em dois estágios, que calcula o retorno excedente da empresa (a diferença entre o retorno sobre patrimônio esperado e o custo de capital, multiplicada pelo patrimônio líquido médio) ao longo de 10 anos, entre 2027 e 2036, mais um período terminal a partir de 2037. Esse fluxo é trazido a valor presente pelo custo de capital próprio estimado da companhia.Entre os riscos para a recomendação, o banco cita uma Selic mais alta do que a projetada, o que elevaria os custos de captação, e a desaceleração do volume total de pagamentos processado, batizado de TPV (total payment volume), por menor apetite de crédito dos bancos e pela concorrência do Pix, sistema instantâneo de pagamentos. O JPMorgan também menciona o acirramento da disputa entre adquirentes e um possível desalinhamento entre acionistas minoritários e o bloco de controle como fatores que podem pressionar o papel.Procurada pela reportagem, a companhia não respondeu de imediato ao pedido de comentário sobre o relatório nem sobre o motivo da saída do chairman do conselho.Leia também: Stripe e Advent fazem oferta de mais de US$ 53 bilhões pelo PayPal, diz agência


















