Lincoln Oliveira, dono da Stock Car, quer um circuito de drift
O Grupo Veloci, controlador da Stock Car, está de olho em uma nova categoria: o drift, modalidade em que os pilotos derrapam os carros de forma controlada em um duelo de controle dos veículos – e que ganhou os holofotes nas últimas semanas após o cantor Fiuk, filho de Fábio Júnior, revelar seus esforços na produção de um longa sobre a modalidade.
“É uma categoria nova que nós estamos para fazer aquisição”, revelou Lincoln Oliveira, CEO do Grupo Veloci, em entrevista ao InfoMoney Entrevista. Sem abrir detalhes, confirmou apenas que “as negociações estão bem avançadas”.
O interesse do Grupo Veloci surge em um momento de crescimento da modalidade no país. O Campeonato Brasileiro de Drift (Ultimate Drift), organizado pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), passou por um processo de profissionalização nos últimos anos e hoje atrai milhares de espectadores por etapa. Em Balneário Camboriú (SC), por exemplo, uma prova realizada em 2024 reuniu mais de 5 mil pessoas presencialmente, segundo a entidade. Além disso, a categoria também tem ampliado sua exposição fora das pistas. Em 2025, o Ultimate Drift, fechou acordo de transmissão com a MAVTV Brasil, canal especializado em esportes a motor.
O executivo conta que conheceu o drift recentemente, num evento dentro de um estádio, com mais de 20 mil pessoas assistindo, e ficou surpreso. “Fui assistir pela primeira vez e realmente pensei: ‘Poxa, isso aqui é muito legal’.”
O que chamou a atenção de Oliveira foi a dinâmica diferenciada do drift em relação às corridas tradicionais. “É um evento de motorsport que se assemelha muito ao futebol. As pessoas torcem pelos personagens que estão batalhando no circuito. Você vê aquela paixão, como no futebol. Vi as pessoas gritando o nome dos pilotos”, contou.
Na leitura de Oliveira, o valor do drift está no poder de se comunicar com fãs, sobretudo os mais jovens. “O mundo mudou. O jovem não quer ficar na frente de uma televisão. Ele quer ficar com uma tela na mão. A informação migrou é isso que nós estamos fazendo, para atendermos todos os públicos”, avaliou.
A aposta do grupo acompanha uma tendência observada internacionalmente, sobretudo nos Estados Unidos. Por lá, a Formula DRIFT, principal categoria profissional da modalidade, transformou uma modalidade que era ligada à cultura automotiva japonesa em um campeonato nacional com etapas em diferentes estados e público acumulado superior a 100 mil espectadores por temporada, segundo dados divulgados pela própria organização.
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Outro diferencial da modalidade defendido pelo executivo é a democratização física. Enquanto um piloto de corrida convencional precisa de ter um determinado biotipo e preparo físico, no drift o cenário é outro. “Não importa se o piloto tem 60 quilos ou 120. Ele entra no carro e pode fazer o drift de forma impecável”, disse Oliveira.
O CEO citou a piloto Valentina Piaz, de 17 anos, como exemplo do potencial da modalidade. “Ela corre no Brasil, no exterior, é um fenômeno. Concorre com pilotos de 30 anos de idade de igual para igual”.
A aquisição da categoria de drift faz parte da estratégia de expansão do Grupo Veloci, que já comprou nos últimos anos a Turismo Nacional, a Fórmula 4 Brasil e o controle da TCR Sul-Americana.


















