Alívio nos juros favorece Assaí (ASAI3), enquanto Direcional (DIRR3) amarga a pior queda do Ibovespa. O que aconteceu?
Mais pregões com motivos para sorrir no Ibovespa. O principal índice de ações da bolsa brasileira engatou a terceira semana de alta e acumulou valorização de 1,11% entre segunda (7) e sexta-feira (11). O bom humor aparece em meio à proximidade das eleições e pesquisas eleitorais mais acirradas no segundo turno, além de ajustes de posições para as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos nos próximos dias.
Quem se destacou nessa semana foi o Assaí (ASAI3). A ação do atacarejo valorizou 8,15% nos últimos dias como reflexo do alívio dos juros futuros e com os efeitos do "trade eleitoral".
Já na ponta negativa, a pior queda foi da Direcional (DIRR3), com corte de preço-alvo de um banco de investimentos de peso.
As ações que brilharam na semana
Na próxima quarta-feira (16), os diretores do Banco Central devem optar por mais um corte de 0,25 p.p. na taxa Selic, de acordo com as expectativas dos agentes financeiros.
Com isso, os juros devem cair para 13,75% ao ano.
Alguns bancos e casas de análise projetam mais cortes neste ano, com algumas projeções apontando para 13,25% de taxa terminal.
Além disso, com as pesquisas recentes apontando para um empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno, o mercado passou a considerar uma possível alternância de poder.
Todas essas mudanças estão sendo precificadas na curva de juros futuros, que favoreceu os papéis do Assaí nesta semana. Para se ter ideia, só na quinta-feira (10), a ação chegou a subir 7,17%.
Logo depois de ASAI3, as ações que mais subiram foram a Prio (PRIO3), com alta de 6,65% na semana, e as ações ordinárias da Petrobras (PETR3), com valorização acumulada de 4,83%.
Veja a lista:
E as quedas?
Apesar de ter sido uma semana positiva para o índice, alguns papéis amargaram quedas que ultrapassaram 8% nos últimos dias. Este foi o caso da Direcional (DIRR3), que desvalorizou 8,64%.
Nesta semana, o JP Morgan publicou uma revisão de tese para as incorporadoras em meio ao cenário eleitoral.
"Embora uma mudança de governo pudesse favorecer o sentimento do mercado em relação aos segmentos de média e alta renda, não acreditamos que uma nova administração tomaria medidas para prejudicar o Minha Casa, Minha Vida, mesmo que esperássemos atualizações menos frequentes do que as observadas na gestão atual”, disseram.
Mantendo a premissa de que não haverá mudança na presidência, o JP Morgan reforça a recomendação de compra para Direcional, Tenda (TEND3) e Cury (CURY3).
Porém, os analistas cortaram o preço-alvo da ação DIRR3 de R$ 19 para R$ 17,50 em dezembro de 2027.
Quem aparece logo atrás nas quedas é a Hapvida (HAPV3), com desvalorização de 7,3%, seguida da Tenda (TEND3), que caiu 7,28%.
Confira:
O que movimentou os mercados?
A corrida eleitoral continua a agitar o mercado brasileiro. As pesquisas dessa semana apontaram o senador Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Lula, mas ainda empatados tecnicamente, em um eventual segundo turno.
Isso levou os investidores a reforçarem a aposta em uma troca de governo em 2027.
De modo geral, Lula é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.
Já na sexta-feira (11), o Caso Master ganhou novos desdobramentos após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, dar 24 horas para que o ministro André Mendonça retirasse o sigilo de todos os documentos das investigações.
A medida gerou o receio sobre mais informações sobre o escândalo envolvendo o filme Dark Horse e o senador Flávio Bolsonaro.
Entre os dados, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou no comparativo mensal.
A inflação oficial do Brasil recuou 0,32% em agosto, depois de um avanço de 0,07% em julho. A deflação foi maior do que a esperada pelo mercado.
No acumulado dos 12 meses, a inflação subiu 4,22% — dentro do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Os números lá fora
Nos Estados Unidos, novos dados de inflação reforçaram as apostas de juros elevados por mais tempo na maior economia do mundo.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos avançou 0,4% no mês de agosto.
Para comparação, em julho, o índice havia subido 0,1%. Já o núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3%, acima da projeção de 0,2%.
Isso levou o mercado a aumentar as apostas de uma alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) na próxima decisão, que também acontece na próxima quarta-feira.
*Com informações de Money Times
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