Irã deve anunciar solução temporária para Ormuz a países do Golfo na segunda-feira
O Irã planeja anunciar formalmente na próxima segunda-feira um acordo para criar uma rota marítima temporária pelo Estreito de Ormuz, após uma intensa movimentação diplomática que incluiu uma rara reunião entre o alto escalão de Teerã e Abu Dhabi.A República Islâmica deve apresentar aos países do Golfo o acordo firmado com Omã para estabelecer uma nova rota marítima temporária, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.As negociações sobre detalhes como as tarifas que poderão ser cobradas dos navios continuarão posteriormente entre os dois países, disse a pessoa, sob condição de anonimato por se tratar de deliberações privadas.As conversas entre Teerã e Mascate sobre a via marítima, um gargalo estratégico para as exportações globais de insumos de energia, avançaram nas últimas semanas. Omã vinha tentando reunir na segunda-feira os ministros das Relações Exteriores dos países do Conselho de Cooperação do Golfo em Salala, cidade no sul do país.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed Al Nahyan, reuniu-se com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, em uma rara conversa pública entre as duas potências à margem da cúpula do BRICS, na Índia.Teerã indicou que o acordo não representará uma reabertura total do estreito e que continuará decidindo quais navios poderão atravessá-lo. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, descreveu a reunião proposta como um "evento importante" e um passo para a construção de confiança, em entrevista ao Al Araby Al Jadid.Leia também: Trump diz que poderia resolver disputa entre Reino Unido e Argentina pelas MalvinasNão está claro quais países participariam do suposto encontro. O Bahrein descartou sua participação, alegando os recentes ataques apoiados pelo Irã contra instalações no Golfo. Além disso, a intensificação dos combates entre forças apoiadas pela Arábia Saudita e os houthis, grupo baseado no vizinho Iêmen e apoiado pelo Irã, também pode complicar os planos.Sheikh Khaled e Pezeshkian destacaram a necessidade de reduzir as tensões, promover a redução da escalada e fortalecer a estabilidade regional, segundo a agência estatal de notícias dos Emirados Árabes Unidos, a WAM.Pezeshkian tem adotado posições “equilibradas e racionais” ao longo da crise prolongada, afirmou Anwar Gargash, assessor do presidente dos Emirados Árabes Unidos, em uma publicação na rede X.O conflito, iniciado no fim de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica, desorganizou as economias da região, enquanto Teerã avançava para fechar o Estreito de Ormuz.Os Estados Unidos e o Irã trocaram ataques contra petroleiros no Golfo Pérsico no início deste mês. As tensões voltaram a crescer no estreito durante o fim de semana. A UK Maritime Trade Operations informou no domingo (13) que um incêndio começou em um navio atingido por um projétil no dia anterior.A emissora estatal iraniana informou que um “ataque inimigo” atingiu uma embarcação comercial ao largo das ilhas iranianas de Qeshm e Hengam e matou uma pessoa.As ações da Saudi Aramco caíram quase 1,1% no domingo, para o menor nível desde março, depois que o reino fechou seu oleoduto East-West, uma importante alternativa ao Estreito de Ormuz para as exportações de petróleo do país. A medida ocorreu após ataques de drones realizados por militantes baseados no Iraque.Os Emirados Árabes Unidos foram um dos principais alvos do conflito e conseguiram interceptar milhares de projéteis disparados pelo Irã.O país do Golfo adotou uma postura dura em relação a Teerã durante a guerra, e Abu Dhabi rompeu formalmente os laços econômicos com o Irã em agosto. Ao mesmo tempo, os Emirados Árabes Unidos defenderam uma solução política.No mês passado, Gargash disse que o “estado de nem guerra nem paz” era insustentável e pediu uma solução que restabelecesse a navegação normal pelo estreito.A reunião na Índia reflete a estratégia dos Emirados Árabes Unidos de combinar dissuasão e diplomacia, afirmou Gargash na rede X. “A dissuasão fortalece a credibilidade da diplomacia, enquanto a diplomacia é bem-sucedida.”Veja mais em Bloomberg.com Leia também:Nem toda decisão de Trump beneficia Lula na eleição, diz Matias Spektor, da FGV





















