Brasil no centro e sul no topo: novos mapas-múndi lançados pelo IBGE desafiam convenções cartográficas
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) disponibilizou nos últimos dias três mapas-múndi temáticos que rompem com a representação mais conhecida do planeta.
Em vez de seguir o padrão tradicional, os modelos posicionam o Brasil no centro e, em algumas versões, trazem o hemisfério Sul na parte superior. A iniciativa faz parte das celebrações em torno da Independência do Brasil.
Os materiais podem ser baixados gratuitamente na loja virtual do IBGE e também são vendidos em versões impressas. Lançados entre 2024 e 2026, os modelos físicos estão disponíveis em quatro formatos diferentes, do A0 ao A4, e custam entre R$ 10 e R$ 90.
As representações utilizam a nova projeção cartográfica aprovada pela ONU, a Terra Igual (Equal Earth), que busca reduzir as distorções de tamanho entre continentes e países presentes em projeções tradicionais.
O resultado pode causar surpresa para quem está acostumado ao mapa tradicional. Especialistas, porém, ressaltam que não existe uma orientação única ou cientificamente correta para representar a Terra em um mapa.
Confira os mapas
Por que os mapas estão invertidos?
Por ser uma representação planificada da Terra, os mapas podem ser apresentados em diferentes orientações sem que isso comprometa sua precisão geográfica.
À primeira vista, os mapas-múndi do IBGE podem parecer incomuns. Isso decorre da familiaridade com as projeções mais difundidas, especialmente a de Mercator, criada em 1569 e que popularizou a visão do mundo com o norte voltado para cima.
Além de distorcer as áreas próximas aos polos, ampliando visualmente regiões como a América do Norte e a Europa, esse tipo de representação reduz a proporção aparente de áreas localizadas próximas à linha do Equador, como a África e a América do Sul.
Segundo especialistas, essas características podem reforçar a percepção de que as regiões ao norte estão associadas à riqueza, ao desenvolvimento e a status mais elevados, enquanto as áreas ao sul tendem a ser relacionadas à pobreza e a condições menos favoráveis.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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