Menos crédito pós-fixado, mais prefixados: a estratégia da XP para setembro
A XP Investimentos (XPBR31) fez ajustes nas carteiras recomendadas de setembro, reduzindo crédito privado pós-fixado e aumentando títulos prefixados no Brasil, de acordo com o relatório mensal de alocação da casa. A mudança envolve a chamada Carteira Brasil, que deveria representar no máximo 85% do patrimônio do investidor, segundo sugere o documento.
Na carteira Global, que busca retorno em dólar e representaria ao menos 15% do patrimônio do investidor, a XP cortou renda fixa soberana de países desenvolvidos e ampliou a exposição às bolsas dos Estados Unidos e de outros mercados desenvolvidos.
As mudanças são pontuais e mantêm a renda fixa doméstica como principal exposição do portfólio recomendado. Na carteira Global, Rodrigo Sgavioli, head de Alocação da XP, afirma que os ajustes de agosto para setembro foram pequenos, na faixa de 2% a 3%, e refletem uma visão ainda construtiva para a Bolsa americana.
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Prefixados e ações globais ganham espaço
Na carteira Brasil, a principal mudança de agosto para setembro ocorreu dentro da renda fixa. A XP reduziu a alocação em crédito privado pós-fixado e elevou a participação dos títulos prefixados.
Ao mesmo tempo, encurtou de quatro para três anos a duration recomendada para os prefixados — medida relacionada ao prazo dos fluxos dos títulos e à sensibilidade dos preços às variações das taxas de juros.
O movimento está ligado à leitura de que a atividade econômica brasileira perde força e a inflação apresenta sinais mais benignos.
Para a XP, essa combinação pode abrir espaço para cortes adicionais da Selic além do que está atualmente precificado pelo mercado. Nesse cenário, uma redução das taxas futuras tende a favorecer os títulos prefixados.
A preferência é pela parte mais curta da curva de juros. Apesar de enxergar oportunidades na classe, a casa continua apontando riscos inflacionários, fiscais e eleitorais, que podem pressionar principalmente os vencimentos mais longos.
Por isso, a XP aumentou gradualmente a exposição aos prefixados com duration próxima de três anos.
No exterior, a XP também deslocou parte da alocação da renda fixa para a renda variável. A casa reduziu a exposição à renda fixa soberana de países desenvolvidos e aumentou as posições em ações dos Estados Unidos e de outros mercados desenvolvidos.
“Na carteira global, a gente fez um ajuste tático de reduzir um pouco a parte que nós tínhamos em renda fixa mais curta, mais líquida, e aumentamos um pouco mais a exposição à renda variável, principalmente em Estados Unidos e outros mercados desenvolvidos”, diz Sgavioli.
Segundo ele, foram “movimentos pequenos, 2% a 3%”, para refletir a visão ainda construtiva da XP para a Bolsa americana.
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Lucros sustentam visão positiva para EUA
O aumento da exposição à renda variável global ocorre mesmo depois da valorização das ações americanas.
Segundo Sgavioli, parte importante desse movimento veio acompanhada pelo crescimento dos lucros das empresas, que surpreenderam positivamente na temporada de resultados.
Conforme o relatório, tecnologia e inteligência artificial permanecem como importantes vetores de valorização do mercado de ações. A temporada de resultados reforçou essa dinâmica, especialmente entre empresas de tecnologia e semicondutores.
Isso não significa, porém, uma alta generalizada da exposição a risco. Sgavioli afirma que a seleção de empresas, setores e regiões continua necessária e destaca cautela especialmente com títulos de renda fixa de prazo mais longo.
“Ter muito caixa vai te punir por conta eventualmente da inflação. Mas ter duration muito longa também pode ser perigoso num cenário fiscal e de inflação que pode continuar pressionando a curva de juros”, argumenta.
A preocupação está alinhada à avaliação da XP de que, apesar de os juros atuais oferecerem carrego atrativo, a inflação ainda acima das metas, os déficits fiscais e a elevada necessidade de financiamento das economias desenvolvidas mantêm pressão sobre os juros de longo prazo.
Nos Estados Unidos, a casa também cita a forte demanda por capital para investimentos em inteligência artificial e infraestrutura digital.
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Como fica a carteira global da XP em setembro
Depois dos ajustes, a carteira global recomendada pela XP para setembro tem 51% em renda fixa, 45% em renda variável e 4% em caixa.
Dentro da renda variável, 31% da carteira total estão em ações dos Estados Unidos, 12% em outros mercados desenvolvidos e 2% em emergentes.
Na renda fixa, a maior parcela fica no crédito high grade, de melhor qualidade, com 17%. O crédito high yield, de maior risco, representa 13,5%; a dívida de países emergentes, 12,5%; e os títulos soberanos de países desenvolvidos, 8%.
A composição mostra a dimensão do ajuste feito para setembro: a XP manteve mais da metade da carteira global em renda fixa, enquanto aumentou de forma pontual a exposição às ações dos Estados Unidos e de outros mercados desenvolvidos.
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Conservador, moderado e sofisticado
Na carteira Brasil, o peso de cada classe varia conforme o perfil de risco do investidor.
Para o perfil conservador, os pós-fixados representam 71,5% da carteira, incluindo um mínimo de 20% em caixa. Títulos ligados à inflação ficam com 12,5% e prefixados, com 6%.
A carteira ainda destina 2,5% à renda fixa internacional, 2,5% a multimercados, 2,5% a fundos listados e 2,5% à renda variável internacional. Não há alocação em ações brasileiras nem em alternativos.
Na carteira moderada, os pós-fixados representam 34,5%, com pelo menos 15% em caixa. A parcela ligada à inflação é de 22,5%, enquanto os prefixados representam 11%.
Multimercados ficam com 13%; ações brasileiras, com 5%; renda variável internacional, com 4,5%; fundos listados, com 4%; alternativos, com 3%; e renda fixa internacional, com 2,5%.
Para o perfil sofisticado, a participação dos pós-fixados fica em 14%, incluindo ao menos 10% em caixa. A renda fixa ligada à inflação representa 27,5% e os prefixados, 9,5%.
A carteira sofisticada também tem 15% em ações brasileiras, 9,5% em fundos listados, 8% em multimercados, 7% em ações internacionais, 7% em alternativos e 2,5% em renda fixa internacional.
Os retornos esperados de longo prazo apresentados pela XP são de IPCA + 6% ou CDI + 1% para a carteira conservadora, IPCA + 7% ou CDI + 2% para a moderada e IPCA + 8% ou CDI + 3% para a sofisticada.
Esses percentuais são referências usadas na construção das carteiras e não representam garantia de rentabilidade.
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Pós-fixados seguem relevantes
A redução do crédito privado pós-fixado é uma das mudanças para setembro, mas não representa uma saída da XP da renda fixa pós-fixada.
A casa mantém visão positiva para a classe diante dos juros ainda elevados, da baixa volatilidade e da liquidez, especialmente por meio de títulos públicos.
A cautela maior está especificamente no crédito privado. O relatório cita aumento das recuperações judiciais, piora dos vieses de rating e condições de financiamento mais restritivas.
Ao mesmo tempo, afirma que os balanços das empresas ainda não indicam estresse sistêmico ou deterioração generalizada da liquidez corporativa.
Para a XP, o ponto de atenção está na relação entre risco e retorno: os prêmios disponíveis podem nem sempre compensar adequadamente os riscos de crédito, liquidez e estrutura assumidos.
Apesar da maior seletividade no crédito privado, a renda fixa doméstica permanece como a principal exposição das carteiras Brasil.
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Combinação de carteira Brasil e carteira global
Além das mudanças mensais, o relatório apresenta duas camadas complementares para a diversificação dos investimentos: uma carteira Brasil, em reais, e uma carteira global, em dólar.
Segundo a XP, exposições internacionais muito pequenas tendem a capturar apenas parte dos benefícios da diversificação.
Na prática, a casa afirma que ao menos 15% do patrimônio financeiro do investidor em um portfólio global dolarizado costuma dar à diversificação internacional um papel mais relevante na estratégia de longo prazo.
O relatório aponta ainda que a carteira Brasil deveria representar no máximo 85% do patrimônio do investidor, enquanto a carteira global deveria responder por ao menos 15%.
Isso não significa que a carteira Brasil seja formada exclusivamente por ativos domésticos.
Ela também inclui classes de ativos internacionais, mas essa exposição é modelada para ser implementada por meio de instrumentos sem risco cambial, em reais, e segue objetivos de retorno ligados a referências locais, como CDI e IPCA.
Já a carteira global busca retorno em dólar e amplia a diversificação entre mercados, moedas e jurisdições.
Sgavioli também destaca que o investimento direto no exterior permite acesso a um universo maior de ativos e acrescenta diversificação de ambiente regulatório e legal.
Em setembro, portanto, a XP aumentou a exposição aos prefixados no Brasil e às ações dos Estados Unidos e de outros mercados desenvolvidos no exterior.
Na direção contrária, reduziu crédito privado pós-fixado na carteira Brasil e renda fixa soberana de países desenvolvidos na carteira global.
“Não estamos aumentando a exposição porque deixamos de reconhecer os riscos inflacionários, fiscais e eleitorais, mas porque entendemos que o prêmio presente na curva curta oferece uma relação mais favorável entre risco e retorno”, afirma a XP no relatório.
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