Eleições podem “mudar jogo” das construtoras, mas JPMorgan ainda prefere baixa renda
O JPMorgan avalia que o desempenho das construtoras residenciais brasileiras deverá ser cada vez mais influenciado pelo sentimento em relação às eleições de 2026.
Uma eventual mudança de governo tende a favorecer as empresas de média e alta renda, como Cyrela (CYRE3) e EZTEC (EZTC3), diante da expectativa de um ajuste fiscal mais intenso.
Já a continuidade do atual governo seria mais favorável às companhias de baixa renda, como Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), beneficiadas pelo apoio ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
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Considerando a manutenção do atual governo, o banco reiterou recomendação de compra para Tenda, Direcional e Cury. Para Cyrela e EZTEC, a recomendação segue neutra, diante das incertezas para 2027, embora as ações possam reagir positivamente a uma eventual mudança no sentimento do mercado.
O JPMorgan também mantém recomendação neutra para MRV (MRVE3), diferenciando a companhia das demais empresas de baixa renda devido à expectativa de novas perdas na Resia, sua operação de imóveis residenciais para locação nos Estados Unidos, no segundo semestre.
Entre os principais riscos para a tese positiva sobre as empresas de baixa renda estão a pressão inflacionária, especialmente com o petróleo acima de US$ 80 por barril, e uma desaceleração temporária nos desembolsos de financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal (CEF). O banco também cita a greve dos funcionários da Caixa, prevista para começar em 10 de setembro e que deve ser de curta duração.
O JPMorgan estabeleceu ainda preços-alvo para dezembro de 2027. Entre as ações com recomendação de compra, o potencial de valorização chega a aproximadamente 50% a 60%. Para os papéis com recomendação neutra, o potencial é de 40% a 50%.
Tenda (TEND3)
A Tenda é a principal escolha do banco, com potencial de alta de 59% até o preço-alvo de R$ 52,50. A preferência é sustentada pelo valuation atrativo, de 4,8 vezes o preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027, e pela possibilidade de melhora operacional da Alea, subsidiária de estruturas de madeira. O JPMorgan avalia que o mercado ainda não incorpora uma recuperação relevante da operação.
Direcional (DIRR3)
A Direcional aparece logo depois, com potencial de alta de 60% até o preço-alvo de R$ 17,50. O banco destaca o valuation de 5,4 vezes o P/L estimado para 2027, com desconto de 22% em relação à Cury. Também vê potencial de valorização no banco de terrenos da companhia em Belo Horizonte, diante da nova legislação de zoneamento, além da parceria com a Moura Dubeux para projetos de baixa renda no Nordeste.
Cury (CURY3)
Para a Cury, o JPMorgan destaca a elevada qualidade da companhia e a conversão de lucro líquido em fluxo de caixa livre de 75%, a maior entre as empresas de baixa renda acompanhadas pelo banco. O banco elevou preço-alvo de R$ 43,50 para R$ 48, implicando em um potencial de alta de 49%, enquanto a ação negocia a 6,9 vezes o P/L estimado para 2027, cerca de 25% abaixo do pico de 9,5 vezes registrado no início do ano. O banco também estima dividend yield de aproximadamente 8% em 2026.
Cyrela (CYRE3)
Na média e alta renda, o JPMorgan mantém recomendação neutra para a Cyrela, com preço-alvo de R$ 34,50, mas vê espaço para uma forte valorização em caso de mudança no governo. Nesse cenário, a ação poderia chegar a 1,7 vez o valor patrimonial por ação (P/VPA), ante cerca de 1 vez atualmente. O banco destaca ainda que a venda da torre corporativa Pininfarina, por R$ 1,4 bilhão, poderia resultar em distribuição de dividendos equivalente a um yield de aproximadamente 11%.
EZTEC (EZTC3)
Para a EZTEC, a recomendação neutra reflete principalmente o cenário macroeconômico, com juros elevados por mais tempo, que tende a pressionar o segmento de média e alta renda. Ainda assim, a companhia apresentou crescimento de 53% nos lançamentos no primeiro semestre. Nos últimos 30 dias, a ação acumulou alta de 19%, ante 16% da Cyrela e 8% do Ibovespa. O novo preço-alvo é de R$ 19.
MRV (MRVE3)
Já a MRV continua sendo uma exceção entre as empresas de baixa renda. Embora o negócio principal apresente recuperação, com crescimento dos lançamentos e melhora das margens, o JPMorgan espera novas perdas da Resia de aproximadamente US$ 50 milhões, ou R$ 260 milhões, no segundo semestre. A operação pretende vender terrenos, instalações, equipamentos e participações minoritárias em projetos, com desinvestimentos estimados em cerca de US$ 165 milhões.
A MRV negocia a 4,7 vezes o P/L estimado para 2027, em linha com a Tenda e com desconto de 15% a 30% em relação aos pares. Para o JPMorgan, o desconto é justificável diante das incertezas e da baixa visibilidade sobre os resultados futuros. Além disso, a dívida líquida da companhia, incluindo o passivo relacionado à cessão de créditos, chegou a R$ 10,6 bilhões no segundo trimestre, equivalente a 2,3 vezes o patrimônio líquido, o maior nível do setor.




















