Vale investe em fundo de floresta do Pátria em troca de créditos de carbono
A mineradora Vale se tornou uma das investidoras do fundo de reflorestamento criado pelo Pátria Investimentos, o Reflorest Fund. Como retorno, a empresa terá acesso a créditos de carbono gerados pelos projetos de restauração financiados pelo mecanismo.
Os detalhes do contrato, como o valor do aporte da Vale e a quantidade de créditos de carbono esperada, não foram divulgados.
A mineradora afirma que o investimento está alinhado à estratégia climática da companhia e à meta de proteger e recuperar 500 mil hectares de florestas e áreas naturais até 2030. “Nosso objetivo é contribuir para ampliar a restauração produtiva no Brasil”, disse Rodrigo Lauria, diretor de mudanças climáticas e descarbonização da Vale, em nota.
Com o Reflorest Fund, o Pátria tem o objetivo de captar R$ 2 bilhões para investir em terras degradadas na Mata Atlântica, com recuperação de solo e restauração de áreas com espécies nativas.
A ideia é combinar o plantio de árvores com culturas agrícolas, modelo conhecido como sistema agroflorestal. Com isso, o fundo espera ter renda da venda de créditos de carbono, madeira de alto valor e produtos agrícolas.
A meta é dar retorno aos investidores em 15 anos, com rendimentos anuais de até 12% em dólares.
O pagamento por meio de créditos de carbono é uma possibilidade. O negócio foi trazido ao Pátria pela Pachama, empresa de tecnologia do Vale do Silício que é parceira da gestora no fundo. A startup auxilia na originação e comercialização dos créditos.
Outros investidores
Além do investimento da mineradora, o Reflorest Fund contou com aportes de sócios do Pátria e de investidores do segmento de wealth management e family offices.
A primeira rodada de captação levantou R$ 160 milhões e foi ancorada pela agência de desenvolvimento do governo de São Paulo, a Desenvolve SP, que subscreveu R$ 50 milhões do montante. O objetivo é direcionar parte dos recursos para projetos de restauração ecológica no estado.
Agora, a gestora está em negociações com investidores estrangeiros, segundo Pedro Faria, sócio do Pátria. “A ideia é ter um mosaico de investidores e reunir diferentes perfis.”
De acordo com o sócio, ter investidores estrangeiros faz parte do plano para acessar recursos do 3º leilão do Eco Invest, programa do governo federal. “Estamos ainda em estruturação e negociação com as instituições financeiras”, disse Faria.
Mais recentemente, o Reflorest Fund foi um dos sete selecionados na chamada pública de mitigação climática do BNDES, que vai destinar um total de R$ 4,3 bilhões em aportes do BNDESPar, braço do banco de desenvolvimento para investimento em participações.
O BNDESPar pode destinar até R$ 500 milhões para o Reflorest Fund. Pelas regras do edital, o aporte do banco pode representar até 25% do fundo e os selecionados devem ter um capital comprometido alvo de, no mínimo, R$ 250 milhões.
Fazendas na Mata Atlântica
Até o momento, o Pátria comprou duas fazendas no interior de São Paulo para reflorestar mil hectares (cada hectare equivale aproximadamente a um campo de futebol). Serão desembolsados R$ 50 milhões para recuperação do solo e plantio de mudas nativas.
Com R$ 309 bilhões sob gestão, o Pátria é conhecido por investir em ativos alternativos, e a mesma estratégia aparece no Reflorest Fund. Diferentemente de outros fundos, que costumam focar no reflorestamento da Amazônia, o Pátria vai colocar dinheiro na Mata Atlântica.
O bioma foi escolhido por ser o mais degradado (71% da floresta tropical nativa foi desmatada, segundo o Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e por estar perto das maiores cidades do país, com ampla infraestrutura de logística. Também é o único bioma a ter uma norma específica, a Lei da Mata Atlântica, de 2006.
Para ter a adicionalidade e gerar créditos de carbono, a gestora planeja que 40% da propriedade seja dedicada para área de reserva – o dobro do que a Lei da Mata Atlântica obriga.




















