Pátria vende 99,5% da Elfa Medicamentos para a Gravataí por valor simbólico
O Pátria Investimentos (PAX) vendeu o controle do Grupo Elfa (ELFA3) para a Gravataí Participações. O negócio envolveu a venda de 99,56% do capital social total da distribuidora de produtos médico-hospitalares pelo valor simbólico de R$ 620,49. A transação marca a saída definitiva da gestora do controle da companhia, encerrando o ciclo de investimentos iniciado na década passada e que consolidou a Elfa como uma das maiores redes de logística para a saúde do país.Sob controle do Pátria, o Grupo Elfa foi formado a partir de mais de 20 aquisições. Nos últimos tempos, a empresa vinha priorizando uma agenda de desinvestimento, qualidade das margens e desalavancagem."Nós não queremos ser a maior, queremos ser a melhor", disse em entrevista à Bloomberg Línea no começo do ano José Roberto Ferraz, CEO da Elfa e líder do portfólio de saúde do Pátria. “O crescimento do Ebitda vem pelo crescimento de vendas, mas ainda mais pelo aumento da produtividade.”A estratégia, segundo ele, era garantir que os números operacionais avançassem para que a empresa chegasse “tinindo em 2028”. A proposta chegou antes e o Pátria decidiu fechar o negócio.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.O balanço semestral apresentou uma Receita Operacional Líquida de R$ 1,42 bilhão, contra R$ 2,12 bilhões em semelhante período de 2025, nesse processo de descontinuação de linhas. O grupo encerrou o período com um endividamento de R$ 1,48 bilhão, redução de 380 milhões em comparação com 2025. O prejuízo avançou 137,8%, saindo de R$ 130,1 milhões para R$ 309,3 milhões. A transação foi anunciada ao mercado por meio de Fato Relevante e teve consumação imediata. Com a troca de controle, os membros do Conselho de Administração indicados pelo Pátria renunciaram, assim como a antiga diretoria, dando lugar aos executivos nomeados pelo novo controlador. Marcel André Molon assume como novo diretor presidente, financeiro e de relações com investidores.Leia também: 77Sol entra em crédito próprio com FIDC de R$ 140 mi e mira R$ 3 bi em financiamentosA transferência do controle envolveu a venda direta e indireta das ações detidas pelos fundos geridos pelo Pátria, além de participações em veículos intermediários como San Pelegrino e San Lorenzo. Em decorrência do negócio, ações preferenciais da companhia foram automaticamente convertidas em ordinárias.Apesar do preço inicial simbólico decorrente do endividamento do grupo, o contrato prevê uma cláusula de recebimento adicional (earn-out) para o Pátria. Caso a Gravataí venda a empresa, suas controladas ou o negócio a terceiros no prazo de até 36 meses, os fundos vendedores terão direito a uma fatia no ganho de capital de uma eventual revenda.Em relação aos acionistas minoritários, a Gravataí pretende solicitar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a dispensa de realização de Oferta Pública de Aquisição (OPA), sob o argumento de que o valor por ação é imaterial e que o direito de venda conjunta em igualdade de condições já foi assegurado. Caso a autarquia exija o processo, a nova controladora informou que cumprirá os ritos legais.



























