Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial

A petroquímica Braskem confirmou nesta segunda-feira (24), por meio de comunicado ao mercado, que o Conselho de Administração aprovou o ajuizamento de um pedido de recuperação extrajudicial. A empresa pretende reestruturar obrigações financeiras quirografárias no valor aproximado de US$ 10,9 bilhões, equivalentes a R$ 56 bilhões na conversão atual. Segundo a companhia, a medida tem escopo estritamente financeiro e não afeta contratos com fornecedores, clientes ou demais stakeholders, que continuam sendo cumpridos normalmente.
O pedido foi protocolado no mesmo dia em que se encerrou o prazo de 60 dias de proteção contra execução de credores, concedido em junho pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Nesse período, a Braskem negociou com bancos credores, que condicionaram a renegociação a garantias sobre ativos da companhia e à contratação de um empréstimo adicional de US$ 700 milhões, proposta recusada pela empresa. Já a IG4, uma das controladoras da Braskem, apresentou alternativa que prevê alongamento das dívidas por cinco anos e carência de juros por 30 meses, sem redução do valor principal nem conversão de dívida em participação acionária.
A dificuldade financeira da companhia é resultado da combinação de fatores. O setor petroquímico enfrenta excesso de oferta global, margens reduzidas e demanda fraca, o que fez o custo dos produtos vendidos consumir cerca de 96% da receita líquida da Braskem. A empresa também arca com um passivo bilionário relacionado ao afundamento do solo associado à extração de sal-gema em Alagoas, que afetou cerca de 60 mil pessoas e resultou na condenação de aproximadamente 14 mil imóveis. Em junho, a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal sobre o caso, o que derrubou as ações da companhia em quase 15% naquele pregão.
A elevação da Selic, de 2% em 2020 para 14% atualmente, também pressionou o custo da dívida da empresa, parte relevante denominada em moeda estrangeira. Em junho, as agências de classificação de risco Fitch e S&P Global rebaixaram a nota de crédito da Braskem. Na semana passada, a joint venture Braskem Idesa, sediada no México, já havia protocolado pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, sob o regime do Chapter 11.
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