Ibovespa fecha estável com Petrobras (PETR4), mas aversão ao risco limita alta
O Ibovespa encerrou esta quinta-feira (20) praticamente estável, sustentado principalmente pelas ações ligadas a commodities, em especial Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3). O principal índice da B3 avançou 0,06%, aos 167.927,15 pontos, mas terminou bem distante da máxima de 169.752,35 pontos registrada pela manhã, à medida que a piora do humor no exterior e a pressão sobre o setor financeiro limitaram os ganhos.
O movimento refletiu principalmente a nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou impor medidas econômicas mais duras contra Teerã e contra países que mantenham relações comerciais com o governo iraniano, reacendendo os receios sobre a oferta global de petróleo.
O Brent para outubro avançou 2,36%, a US$ 93,78 por barril, beneficiando as petroleiras. Ao mesmo tempo, a valorização da commodity aumentou as preocupações com a inflação global e com a possibilidade de juros elevados por mais tempo nas principais economias.
Cotação do dólar hoje
- Dólar comercial: fechou em alta de 0,32%, cotado a R$ 5,1933. O movimento refletiu a maior procura por proteção diante das tensões geopolíticas e da alta dos juros globais.
Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o câmbio acompanhou a valorização da moeda americana no exterior. “O gatilho é a nova escalada entre EUA e Irã, depois que Trump prometeu um pacote de medidas econômicas duras contra Teerã, o que jogou o petróleo para cima e devolveu a cautela aos mercados globais”, afirma.
Para o especialista, a alta do petróleo acabou funcionando como uma “faca de dois gumes” para o mercado brasileiro: sustenta empresas de commodities no curto prazo, mas aumenta a preocupação com inflação e reduz o espaço para cortes de juros.
Petrobras (PETR4) sustenta o Ibovespa
As ações da Petrobras (PETR4) ajudaram a impedir uma sessão negativa para o índice, acompanhando a valorização do petróleo. A alta da estatal serviu como um importante colchão para o Ibovespa em um pregão marcado pela abertura dos juros futuros e pela piora do cenário externo.
Luan Aral, trader e especialista da Genial Investimentos, destaca que o mercado continua reagindo a cada nova informação sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã.
“Não há um veredicto em relação aos Estados Unidos e o Irã, então o mercado vem sentindo aos pouquinhos, tendo em vista, especialmente, que o petróleo hoje está subindo mais de 2%”, afirma.
O setor bancário, por outro lado, voltou a atuar como fator de pressão sobre o índice. Os investidores seguem monitorando sinais de piora da qualidade do crédito após os resultados do segundo trimestre, diante dos juros elevados e do aumento dos pedidos de recuperação judicial de empresas.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Entre as maiores altas do pregão, Minerva (BEEF3) saltou 7,00%, seguida por Marcopolo (POMO4), com avanço de 6,46%, SLC Agrícola (SLCE3), que subiu 5,72%, MBRF (MBRF3), com ganho de 5,55%, e Cyrela (CYRE3), que avançou 4,01%.
Na ponta negativa, Vamos (VAMO3) despencou 8,49%, enquanto Hapvida (HAPV3) caiu 7,16%. Cury (CURY3) recuou 4,77%, CSN Mineração (CMIN3) perdeu 4,74% e Magazine Luiza (MGLU3) fechou em baixa de 4,20%.
Fechamento das bolsas americanas
Wall Street encerrou a sessão em forte queda, pressionada pela alta dos rendimentos dos Treasuries, pelas tensões com o Irã e pela piora das ações de tecnologia e consumo.
- Dow Jones: queda de 1,32%, aos 52.759,21 pontos;
- S&P 500: baixa de 0,87%, aos 7.641,16 pontos;
- Nasdaq: recuo de 1,00%, aos 26.067,17 pontos.
Apesar de ter perdido boa parte da alta registrada pela manhã, o Ibovespa conseguiu emendar a segunda sessão consecutiva no campo positivo depois de interromper, na quarta-feira, uma sequência de 11 quedas. O petróleo continua dando sustentação às grandes empresas de commodities, mas permanece também como uma das principais fontes de preocupação para inflação e juros.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de quarta-feira (19), foi de 167.830,27 pontos, com alta de 0,90%.

























































