Eleições 2026: tudo o que você precisa saber sobre a votação, os candidatos e as pesquisas
Faltam poucas semanas para os eleitores irem às urnas. A campanha para as eleições 2026 começou oficialmente no último domingo (16) e agora os nomes que disputarão a Presidência da República estão definidos. Mas a corrida não se resume a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Há outros nomes concorrendo ao principal cargo da União e a votação não será só para presidente.
Neste ano, os brasileiros vão eleger os governadores dos 27 estados, todos os 513 deputados federais e 54 dos 81 senadores — e tem também os deputados estaduais.
Se você não acompanha política todos os dias, mas quer entender o que está acontecendo sem precisar ler pesquisas, regras eleitorais e análises complicadas, este guia é para você.
- LEIA TAMBÉM: A campanha eleitoral começou: veja as regras, o que esperar até as eleições e a estreia dos candidatos nas ruas
Confira as principais informações sobre as eleições 2026.
Quando será a eleição?
A votação do primeiro turno acontecerá em 4 de outubro.
Caso nenhum candidato para os cargos de governador e presidente consiga a maioria de votos necessária para vencer (50% mais um voto), os dois mais votados disputarão um segundo turno em 25 de outubro.
Embora a campanha tenha começado oficialmente em 16 de agosto, a fase mais intensa ainda está por vir.
Em 28 de agosto começa o horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, período em que os candidatos para todos os cargos começam a aparecer diariamente para milhões de eleitores.
Debates, viagens pelo país e ações nas redes sociais também tendem a se intensificar nos próximos dias à medida que a votação se aproxima.
Em quais cargos votar em 2026?
As eleições de 2026 não serão apenas para escolher o presidente. Cerca de 159 milhões de brasileiros aptos a votar também vão definir:
- os 27 governadores dos estados;
- todos os 513 deputados federais;
- 54 dos 81 senadores — cada pessoa terá que escolher dois nomes;
- deputados estaduais e distritais.
Ou seja, a eleição deste ano define quem comandará o país, os estados e a maior parte do Congresso Nacional pelos próximos anos.
O que está em jogo nesta eleição?
A escolha do presidente costuma monopolizar as atenções, mas outubro decidirá muito mais do que isso. Afinal, o presidente não governa sozinho.
Qualquer mudança relevante em áreas como tributação, programas sociais, orçamento público, segurança, investimento estatal ou reformas econômicas depende da relação entre o presidente e os deputados e senadores da República.
E não só. O deputado estadual tem uma função semelhante na escala estadual.
Veja o que cada parlamentar tem como função:
- Deputado estadual: propõe e vota leis para o estado e fiscaliza a atuação do governador.
- Deputado federal: propõe e vota leis que valem para todo o país e fiscaliza o governo federal.
- Senador: representa seu estado em Brasília, vota leis nacionais e analisa indicações para cargos importantes, como ministros do STF.
- Governador: administra o estado, cuidando de áreas como segurança pública, saúde e educação estaduais.
- Presidente: administra o país, cuida do orçamento federal, executa políticas públicas e representa o Brasil no exterior.
Por isso, embora a corrida presidencial chame a atenção, a composição da Câmara dos Deputados e do Senado Federal é tão importante quanto a definição de quem ocupará a Presidência nos próximos quatro anos.
Quem são os candidatos mais competitivos?
A eleição de 2026 tem vários candidatos, mas, na prática, a disputa continua concentrada em dois campos políticos.
De um lado está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição.
Lula busca um novo mandato apoiado na estrutura da máquina pública e na manutenção de sua base política construída ao longo de décadas. Como em 2022, o vice na chapa é Geraldo Alckmin (PSB).
Do outro lado está o senador Flávio Bolsonaro, escolhido pelo PL para substituir o nome de Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe de Estado em 2022. A candidatura ganhou relevância pelo apoio do ex-presidente.
Segundo a análise do BTG, que trabalha em parceria com o instituto de pesquisa Nexus, Flávio conseguiu absorver grande parte do eleitorado que tradicionalmente votava em Jair, tornando-se o principal nome da oposição. Seu vice é o deputado Alfredo Gaspar, do mesmo partido.
Há ainda outros candidatos como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (Missão).
Eles aparecem nas pesquisas oscilando na faixa de 5% de intenção de votos e tentam se apresentar como alternativas à polarização. Mas, até aqui, não conseguiram construir uma trajetória de crescimento que ameace um dos dois líderes da disputa.
Quem está à frente: Lula ou Flávio?
Se a eleição fosse hoje, Lula provavelmente sairia do primeiro turno na liderança.
A média das pesquisas analisadas pelo BTG mostra o atual presidente com cerca de 40,8% das intenções de voto, contra 33,4% de Flávio Bolsonaro. Isso representa uma vantagem próxima de 7,5 pontos percentuais.
Mas o que chama atenção no relatório é que a vantagem encolhe significativamente quando as pesquisas simulam um eventual segundo turno.
Nesse cenário, a diferença média cai para pouco mais de quatro pontos percentuais.
Lula lidera a disputa há alguns meses, mas não existe hoje uma percepção de vitória inevitável. A corrida continua suficientemente apertada para que os próximos meses de campanha façam diferença no resultado.
Se Lula lidera, por que a eleição é considerada tão aberta?
Porque eleições não são apenas uma disputa de popularidade. Elas também dependem de rejeição.
Lula tem uma base de eleitores consolidada, construída ao longo de décadas. Flávio Bolsonaro, por sua vez, herda boa parte do eleitorado de seu pai.
O problema para ambos é que existe um contingente expressivo de eleitores que declara não votar neles, individualmente.
Segundo os levantamentos compilados pelo BTG, os dois candidatos apresentam níveis de rejeição próximos de 50%. Isso ajuda a explicar por que a disputa parece travada há meses.
Não há muitos eleitores no centro esperando para escolher um lado. O desafio dos candidatos não é apenas conquistar novos votos, mas evitar perder os que já possuem e garantir que seus apoiadores compareçam às urnas.
Em uma eleição tão polarizada, movimentações aparentemente pequenas podem produzir efeitos relevantes.
Os debates, a TV e as redes sociais nas eleições de 2026
A campanha oficial acabou de começar. Historicamente, esse é justamente o período em que a maior parte do eleitorado passa a prestar mais atenção às eleições.
Os debates presidenciais, por exemplo, podem aumentar a visibilidade dos candidatos e provocar mudanças de percepção. Principalmente para Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos.
A presença de Lula e Flávio nos debates não é dada como certa.
A propaganda de rádio e TV continua sendo importante porque leva mensagens políticas para públicos muito mais amplos do que aqueles que acompanham diariamente as redes sociais.
Além disso, existem fatores externos capazes de influenciar diretamente o humor dos eleitores. Crises políticas, preço dos alimentos no supermercado, endividamento e até eventos inesperados costumam ganhar peso quando a campanha entra na reta final.
O que o eleitor precisa guardar de tudo isso?
- Lula continua liderando as pesquisas e tenta a reeleição.
- Flávio Bolsonaro aparece como principal representante da oposição.
- Os demais candidatos seguem distantes dos dois primeiros colocados.
Ao mesmo tempo, a vantagem do presidente não é ampla o suficiente para encerrar a disputa antes da hora. O segundo turno aparece como o cenário mais provável e os níveis elevados de rejeição dos dois candidatos sugerem que a campanha ainda terá espaço para disputas importantes até outubro.
Mas não se esqueça dos outros cargos em disputa: governadores, senadores e deputados também têm suas parcelas na condução do país e dos estados e nos principais aspectos da vida comum: da segurança pública à saúde e educação.
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