Conta PJ: confira como encontrar a melhor opção para o seu negócio
A hora de empreender é cercada de burocracias e uma delas é fazer a escolha da conta corrente da empresa. Para economizar nessa despesa, a solução é verificar quais rotinas bancárias serão mais utilizadas e contratar um pacote de serviços adequado a essa necessidade.
“Há muitas opções e os bancos digitais aumentaram muito essa concorrência. O empreendedor precisa buscar um serviço com base naquilo que vai utilizar”, diz David Kallas, professor de estratégia do Insper.
O empreendedor consegue encontrar pacotes de serviços básicos desde isento até tarifas de mais de R$ 70. É importante observar não só o custo, mas também o que o pacote oferece e o valor dos serviços avulsos.
Kallas cita como exemplo os pacotes de serviços destinados a micro e pequenas empresas que incluem a emissão de boletos. A depender do ramo de atividade da empresa, esse não será um serviço utilizado e não há motivos para contratar um pacote só por isso.
O professor de estratégia recomenda que o empreendedor primeiro liste os serviços que precisará utilizar: transferências, gestão da folha de pagamentos, se vai emitir boleto ou precisar de maquininha para cartão e se o Pix vai ser um meio de pagamento aceito ou não.
Com isso em mãos, é hora de procurar os bancos e fazer a cotação do pacote de serviços e o que cada instituição oferece para esse segmento de clientes.
“Uma tarifa de R$ 70 pode parecer pequena em relação a todos as despesas de uma empresa, mas no ano isso é um gasto superior a R$ 800”, reforça Kallas sobre a necessidade de se fazer a busca adequada pelo banco de relacionamento.
Esse é um segmento relevante para os bancos. O Brasil conta com 18,3 milhões de pequenos empreendedores, a maior parte do setor de serviços, segundo dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas).
Esse número leva em conta as EPP (empresas de pequeno porte), ME (microempresas) e os MEI (microempreendedores individuais) — desse total, 11 milhões são de MEI.
Para Monisi Costa, head de produtos para pessoa jurídica do C6Bank, o atual cenário econômico faz com que o empreendedor esteja mais aberto a alternativas em relação à gestão financeira de seu negócio, o que inclui os bancos digitais.
“A primeira onda de contas digitais foi com pessoas físicas. A segunda onda será com empresas que buscam um custo menor. Com inflação e redução das margens, esse tipo de economia faz diferença para o micro e pequeno empresário”, diz.
Entre os benefícios do C6 para os pequenos empresários, está a isenção de tarifa de manutenção da conta e a gratuidade no Pix. Enquanto o envio de transferências instantâneas é gratuito para pessoas físicas, o BC permite a cobrança da tarifa quando a transação é feita por empresas.
E se precisar de crédito?
Além de ter uma conta para pagar e receber, o pequeno empresário também pode precisar de outros serviços, como acesso a maquininha para realizar vendas no cartão ou até disponibilidade de linhas de crédito, desde aquele do cartão de crédito até um repasse do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
“O cartão de crédito para o microempresário é uma alternativa para o fluxo de caixa no mês a mês, já que facilita o pagamento a fornecedores, por exemplo”, exemplifica Costa.
Como o crédito é muitas vezes necessário para a continuidade de uma operação, é recomendável que o empreendedor cheque com os bancos quais linhas estão disponíveis para pequenas e microempresas.
De acordo com Márcio Tunholi, gerente executivo do Original Empresas, a oferta de produtos para esse segmento de clientes tem crescido a cada ano.
O banco começou primeiro com a conta única, em que no mesmo aplicativo é possível acessar a conta da empresa e a da pessoa física, e depois lançou a Conta Empresas, para as de maior faturamento. Os pacotes da instituição financeira também incluem gratuidade de Pix e serviços para a folha de pagamento.
“Mas a principal demanda desse público é pelo crédito. O cartão acaba sendo o mecanismo para as microempresas, mas as pequenas e médias já avançaram para outras soluções de capital de giro”, diz.
O Original é um dos agentes de repasse do FAMP (Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas), do Sebrae.
Erros mais comuns
Mesmo para quem vai iniciar um negócio com recursos próprios, Kallas afirma que ter o acesso a linhas de crédito é importante, já que o erro mais comum do empreendedor é ignorar o investimento em capital de giro.
Segundo ele, é normal que o empreendedor leve em conta os custos de abertura da loja, como reforma do imóvel, compra de equipamentos e estoque. No entanto, muitas vezes o empreendedor esquece que o estoque terá que ser reposto e que as vendas serão feitas com o recebimento do pagamento a prazo ou de forma parcelada.
“Sempre vai ter um descasamento entre o momento que é preciso pagar o fornecedor, a venda e o recebimento dessa venda, e os empreendedores menosprezam esse investimento em capital de giro”, diz.
A falta de caixa decorrente do crescimento do crescimento do negócio também é um problema financeiro que costuma ser enfrentado pelo empresário.
“É contraintuitivo, mas crescer muito faz com que alguns empreendedores fiquem sem caixa e não dá para parar de crescer. Crescer consome caixa”, diz, sobre o momento em que é menos prejudicial tomar um crédito.
E a mesma dica que vale para a pessoa física também vale para o negócio do empreendedor: fugir de dívidas caras, como a do cartão de crédito.
No caso do pequeno empreendedor, uma das opções é a antecipação de recebíveis. O banco cobra uma taxa para antecipar a ele o dinheiro das vendas em cartão. Como há uma garantia, esse juro costuma ser mais baixo do que um capital de giro tradicional.





















