Petróleo ajuda, mas varejo fala mais alto e Ibovespa fecha em baixa de 0,22%

Inflação nos Estados Unidos e vendas no varejo no Brasil pressionaram os mercados

Gabriel Bosa

Gabriel Bosa

Foto: Shutterstock

Com dados de inflação ao produtor dentro do esperado nos Estados Unidos e com a alta do petróleo, o Ibovespa até até tentou ensaiar uma recuperação depois da forte queda do pregão de terça-feira (14). O movimento, porém, não encontrou força suficiente, e o índice fechou em baixa de 0,22%, aos 110.546 pontos.

Com a queda de hoje, dia com R$ 17,19 bilhões em volume negociado, a alta acumulada pelo Ibovespa no mês de setembro recuou para 0,93%. Desde o início do ano, o índice soma valorização de 5,46%.

As Bolsas estrangeiras tiveram movimento similar ao do Ibovespa nesta quarta, mas conseguiram se recuperar no fim do pregão. Em Nova York, o S&P 500 teve alta de 0,34%, o Dow Jones subiu 0,1% e o Nasdaq avançou 0,74%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com perdas de 0,52%.

Inflação americana segue no radar

Após os mercados desabarem ontem com a má notícia de uma inflação ao consumidor disseminada nos EUA em agosto, que veio o dobro do esperado, sinalizando juros altos por mais tempo, os investidores hoje ficaram atentos ao PPI (índice de preços ao produtor) do mês passado.

O índice teve queda de 0,1% em agosto na comparação com julho, em linha com o esperado por analistas de mercado. No mês retrasado, os preços haviam apresentado queda de 0,4%. Com o resultado, o indicador mostra um avanço de 8,7% nos preços para 12 meses encerrados no mês passado.

A alta de preços de ontem reacendeu as expectativas de que o Fed seja mais duro na alta dos juros. Agora, o mercado já considera um novo aumento de 0,75 p.p (ponto percentual) praticamente certo, enquanto algumas projeções já apostam em 1 p.p.

Vendas no varejo decepcionam

Por aqui, as vendas no varejo caíram 0,8% em julho na comparação com junho. Foi o terceiro mês seguido de retração, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação anual, o comércio tombou 5,2%. Desde janeiro, o setor cresceu 0,4%, enquanto no acumulado de 12 meses, o segmento tem queda de 1,8%.

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Os dados vieram piores do que o esperado pelo mercado. O consenso Refinitiv projetava alta de 0,3% no mês e queda de 3,5% em base anual.

Para o economista-chefe da RPS Capital, Victor Candido, o dado mostra que estamos passando por um momento de desaceleração do consumo, com quedas na construção civil e automóveis. “Ao mesmo tempo, as pessoas estão consumindo mais serviços, em detrimento de bens”.

Nesse cenário, as ações de varejistas ficaram entre as maiores quedas do Ibovespa no pregão. No fechamento, os papéis que mais caíam eram os de IRB (IRBR3), Magazine Luiza (MGLU3) e CSN (CSNA3), com recuos de 5,6%, 4,89% e 3,91%, respectivamente.

Um acionista do IRB entrou com um processo, em procedimento arbitral, contra a empresa, pedindo uma indenização no valor de R$ 807,43 mil, afirma a resseguradora.

Petroleiras limitam queda

A alta do petróleo, em movimento de recuperação após o tombo de ontem, ajudou as companhias do setor a limitar as perdas do Ibovespa. O petróleo Brent teve ganhos de 1%, a US$ 94,10 por barril.

Entre as petrolíferas, a maior alta foi de Prio (PRIO3), de 5,11%, seguida de 3R Petroleum (RRRP3), que avançou 3,72%, Petrobras PN (PETR4), com ganhos de 1,53%, e Petrobras ON (PETR3), que subiu 1,23%.

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Considerando todas as ações do Ibovespa, os papéis que mais subiram no pregão foram de Petz (PETZ3), Iguatemi (IGTI11) e Prio, com as duas primeiras subindo 6,53% e 5,57%, nesta ordem.

A Petz anunciou a contratação de Massanoru Shibata, ex-executivo da Intermédica, para ocupar o cargo de vice-presidente de serviços. Além disso, a companhia informou que a gestora Atmos Capital atingiu participação de 5% no capital da companhia.

Criptomoedas

Todas as atenções do mercado de criptoativos estão voltadas para o processo de atualização da blockchain Ethereum, previsto para ser concluído na madrugada desta quinta-feira (15), pelo horário de Brasília.

A fusão (the merge, em inglês) reduz drasticamente a emissão de carbono no processo de validação da rede e abre espaço para a entrada de novos investidores. Apesar do clima negativo da macroeconomia global ainda pressionar o mercado cripto, analistas acreditam que o token deve se valorizar no médio e longo prazo.

Por volta das 16h55, o ETH operava perto da estabilidade, com queda de 0,06%, negociado a US$ 1.605, segundo dados da Binance disponíveis na plataforma TradeMap.

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O movimento, porém, contraria a forte valorização da moeda nos últimos meses. Desde o fundo do poço, em junho, a cripto já subiu cerca de 60%.

O Bitcoin (BTC) segue andando de lado com a pressão por venda dos investidores após dados da inflação americana virem acima do esperado, o que aumenta a possibilidade de aceleração dos juros por lá.

Na mesma hora, a cripto registrava queda de 1%, vendida a US$ 20.079

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