Enquanto as Bolsas estrangeiras tiveram um dia de fortes baixas à espera da decisão de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) nesta quarta-feira (21), o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,62%, aos 112.516 pontos, com grandes bancos em destaque.
Com a alta de hoje, dia com R$ 21,95 bilhões em volume negociado, o Ibovespa passou a acumular valorização de 2,73% no mês de setembro. O saldo desde o início do ano, por sua vez, é de ganho de 7,34%.
No exterior, enquanto isso, a tendência foi negativa. Em Nova York, o S&P 500 teve baixa de 1,13%, o Dow Jones caiu 1,01% e o Nasdaq recuou 0,95%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com perdas de 0,93%.
À espera da superquarta
Os mercados operam em compasso de espera um dia antes de decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil.
Nos EUA, a expectativa é de um terceiro aumento de 0,75 p.p (ponto percentual) na taxa de juros, que subiria para a faixa de 3% e 3,25%. Os dados piores do que o esperado com a inflação aos consumidores divulgados na semana passada, porém, abriram brecha para alta ainda mais agressiva, de 1 p.p.
Por aqui, ao contrário do cenário americano, a maioria do mercado aposta no encerramento do ciclo de alta dos juros no atual patamar de 13,75% ao ano. Parte do mercado, porém, ainda acredita em uma última elevação residual, de 0,25 p.p., colocando fim a trajetória de alta em 14% ao ano.
Na Ásia, o banco central da China (PBoC) manteve a taxa do país inalterada em 3,65%, em linha com as expectativas.
Meirelles e bancos animam mercados
No cenário doméstico, o mercado segue repercutindo a declaração de apoio do ex-ministro da Economia, Henrique Meirelles, à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Com isso, ainda que Lula não queira antecipar nomes para a economia, dizendo que o fará apenas após uma eventual vitória, o mercado colocou nos preços uma elevação de probabilidade de Meirelles assumir um cargo de frente na economia” explica Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, em comentários ao mercado.
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O economista explica que Meirelles é lembrado por ter implementado instrumentos de controle fiscal no governo do ex-presidente Michel Temer, além de ter mais bagagem do que outros nomes que vinham sendo considerados pelo mercado.
Além do cenário político, a valorização das ações dos grandes bancos também ajudou a sustentar o sinal positivo do Ibovespa. No fechamento, Itaú (ITUB4) tinha alta de 3,32%, Banco do Brasil (BBAS3) subia 1,52%, Santander (SANB11) ganhava 2,59% e Bradesco (BBDC4) avançava 3,23%.
De acordo com o Morgan Stanley, em relatório publicado no site Infomoney, os bancos devem apresentar fortes resultados no próximo ano. “Os bancos brasileiros de grande capitalização continuam a ver um crescimento de empréstimos de dois dígitos em 2023, impulsionado por pessoas físicas, PMEs (pequenas e médias empresas) e empresas de alta renda”, afirmou a instituição.
Para o analista da INV, Nicolas Merola, os papéis de bancos podem “trazer conforto para o investidor”, destacando o fato de esses ativos serem de empresas já consolidadas e consideradas “seguras” por parte do mercado.
Altas e baixas do pregão
Os bancos podem ter sido os maiores responsáveis pela alta do índice, mas outras ações também se destacaram. As maiores altas do dia foram de Carrefour (CRFB3), Embraer (EMBR3) e Bradesco ON (BBDC3), de 4,06%, 3,78% e 3,67%, respectivamente.
A Embraer comprou uma participação minoritária na XMobots, considerada a maior fabricante de drones civis na América Latina, por um valor não divulgado.
Segundo a Embraer, a nova empreitada visa dar mais velocidade ao mercado de drones autônomos de médio e grande porte, além da exploração de novos nichos de mercado e a ampliação da rede de pesquisas em tecnologia na empresa e na Embraer-X, a incubadora da companhia com sede nos EUA.
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Na ponta oposta, os papéis que mais caíram foram os de Ecorodovias (ECOR3), CVC (CVCB3) e CSN (CSNA3), com perdas de 4,39%, 3,92% e 3,89%, nesta ordem.
A CSN recua após a Usiminas (USIM5) enviar uma petição ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) se mostrando contrária a uma decisão do próprio órgão que permitiu a CSN deter uma participação superior a 5% da empresa.
Em 2014, o Cade definiu que a CSN deveria vender uma participação de 17% na Usiminas dentro de cinco anos. Em 2019, a CSN conseguiu uma extensão de mais três anos para completar essa venda. Atualmente, a CSN possui 12,9% do capital da concorrente, com 15,1% das ações ordinárias e 10% das preferenciais, de acordo com a B3.
O dia também foi de quedas para o setor como um todo, refletindo a baixa de 2,06% no minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian, para US$ 99,23 por tonelada, diante de notícias sobre queda nas vendas de imóveis na China, levantando dúvidas sobre a demanda.
A CVC, por sua vez, anunciou que está interessada em comprar a Oner Travel, startup de turismo com operações no Brasil e em Portugal voltada para agentes de turismo que comercializam passagens aéreas e hospedagens de maneira autônoma.
Na avaliação de Sérgio Castro, analista CNPI da Agência TradeMap, a compra está alinhada com a estratégia de crescimento inorgânico da empresa e tem potencial para ampliar os canais de distribuição da CVC, aumentando a divulgação de seus produtos e a chance de vendas.
Fora do Ibovespa, a Rossi Residencial (RSID3), do setor imobiliário, despencou 10,79% após informar que ajuizou um pedido de recuperação judicial perante a 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo.
Em fato relevante, a companhia disse que o pedido representa “uma etapa fundamental no processo de equacionamento econômico-financeira do Grupo Rossi, iniciado em dezembro de 2017, com a reestruturação de dívidas corporativas contratadas junto a instituições financeiras”.
Criptoativos
O mercado de criptoativos esboçou recuperação nas primeiras horas desta terça-feira, mas voltou a cair com a pressão da expectativa dos investidores pelos novos rumos dos juros americanos.
Mais do que o número da nova taxa, investidores devem ficar atentos ao recado sobre as diretrizes do Fed para o futuro da política monetária e a estratégia para o combate da inflação, que em agosto surpreendeu negativamente os analistas.
“O momento exige resiliência do investidor de cripto, que terá que esperar a inflação diminuir para o patamar desejado pelo Fed”, afirmou Ayron Ferreira, analista-chefe da Titanium Asset.
Por volta das 16h50, o Bitcoin (BTC) registrava recuo de 2,5%, negociado a US$ 19.052, segundo dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.
Dando margem ao quadro de baixa pós-atualização, o Ethereum (ETH) segue sofrendo com a ponta macroeconômica e com a liquidação massiva de investidores após a SEC, o xerife do mercado financeiro americano, indicar que os tokens da nova rede integram a regulamentação formal do órgão.
Na mesma hora, o ETH operava praticamente na estabilidade, com leve queda de 0,07%, vendida a UX$ 1.358, conforme dados da Binance.