BTG (BPAC11) entra na lista de ações mais indicadas e Vale (VALE3) cai uma posição – veja ranking

Setor bancário é destaque em momento de incerteza política, dizem analistas

Foto: Shutterstock/SERGIO V S RANGEL

O ranking das cinco ações mais recomendadas pelos analistas do mercado, elaborado mensalmente pela Agência TradeMap, tem o papel do BTG Pactual (BPAC11) como novidade para o mês de novembro.

O banco de investimento tomou o lugar da Ambev (ABEV) e assumiu a quinta posição, ao ser incluído na carteira recomendada de cinco diferentes instituições financeiras. É a primeira vez no ano que o BTG aparece no ranking.

Por mais um mês, o topo da lista continua com o Itaú Unibanco (ITUB4), de acordo com as carteiras recomendadas de 14 corretoras – mesmo após ter anotado valorização de 8,3% durante o mês de outubro.

A Vale (VALE3), porém, que dividiu com o banco o primeiro lugar do pódio do ranking de ações mais recomendadas do mês passado, perdeu uma posição, e agora compartilha o segundo lugar com a Prio (PRIO3), que subiu duas posições. Cada uma tem oito recomendações.

A rede de atacarejo Assaí (ASAI3), que estava em terceiro em outubro, também caiu uma colocação e tem sete indicações.

O que dizem os analistas

Na avaliação de analistas do BB Investimentos, o momento pode estar se tornando mais favorável para empresas expostas à economia doméstica, como o Assaí. “O término das eleições reduz a incerteza, o que pode privilegiar companhias mais expostas ao mercado interno no contexto da retomada econômica”, afirmam.

Analistas do BTG Pactual apontam ainda que a companhia, assim como as varejistas voltadas para o público de baixa renda no geral, deve se beneficiar da prorrogação do Auxílio Brasil de R$ 600 por mês, que parece certa.

Também em relação à eleição, o BTG avalia que as empresas de serviços financeiros tendem a se sair bem independentemente de quem esteja no cargo – e, no setor, reafirma sua preferência pelo Itaú.

Nessa frente, analistas da Safra Corretora indicam o investimento em BTG Pactual, acreditando que o banco deve registrar resultados fortes no terceiro trimestre.

De outro lado, o BB-BI enxerga riscos em relação ao mercado externo, diante de dados mistos da economia americana e balanços preocupantes de algumas das principais empresas do país, sobretudo as do setor de tecnologia. A frustração em relação ao crescimento econômico chinês também segue no radar, apontam os analistas, pressionando setores mais dependentes da atividade do país, como siderurgia e mineração.

Apesar de a demanda por petróleo também ter forte relação com a economia chinesa, os preços da commodity seguem em patamares elevados, segundo o BTG, o que justifica sua indicação de Prio.

Confira os cinco papéis mais indicados para o mês de novembro. Vale ressaltar que mais de uma ação recebeu cinco indicações, e a liquidez foi usada como critério para a seleção final.

Itaú (ITUB4)

A posição do Itaú como o nome de maior qualidade dentro do setor bancário, que já colocava as ações na carteira recomendada da Safra Corretora em meses anteriores, se torna um atrativo ainda maior no cenário de incerteza pós-eleitoral, afirmam os analistas, que apontam também os fortes resultados dos últimos trimestres como pontos que jogam a favor do investimento na ação.

O BTG também reconhece os bons resultados do banco nos últimos trimestres, e aponta que o lucro deve continuar a subir nos próximos trimestres: a expectativa dos analistas é de um crescimento de cerca de 20% nos lucros neste ano e de 15% no ano que vem.

Já o Santander segue citando a estratégia phygital do banco, que combina as operações físicas e digitais, como um diferencial entre os grandes bancos brasileiros. O PagBank, por sua vez, menciona o conservadorismo do Itaú como sendo sua principal vantagem frente a seus pares.

Prio (PRIO3)

Mesmo considerando o desempenho de mais de 71% das ações da Prio desde o início do ano, a opinião dos analistas do BTG é que há espaço para mais, uma vez que a companhia se encontra, na visão do banco, em uma posição única no setor de petróleo e gás brasileiro, com uma forte curva de crescimento de produção, espaço para cortar custos e balanço saudável.

Veja análise:
Sem rodeios, Prio (PRIO3) fica mais eficiente e lucro dispara

Além disso, o banco vê a Prio como uma das melhores opções do setor diante do crescimento da percepção de risco da Petrobras (PETR4), agravado pelas incertezas políticas. Assim, considerando também uma visão ainda otimista para o preço do petróleo, o BTG adicionou a petroleira à sua carteira neste mês.

Outra casa que passou a recomendar a ação em novembro foi o Safra, que menciona também o bom histórico de aquisição e de melhora de eficiência dos campos de petróleo da companhia, assim como seu sólido plano de negócios com foco em campos off-shore maduros.

“Temos uma visão construtiva sobre as produtoras independentes de petróleo, as chamadas ‘juniors’, baseada nas perspectivas de crescimento e em patamares altos de preços de petróleo nos próximos meses. Nesse universo, a Prio é a nossa preferida”, resumem os analistas do Itaú BBA.

Vale (VALE3)

Apesar de ter caído de posição, a Vale segue invicta na lista, tendo composto a carteira de ações mais recomendadas em todos os meses deste ano. Na avaliação da Guide Investimentos, ainda que os resultados da mineradora não tenham sido animadores no último trimestre, o preço das ações segue descontado, o que justifica sua indicação.

Leia mais:
Vale (VALE3): Goldman fica mais pessimista com minério de ferro mais baixo e corta projeções – entenda

A corretora menciona ainda a potencial cisão da unidade de metais básicos da companhia, que poderia destravar valor no curto prazo.

A Órama Investimentos, por sua vez, argumenta que, mesmo que o preço do minério de ferro venha caindo, a expectativa é que a commodity se mantenha acima da média histórica, de US$ 75 por tonelada, o que ainda assegura bons preços, ampla geração de caixa e alta capacidade de pagamento de proventos para a Vale.

O Safra aponta ainda que o prêmio de qualidade para o minério vendido pela Vale tende a se manter próximo ao nível atual, diante do contexto de busca de maior eficiência e de padrões ambientais elevados pelas siderúrgicas.

Assaí (ASAI3)

Como já mencionado, o Assaí deve se beneficiar do pagamento de auxílios governamentais, como o Auxílio Brasil de R$ 600, que tende a impulsionar a venda de alimentos. “Considerando o momento atual, em que o consumidor está com seu poder de compra pressionado, e dado o alto nível de inflação nos últimos meses, em especial na categoria de alimentos, enxergamos o segmento de atacarejo bem posicionado, visto a competitividade de preços apresentada no formato”, afirmam analistas da Santander Corretora.

Veja:
Assaí (ASAI3): lucro cai 48% após desembolsos com Extra e peso dos juros, mas supera expectativa

A Guide, por sua vez, menciona a forte geração de caixa, o crescimento acelerado, a estratégia de expansão bem definida e a experiência do time de gestão como pontos de destaque da varejista.

Para o Santander, estes mesmos pontos devem permitir uma expansão futura, juntamente com a recente aquisição de 71 lojas da rede de hipermercados Extra, que tende a acelerar estes planos de crescimento.

BTG Pactual (BPAC11)

Finalmente, a ação que completa a lista de papéis mais recomendados é a do BTG Pactual. O Safra, que passou a indicar o investimento no BTG neste mês, baseia sua recomendação na expectativa positiva para o terceiro trimestre.

Leia mais:
Vale investir no BTG Pactual (BPAC11) com bancões ganhando rentabilidade? Veja o que diz o Itaú BBA

“O BTG deve apresentar um forte resultado, beneficiado pelo desempenho consistente das áreas de wealth e asset management e corporate lending, além de ventos favoráveis da Selic elevada na lista de interest and others”, afirmam os analistas do Safra.

A Órama também aponta que o patamar elevado da taxa de juros é benéfico para o banco, pois resulta em maiores spreads nas operações de intermediação e gera novas possibilidades de estruturação e prestação de serviços.

Na avaliação da Órama, os grandes ativos do BTG são a excelência de seu time e sua capacidade de entrega, que permitiram um notável crescimento de operações ao longo dos últimos dois anos, especialmente em gestão de fortunas. Para o Safra, o banco apresenta uma combinação única de fortes resultados operacionais, diversificação de linhas de negócio e potencial de crescimento no varejo.

Compartilhe:

Leia também:

Destaques econômicos – 02 de abril

Nesta quarta (02), o calendário econômico apresenta importantes atualizações que podem influenciar os mercados. Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   04:00 –

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.