Mercado eleva previsão para Selic de novo; entenda como taxa mais alta afeta empresas

O aumento da taxa de juros chegou para ficar, e deve fazer estrago em muitos balanços

Os veteranos dizem que o Brasil voltou às suas origens. A taxa de juros do país voltou a beirar os dois dígitos.

Foto: Pixabay

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Os veteranos do mercado dizem que o Brasil voltou às suas origens. Com a taxa de juros beirando os dois dígitos, a Selic voltou ao patamar de meados da década passada em função de uma conjuntura crítica, e deve continuar a subir, segundo as estimativas do mercado. 

O Boletim Focus do Banco Central (BC), publicado hoje e que reúne estimativas de instituições financeiras a respeito de uma série de indicadores econômicos, mostrou que a previsão dos especialistas para a Selic ao fim deste ano aumentou para 11,75%. A última vez em que a taxa ficou perto deste nível foi em 2017. 

A Selic, que aqui no Brasil nada mais é que o preço do dinheiro, é utilizada pelo BC como ferramenta de política monetária para controlar os desequilíbrios da economia. O maior deles – em 2021 e, talvez, neste ano – é a inflação acima da meta. 

O aumento dos preços de forma generalizada na economia tira o poder de compra da população. Por outro lado, o dinheiro mais caro desestimula investimentos, de empresas e consumidores.

O aumento da taxa de juros chegou para ficar, e deve fazer um estrago em muitos balanços corporativos. 

Efeitos primários do aumento da taxa de juros

À primeira vista, o aumento da taxa de juros tem um efeito devastador nos balanços das empresas no que tange ao aumento do custo de capital. 

Para se financiarem com o intuito de investirem nas próprias operações, as empresas precisam captar recursos. Se não fizerem isso através do mercado de capitais, com a emissão de ações, buscam empréstimos.

Estes empréstimos, em muitos casos, são reajustados com base na taxa de juros corrente no país, ou então o CDI, próximo disso. Caso contrário, são corrigidos por uma taxa acrescida da inflação – que também passa por maus bocados.

Saiba mais:
Como a alta da Selic mexe com o setor bancário?

Do outro lado, o ciclo de alta da taxa de juros também prejudica o valuation das empresas e, dessa forma, como elas são observadas no mercado. O desempenho das ações tende a convergir para o valor justo das companhias ao longo do tempo, mas essa mensuração é mutável.

Com maior custo de capital e taxa de juros mais alta, o valor do dinheiro ao longo do tempo se torna mais relevante. 

Do ponto de vista de avaliação do valor de uma empresa, as companhias que investem nelas mesmas visando crescimento futuro tendem a sofrer mais. Isso porque muitas vezes elas abrem mão da lucratividade hoje, para usufruir de volumes maiores no futuro. 

Na análise de uma empresa com essas características, os fluxos de caixa positivos ficam no futuro. Esses, por sua vez, são abatidos por uma taxa de desconto, usualmente uma taxa de juros de longo prazo livre de risco. 

O valor de uma empresa está centrado na soma dos fluxos de caixa até este futuro, adicionado de um valor na perpetuidade. Se a taxa de desconto – que acompanha a taxa de juros – aumenta, naturalmente sobra menos dinheiro e, assim, menos valor.

Por outro lado, empresas maduras que têm seu crescimento em linha com a economia, se não menor, geram mais caixa e valor aos investidores hoje, sendo menos impactadas negativamente por essa dinâmica na percepção do valuation. 

O peso da Selic em balanços

No Brasil, alguns setores são dependentes de um ambiente mais estimulante ao investimento. Com a taxa de juros em menor patamar, companhias desses segmentos tendem a gerar mais valor com base na dinâmica das suas operações. 

Esse é o caso do setor de locação de veículos. Uma das particularidades do setor é que ele é intensivo em capital, ou seja, usa muito dinheiro para a compra de novos veículos.

Os recursos para isso são levantados por meio de dívida, geralmente atrelada ao CDI, seja por empréstimos bancários ou emissão de debêntures. 

A Localiza (RENT3), maior empresa do setor, detém um endividamento bruto de R$ 10,75 bilhões. Do total, 84% estão ligados ao CDI, seja num spread travado ou em porcentagem. Com isso, os atuais R$ 9,03 bilhões da dívida no balanço variam conforme a dança da taxa de juros. 

Crescimento do endividamento bruto da Localiza

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Além disso, o setor mensura a geração de valor pela diferença entre o custo de capital – este que está aumentando – e o Retorno sobre Capital Investido (ROIC). A rentabilidade terá de acompanhar. 

Embora seja um segmento promissor do ponto de vista de oportunidades operacionais em 2022, em função de razões como alto desemprego e turismo interno no país, a locação de veículos deverá superar os desafios caso queira dar continuidade ao crescimento dos últimos períodos. 

Alto endividamento, inadimplências e receita dolarizada

O aumento da Selic tende a trazer preocupações a empresas que possuem alto endividamento, de uma forma geral, sem acepção de segmentos. 

A dívida bruta das empresas listadas ultrapassa a marca de R$ 1 trilhão, e empresas alavancadas como a BRF (BRFS3), que tem lutado contra o alto endividamento, podem sofrer com o aumento da taxa de juros em seu balanço. 

O frigorífico terminou o terceiro trimestre com endividamento bruto de R$ 24,40 bilhões, sendo R$ 7,91 bilhões em moeda local. 

A maior parte da dívida da empresa está atrelada à inflação, que supera os dois dígitos nos últimos 12 meses, e o CDI, que disparou com a elevação da Selic. 

Um exemplo é o capital levantado com debêntures. Tais papéis em dezembro de 2020 custavam 8,28% ao ano, e agora estão com uma taxa de 14,36% anuais.

As empresas do varejo também são companhias para se manter no radar. Devido à alta sensibilidade ao consumo popular, as varejistas devem navegar mares agitados durante o ciclo de alta da Selic até que, ao menos, ele termine. 

O Magazine Luiza (MGLU3), gigante varejista que extrapola o próprio setor, tem apostado no crescimento do MagaluPay, que já possui mais de 4 milhões de contas abertas. Além disso, a empresa também tem expandido crédito para os sellers por meio de seu FIDC.

O aumento do custo do dinheiro pode pesar sobre a inadimplência das atividades de concessão de crédito e cartão de crédito. Os recebíveis de cartão de crédito, inclusive, são contabilizados pela empresa junto ao caixa e disponibilidades. 

Volatilidade do montante em disponibilidades do Magazine Luiza 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Em um impacto secundário, o aumento da taxa Selic tende a trazer mais dólares para dentro das fronteiras brasileiras. Com mais moeda americana em circulação, o real é apreciado ante a principal divisa do mundo.

Isso ocorre em função do hot money, fluxo de capital entre países em busca de produtos financeiros de curto prazo, líquidos e com boa segurança, além de pagarem mais do que o tradicional bond americano. 

Dessa forma, empresas com receita dolarizada tendem a sentir certa desvalorização da moeda dos Estados Unidos. A Weg (WEGE3), por exemplo, detém 52% de sua receita no exterior. 

No terceiro trimestre, a receita operacional líquida (ROL) oriunda do exterior somou R$ 3,26 bilhões, considerando o dólar a R$ 5,23. 

Esse patamar, inclusive, é menor do que o atual, mas ainda considerado alto por especialistas do mercado – embora poucos se atrevam a fazer estimativas sobre o câmbio. 

As beneficiadas pela taxa de juros

Se, por um lado, há quem lamente o aumento da Selic, há quem veja com bons olhos. A dinâmica operacional e estrutura de capital de alguns setores, como o bancário e de seguros, tende a se beneficiar de uma taxa de juros mais alta.

No caso das instituições financeiras, está implícito. Em suma, o principal motor de geração de dinheiro dos bancos é a diferença entre os juros cobrados pelos empréstimos e o custo de captação dos recursos. 

Quando a taxa de juros está em um patamar alto, a margem de manobra das instituições é maior, podendo cobrar mais pelos empréstimos, dado que esta será a realidade do mercado. O custo de captação também sobe, mas em ritmo mais lento.

Obviamente, também há pontos de atenção. Como já citado, as inadimplências podem subir e, eventualmente, as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) também, embora os índices de falta de recebimento dos empréstimos estejam sob controle atualmente.

Já do ponto de vista das seguradoras, a alta taxa de juros deve aliviar a preocupação com a sinistralidade dos últimos meses. 

Uma das fontes de receita das companhias do segmento são aplicações feitas no mercado financeiro, a maior delas em renda fixa, com rentabilidade atrelada à Selic. 

Isso ocorre pois o modelo de negócio prevê o recebimento dos prêmios antes dos gastos com sinistros. Cifras maiores podem dar um gás ao resultado financeiro, tão prejudicado durante o período em que a taxa de juros estava em 2% por aqui. Maior Selic, maior retorno sobre capital.

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