Raízen (RAIZ4) renova mínima histórica enquanto taxa de aluguel atinge recorde

Fonte: Shutterstock

As ações da Raízen (RAIZ4) caíram na terça-feira (10) e fecharam a R$ 0,77, o menor preço de fechamento da história, em meio à intensificação das preocupações do mercado com a estrutura de capital da companhia. No mesmo dia, a taxa média de aluguel dos papéis alcançou 41,07%, o maior nível da série histórica, sinalizando o aumento das apostas na queda do ativo. 

 

O movimento ocorreu após a empresa informar, na segunda-feira (9), a contratação da Rothschild & Co como assessora financeira para avaliar alternativas relacionadas ao endividamento e à liquidez, além dos escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP como assessores legais. A companhia ressaltou que as análises estão em estágio preliminar e exploratório, sem compromisso vinculante até o momento. 

O anúncio ocorreu após a decisão da Cosan (CSAN3), controladora da Raízen ao lado da Shell, de resgatar títulos com cláusula de inadimplência cruzada com a subsidiária, movimento interpretado pelo mercado como sinal de maior cautela em relação a novos aportes. 

Na mesma sessão, Fitch, S&P Global e Moody’s rebaixaram os ratings da Raízen, levando à perda do grau de investimento e ampliando a pressão sobre os ativos. A Fitch cortou o rating global de ‘BBB-’ para ‘CCC’ e o nacional para ‘CCC (bra)’. A S&P reduziu a nota global para ‘CCC+’, com perspectiva negativa, e a nacional para ‘brCCC+’. A Moody’s rebaixou o rating para ‘Caa1’, também com perspectiva negativa. 

As agências citaram o aumento do risco de reestruturação da dívida, a liquidez pressionada e o ambiente operacional mais adverso para açúcar e etanol. A companhia encerrou o segundo trimestre da safra 2025/26 com dívida líquida de R$ 53,4 bilhões, alta de 48,8% em relação ao ano anterior, em meio à queima de caixa e a safras abaixo do esperado. 

O mercado acompanha ainda a possibilidade de venda de ativos e eventual capitalização. Segundo divulgado, a Mercuria Energy Group estaria próxima de adquirir ativos da Raízen na Argentina. A companhia enfrenta um ambiente desafiador, marcado por juros elevados, safras abaixo do esperado e investimentos relevantes em projetos como etanol de segunda geração e combustível sustentável de aviação, que ainda não trouxeram retorno significativo, mantendo elevada a incerteza sobre o desempenho no curto prazo. 

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