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Santander (SANB11): carteira de crédito estaciona e provisões pressionam resultado

Santander (SANB11): carteira de crédito estaciona e provisões pressionam resultado

A carteira de crédito do Santander encerrou março em R$ 455,16 bilhões, 1,6% menor do que o reportado em dezembro de 2021

Como tradicionalmente acontece, o Santander (SANB11) abriu a temporada de balanços das empresas integrantes do Ibovespa.

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Como tradicionalmente acontece, o Santander (SANB11) abriu a temporada de balanços das empresas integrantes do Ibovespa. No primeiro trimestre deste ano, o banco apresentou resultados pressionados pelo cenário adverso na economia.

Entre janeiro e março de 2022, o Santander reportou um lucro líquido recorrente de R$ 4 bilhões, alta de 1,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro antes de impostos, contudo, caiu 13,7%, saindo de R$ 6,46 bilhões para R$ 5,58 bilhões. Isso aconteceu porque a alíquota efetiva foi menor. 

A margem financeira bruta teve crescimento tímido de 3,8% em um ano, para R$ 13,83 bilhões — principalmente com a participação dos clientes nesta conta. 

A margem de produtos com os clientes disparou 24,8% em 12 meses, para R$ 13,16 bilhões. Isso é resultado da maior participação dos clientes de vinculação (aqueles que têm mais de seis produtos com o banco).

A maior pressão vem das operações com o mercado. O setor bancário tende a sofrer com a volatilidade da curva de juros neste momento de contração monetária e ciclo de elevação da Selic. Com o Santander não foi diferente.

O balanço menos otimista da instituição carrega os demais bancos para o mesmo caminho. Todo o setor opera no vermelho. O Banco Inter (BIDI11), que tem índices de inadimplência acima da média do segmento, por exemplo, lidera as baixas do índice no pregão.

O reflexo da percepção do mercado é o movimento das ações na sessão desta terça-feira (26). Por volta das 12h30, as units do Santander estavam entre as maiores baixas do Ibovespa, com queda de 5%, a cerca de R$ 31,94.

Carteira de crédito desacelera ante 2021

A carteira de crédito do Santander encerrou março em R$ 455,16 bilhões, número 1,6% menor do que o reportado em dezembro do ano passado.

A maior contribuição negativa veio de grandes empresas, com um volume 7,7% menor, a R$ 116,10 bilhões. A dificuldade em manter a trajetória de crescimento segue a tendência de desaceleração econômica no país.

Com o custo do dinheiro mais alto, as empresas tendem a captar menos recursos e, consequentemente, investir menos. Com menor crescimento, há menos emprego e menos renda, o que pressionou a demanda das pessoas físicas — maior faixa da carteira de crédito da instituição.

A carteira com PFs subiu 1% na base trimestral, para R$ 212,34 bilhões. Na teleconferência de resultados na manhã desta terça, o banco reiterou que o alto endividamento das famílias é um empecilho para o crescimento da carteira neste momento.

De acordo com a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), 77,5% das famílias do país estavam atreladas a dívidas no mês passado, maior patamar em 12 anos. 

O cenário indica que parte deste endividamento tem relação com os gastos ordinários da população. Por outro lado, a boa notícia é que cerca de 67% da carteira de pessoas físicas tem garantias, segundo o banco. 

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A tempestade perfeita das operações de crédito do Santander também foi complementada pelo aumento da taxa de inadimplência, o que já era amplamente esperado pelo mercado mas que aparentemente veio pior do que as estimativas. 

Os índices de inadimplência acima de 90 dias saíram de 2,1% em março do ano passado para 2,9%, considerando a carteira inteira. Enquanto a qualidade da carteira cai, o risco aumenta dado que a cobertura para as dívidas acima de 90 dias está em 215%, menor que nos últimos trimestres.

Com isso, não tem para onde correr: a PDD (Provisões para Devedores Duvidosos) saltou 19% em três meses, chegando a R$ 5,35 bilhões, ao passo que as recuperações de créditos ficaram menores. 

Monetização de clientes é alvo do Santander

O Santander encerrou o primeiro trimestre com 54,8 milhões de clientes.

O banco deu destaque às captações em março, quando foram incluídos 940 mil clientes, sendo que 67% chegaram por meios digitais. 

No trimestre, porém, a adição foi de 1,4 milhão de clientes, equivalente a 22,95 mil aberturas de contas por dia útil. A métrica é bem menor que a reportada pelo Banco Inter, em sua prévia operacional do primeiro trimestre.

O foco do banco, todavia, está em monetizar essa base de clientes que já é bastante robusta. Isto é, transformar eles em clientes ativos e, posteriormente, vinculados. A receita gerada por um usuário vinculado é 5,6 vezes maior.

No primeiro trimestre deste ano, esse trabalho foi bem sucedido. A receita de um cliente ativo cresceu 15% na comparação com o mesmo período de 2020, ao passo que 27% dos clientes ativos já são vinculados.

Vale dizer que o Santander tem se movimentado para fazer frente à concorrência com diminuição de despesas típicas de “bancão” e aceleração da digitalização. 

Mesmo com um fluxo de 15 milhões de pessoas nas agências mensalmente, o Santander fechou 200 unidades em três meses e, atualmente, tem 1,78 mil unidades. O Banco do Brasil, por exemplo, tem cerca de 3,9 mil agências, que por essa e outras razões, é menos eficiente que seus pares privados. 

A resposta do mercado ao resultado do Santander reflete a expectativa para os próximos meses do setor bancário que, de fato, não são promissoras. A tendência, entretanto, é que a reprecificação dos produtos, com maior spread em decorrência da maior taxa de juros, possa ser benéfica para o segmento.

Esse contexto, com potencialmente melhores margens, pode favorecer a rentabilidade dos bancos. No caso do Santander, o ROAE (Retorno sobre Patrimônio Líquido Médio) ficou em 20,7% no primeiro trimestre de 2022, alto patamar contínuo e satisfatório para o banco.

Na visão de especialistas do mercado, esse não é o momento de vender as ações do Santander. Tampouco comprar, na verdade.

Dados compilados pela Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, mostram que de 14 recomendações, dez são de manutenção das ações do banco e quatro de compra dos papéis.

O preço-alvo mediano indicado para o Santander é de R$ 41, upside de 28% sobre o preço atual de negociação. 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

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