Crise para quem? Veja empresas com clientes de alta renda que podem salvar carteiras em 2022

Mercado acionário oferece oportunidades para navegar a manutenção do poder de compra de parte da população

Empresas que trabalham com o público de alta renda tendem a superar os momentos de crise econômica no Brasil.

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A economia brasileira em 2022 é uma completa incógnita. Em um possível cenário de recessão, as empresas da Bolsa podem encarar mais um ano de dificuldades, depois de o Ibovespa, principal índice do mercado acionário local, ter acumulado em 2021 a primeira perda desde 2015. 

A bolsa brasileira contempla as maiores e melhores empresas do país, ou seja, as mais preparadas para saírem melhores das crises, tão recorrentes no Brasil. Contudo, há setores que podem surfar com maior tranquilidade momentos de instabilidade, e setores que terão meses mais desafiadores. 

Neste contexto, existem players mais preparados para enfrentar a inflação galopante, taxa de desemprego em dois dígitos e Selic pouco estimulante. Via de regra, são empresas que trabalham com o público de alta renda – e em alguns casos estão com as ações bem descontadas. 

O mercado acionário local oferece oportunidades aos investidores que queiram exposição a estas empresas, voltadas a consumidores com poder de compra mais alto e estável que o restante da população, sobretudo enquanto ainda existem algumas condições extraordinárias e impeditivas para o consumo de bens e serviços no exterior. Confira algumas das opções.

Gafisa

A Gafisa (GFSA3), uma das principais construtoras e incorporadoras do Brasil, voltou com tudo. 

Após cerca de dois anos sem lançamentos, recentemente a companhia realizou um aumento de capital e novos trabalhos com valor geral de vendas (VGV) na ordem de R$ 1,56 bilhão.

A empresa quer focar no público de alta renda no segmento imobiliário, sendo 75% em São Paulo e 25% no Rio de Janeiro. 

No Leblon, região mais cara do Brasil, inclusive, a empresa venderá apartamentos de 350 metros quadrados por R$ 110 mil cada metro. Ou seja, as unidades custarão ao menos R$ 38,5 milhões cada. 

Com mais de 60 anos de vida, sendo 15 enquanto empresa de capital aberto no Novo Mercado, a empresa vem de quatro trimestres consecutivos de lucro líquido, revertendo todo o prejuízo do mesmo período imediatamente anterior.

Segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a inflação para os mais pobres foi 15% superior à dos mais ricos no último ano.

O aumento dos preços na economia tem corroído a renda de todos os brasileiros, mas os mais abastados possuem uma maior flexibilidade e, consequentemente, maior possibilidade de consumo. E se tem uma coisa que os brasileiros gostam de fazer é “proteger” o próprio capital alocando em imóveis.

A Gafisa mostra-se preparada para surfar o capital acumulado do público de alta renda, alavancando de uma vez por todas seu turnaround. As ações da empresa caíram 53% em 2021, levando o market cap da companhia para R$ 681 milhões. 

Trisul

A segunda empresa da lista também está ligada ao setor de construção civil. O segmento sofreu na mão dos investidores em 2021, com a aversão ao risco em função da alta da Selic.

Os papéis da Trisul (TRIS3), por exemplo, perderam quase metade do valor no acumulado de 2021. A empresa, mesmo assim, mostrou resultados satisfatórios, principalmente por estar ligada aos públicos de média e alta renda.

Vale destacar que a companhia segue com uma estrutura de capital conservadora, com o endividamento controlado. A relação entre dívida líquida e o patrimônio líquido da Trisul, um dos melhores indicadores relacionados à alavancagem do setor, está em 0,16 vez.

O múltiplo preço/lucro (P/L) está em menos de sete vezes. Ou seja, caso a empresa deixe de crescer, os investidores receberão o retorno do investimento em sete anos, por meio do lucro por ação (LPA). Uma estagnação da Trisul, porém, é improvável, dado que o lucro da empresa cresceu de forma ponderada 52% ao ano nos últimos cinco anos.

Múltiplo P/L da Trisul está abaixo da média histórica

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

O banco de terrenos da Trisul está bem posicionado em São Paulo, sobretudo em áreas nobres, onde também se concentram as buscas da empresa.

As vendas vinham fortes, mas desaceleraram em outubro. Além disso, a construtora entregou cerca de R$ 1,7 bilhão em lançamentos em 2021, número inferior ao reportado no ano anterior. 

Porém, o mercado espera que um dos maiores riscos ligados ao setor, que são os custos de produção, diminua ao longo do ano, com a readequação da oferta e demanda global no que se refere às commodities. 

A companhia vale R$ 1,11 bilhão na B3. 

JHSF

A terceira empresa também tem relação com o setor imobiliário, mas com o desenvolvimento e administração de projetos multiprodutos. 

A JHSF (JHSF3) atua com incorporação, renda recorrente, hospitalidade e gastronomia e aeroporto executivo internacional de clientes de alta renda no Brasil. 

Na primeira parte, a operação concentra-se em todas as etapas do processo de incorporação imobiliária, desde a avaliação de oportunidades até as vendas e administração das unidades. 

Nesse sentido, atualmente a companhia está voltada às vendas dos estoques existentes da Fazenda Boa Vista e nas unidades de lançamento do Fasano Cidade Jardim, empreendimento residencial em área nobre de São Paulo. 

No espectro da renda recorrente, a JHSF é desenvolvedora e operadora de shopping centers há mais de 20 anos. Atualmente, são 66.741 m² de Área Bruta Locável (ABL) e mais 87.463m² em construção, com previsão de entrega entre o segundo semestre deste ano e o primeiro semestre de 2024. 

Hotéis e restaurantes também são sinônimos da marca JHSF. São oito hotéis em operação – incluindo o de Nova York, inaugurado em 2021 – além de 26 restaurantes e bares em sete cidades.

Agora, a ideia da empresa é internacionalizar suas operações, lançando empreendimentos em cidades como Londres, Paris, Miami e Los Angeles. 

No São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, a empresa ganha dinheiro com receita de hangaragem das aeronaves, revenda de combustível e receita de movimentos (pousos e decolagens). É o primeiro aeroporto executivo do Brasil. 

Com a diminuição nas restrições relacionadas à pandemia, a companhia conseguiu elevar seu lucro líquido em 23% no terceiro trimestre, na comparação anual, somando R$ 213,8 milhões. A receita líquida subiu 35% na mesma base comparativa, para R$ 476,3 milhões. 

Caso o combate à Covid-19 seja bem-sucedido, com ou sem a força da economia brasileira, os negócios da JHSF tendem a se fortalecer, recuperando as ações. Os papéis da empresa caíram 24,02% em 2021, levando o market cap para R$ 3,82 bilhões. 

Vivara

A Vivara (VIVA3) é a maior rede de joalherias do Brasil. A empresa atua desde o desenho e criação dos produtos até a entrega de forma verticalizada, incluindo o formato omnichannel. 

O público alvo da empresa é formado por clientes de mais de 30 anos, que buscam “qualidade e sofisticação”. 

De quebra, a empresa procura, por meio de outras linhas de negócio, como Life By Vivara, atender a classe média. No grosso, a empresa visa a alta renda – e tem abocanhado uma boa parte desse público. 

Em seus documentos, a Vivara diz controlar 14,7% do setor de joalheria no País, muito acima de suas concorrentes. A Pandora, uma das concorrentes da Vivara, possui cerca de 2% do market share

Quase dois anos após abrir capital na B3, a Vivara ainda é a única empresa do setor de joias na Bolsa. Também pode representar uma oportunidade aos investidores em meio a uma possível crise em 2022. 

Na contramão dos entraves econômicos do ano passado, o mercado de luxo está ganhando destaque e conseguindo crescer. 

Segundo a Euromonitor International, em 2020, principal ano da pandemia e da crise econômica gerada pela Covid-19, o Brasil teve um recuo menor que o do restante do planeta no setor de luxo, com a receita atingindo US$ 5,22 bilhões.

A consultoria prevê que o Brasil acompanhará o crescimento do mercado mundial no pós-pandemia, com ganhos de 34% nos próximos três a quatro anos. 

Com múltiplos abaixo da média dos últimos 36 meses, com rentabilidade e geração de caixa sustentáveis nos últimos trimestres, a Vivara mostra-se uma boa oportunidade de se proteger da crise brasileira. 

Vivara retoma alto nível de rentabilidade

Fonte: TradeMap
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Multiplan

Voltando ao segmento imobiliário, um dos principais shopping centers que podem surfar a manutenção do poder de compra do público de alta renda é a Multiplan (MULT3).

Trata-se de uma empresa full-service, que além de shopping centers também opera sobre torres comerciais. Atualmente, o portfólio conta com 19 ativos de alto padrão, como Morumbi Shopping e Anália Franco, em São Paulo.

Ao final do terceiro trimestre, a empresa detinha, com participação média de 80,1% nos 19 ativos, uma área bruta locável (ABL) de 835.358 m². O tráfego anual é estimado em 190 milhões de visitas, de acordo com o número de 2019. 

Saiba mais:
Aliansce (ALSO3) e brMalls (BRML3) discutem fusão que criaria gigante

O fluxo de caixa operacional (FFO) da empresa no acumulado dos 12 meses anteriores até o fim de setembro deste ano foi de R$ 590,2 milhões, número inferior ao reportado em 2020, de R$ 1,04 bilhão. Ainda assim, o crescimento anual ponderado foi de 13,6% desde 2007, ano do IPO.

O fluxo de caixa das operações das empresas é o principal elemento a ser observado no setor, uma vez que ele demonstra a geração de caixa que um determinado ativo pode proporcionar. 

Por mais que os últimos meses da Multiplan não tenham sido positivos, os números da companhia são consistentemente superiores aos dos pares, como Iguatemi, brMalls e Aliansce. 

A taxa de inadimplência líquida está em 3,9%, ao passo que a receita de locação de shoppings soma 119,7% do reportado em 2019, mostrando que a recuperação está em curso. 

A maior parte dos analistas consultados pelo Refinitiv, em dados apresentados na plataforma do TradeMap, também têm esse entendimento. 

Das 13 recomendações compiladas, 10 são de compra, sendo que o preço-alvo máximo é de R$ 32, quase o dobro do patamar atual. 

A companhia vale R$ 10,04 bilhões na B3. 

BR Partners

Fundado em 2009 por profissionais do setor financeiro de primeira linha, o BR Partners (BRBI11) é um dos players que podem aproveitar o financial deepening. São cinco áreas de negócio:

  • Investment banking;
  • Mercado de capitais;
  • Sales & Trading;
  • Investimentos. 

Rivalizando com o BTG Pactual (BPAC11) no Brasil, a empresa tende a surfar a liquidez das empresas, famílias e pessoas físicas endinheiradas. 

Na primeira frente de negócio, a companhia oferece serviços de assessoria financeira e estratégica em transações de fusões e aquisições, privatizações e captação de recursos. 

Se por um lado captações de recursos e privatizações podem andar de lado, fusões e aquisições podem despontar em 2022.

Ao longo dos últimos dois anos, muitas empresas enxugaram custos e despesas e contraíram dívida para abastecer o caixa. Quando a maré baixar, as mais preparadas vão procurar levar fatias de seus mercados comprando players menores ou em situação mais difícil. 

Ademais, na parte de investimentos, a gestão de recursos próprios e de terceiros também pode surfar um bom momento da formação de poupança do público de alta renda, em função dos momentos de incerteza econômica e capital represado pela volatilidade do mercado em 2021. 

No terceiro trimestre, o BR Partners dobrou seu lucro em comparação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 41,7 milhões, reforçando a tese de que será uma das empresas a surfar um bom momento em 2022. 

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