ETF ligado ao Bitcoin estreia na B3 com promessa de renda mensal em reais
A OranjeBTC iniciou nesta terça-feira (15) a negociação do DIGY11 na B3. O fundo é o primeiro produto financeiro da companhia fora da própria tesouraria em Bitcoin. A estreia teve cerimônia na sede da bolsa, em São Paulo. O Itaú BBA responde pela estruturação e pela distribuição.
O DIGY11 é um ETF. A sigla identifica um fundo de índice negociado em bolsa. O investidor compra cotas como compraria uma ação e ganha exposição a uma cesta de ativos.
A proposta é pouco comum entre os fundos ligados à cripto. O objetivo é fazer distribuições mensais em reais. O dinheiro vem de ações preferenciais emitidas por empresas que mantêm grandes reservas de Bitcoin.
Como funciona o ETF DIGY11 ligado ao Bitcoin?
O fundo não investe em Bitcoin de forma direta. Ele também não busca replicar o retorno do BTC.
A carteira compra ações preferenciais perpétuas de taxa variável emitidas nos Estados Unidos. Ações preferenciais são papéis que dão prioridade no recebimento de proventos. Em geral, não dão direito a voto. Perpétuas significa que não têm prazo de vencimento definido.
Na posição de fechamento de 11 de setembro, a carteira tinha 74,29% em STRC, papel emitido pela Strategy, e 4,88% em SATA, emitido pela Strive. Outros 20,83% estavam em caixa em reais e em margem alocada à estrutura de proteção cambial. Os dois papéis têm valor nominal de US$ 100 cada.
O índice de referência é o MarketVector Bitcoin Treasury Preferred Equity (BRL) Hedged Index. Ele é calculado pela MarketVector Indexes GmbH, empresa alemã do grupo VanEck regulada pela BaFin, o supervisor financeiro do país. A metodologia avalia elegibilidade, liquidez, solidez do balanço, alavancagem, volatilidade e cobertura. Se não houver ativos elegíveis, a regra prevê substituição por títulos do Tesouro americano de curto prazo.
Quanto o DIGY11 pretende distribuir por ano
Nas condições atuais de mercado, a gestora estima distribuições anualizadas em torno do CDI mais 3 a 5 pontos percentuais. O CDI é a taxa de referência da renda fixa brasileira. A estimativa é ilustrativa. Não considera variações no valor de mercado das cotas e não representa garantia de retorno.
O cálculo parte de um rendimento médio ponderado próximo de 12% ao ano em dólar. As taxas de dividendos vigentes são de 12,00% ao ano na STRC e de 13,00% ao ano na SATA. Sobre isso incidem o custo da proteção cambial, o risco país implícito, o custo de margem e as despesas do fundo. As taxas são variáveis e podem ser alteradas pelos emissores.
A estrutura tem proteção cambial. Na prática, o fundo busca reduzir o efeito da variação do dólar sobre o resultado final.
Até o momento, nenhuma distribuição foi anunciada.
Qual é a cobertura patrimonial por trás do ETF DIGY11?
O material do fundo apresenta um cálculo ilustrativo de cobertura no nível dos emissores. Para cada US$ 1 em obrigações anuais de dividendos, Strategy e Strive somavam cerca de US$ 37 em Bitcoin e US$ 4,11 em caixa em dólar.
A conta desconta obrigações com preferência sobre as ações preferenciais. Considera o Bitcoin avaliado a US$ 78.200, preço vigente em 14 de setembro. Os ativos dos emissores não estão dados em garantia nem segregados em benefício dos cotistas do DIGY11.
Taxas e tributação do ETF DIGY11
A taxa de gestão é de 0,90% ao ano sobre o patrimônio líquido. A taxa de administração somada à custódia parte de 0,055% ao ano. A taxa máxima de distribuição é de 0,25% ao ano e sai da taxa de gestão.
Não há taxa de ingresso nem de saída. As operações de criação e destruição de cotas têm custo de 0,02%, cobrado pelo agente autorizado. Corretagem e emolumentos da B3 variam conforme a corretora.
Para a pessoa física residente no Brasil, a Lei 14.754/2023 prevê alíquota de 15% sobre os rendimentos tributáveis na distribuição, na amortização ou no resgate.
A gestão fica com a 3R Gestora de Recursos. O Banco Daycoval responde pela administração fiduciária e pela custódia. A OranjeBTC atua como consultora especializada e é a investidora âncora da estrutura, com compromisso de R$ 25 milhões.
O que dizem os números iniciais do fundo
Na posição de 11 de setembro, o DIGY11 tinha patrimônio líquido de R$ 27,5 milhões. A cota patrimonial estava em R$ 10,00 e havia 2.750.000 cotas em negociação.
O fundo ainda não tem histórico próprio de rentabilidade. O índice de referência acumulava alta de 27,56% desde o início da série. Em 12 meses, a variação era de 21,59%. No ano, de 13,57%. Desempenho passado não garante resultado futuro.
Por que o ETF mira quem investe pensando no CDI?
Em entrevista ao Portal do Bitcoin durante o lançamento, o CEO da OranjeBTC, Guilherme Gomes, afirmou que a estrutura foi desenhada para aproximar o Bitcoin de um investidor com pouca familiaridade com a criptomoeda. Segundo ele, o brasileiro ainda raciocina em reais e segue muito preso à lógica de renda e de CDI.
O executivo descreveu três perfis. Há quem queira Bitcoin puro. Há quem prefira exposição por meio de ações. E há um terceiro grupo que busca renda, menor volatilidade e ativos fora do risco Brasil. É esse último público que o fundo pretende atingir.
Gomes disse ainda que a companhia já trabalha em novos produtos e que as próximas ofertas podem incluir outros ETFs. Não há, porém, produto definido para anúncio.
Quais são os riscos do ETF DIGY11?
O DIGY11 é um ETF de renda variável, não um produto de renda fixa. Não conta com garantia do administrador, do gestor nem do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos.
O investimento está sujeito a riscos de mercado, de crédito e de liquidez. O resultado depende das decisões dos emissores sobre suas próprias distribuições. Rendimentos de ativos no exterior também podem sofrer retenção lá fora, o que reduz o valor disponível para repasse aos cotistas.
O fundo está registrado na CVM sob o CNPJ 67.678.403/0001-65. A autorização para negociação das cotas não implica garantia da autarquia sobre a qualidade do fundo ou do administrador.
O artigo ETF ligado ao Bitcoin estreia na B3 com promessa de renda mensal em reais foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.




















