Por que uma renúncia na Anthropic reacendeu o debate sobre IA nos EUA?
Parlamentares dos EUA reagiram à renúncia de um pesquisador da Anthropic com uma nova ofensiva para frear o avanço da inteligência artificial (IA) avançada, incluindo um projeto de lei no Senado que proibiria a superinteligência.
Jacob Coxon pediu demissão em 9 de setembro e afirmou que tanto a Anthropic quanto a OpenAI estão colocando vidas humanas em risco.
Mais de 20 congressistas responderam à publicação, a maioria defendendo novas legislações sobre IA. O senador Bernie Sanders afirmou que irá propor uma lei para banir a superinteligência e suspender o desenvolvimento da IA.
O BeInCrypto informou que, no início deste mês, Sanders e o deputado Greg Casar apresentaram o “Ban Artificial Superintelligence Act”. A proposta proibiria permanentemente a criação e implantação de IA superinteligente. Também determinaria a suspensão do desenvolvimento de IA avançada até que um órgão federal estabeleça padrões mínimos de segurança.
Trump’s ignorance about AI is appalling and extremely dangerous.
— Bernie Sanders (@BernieSanders) September 9, 2026
No, Mr. President. We won’t have a “little gear” to protect humanity from the threat of an uncontrolled AI.
We must pause development NOW. https://t.co/EJdrhipHOe
Casar também enfatizou que o caso configura uma emergência e pediu a realização de audiências no Congresso. A deputada Lori Trahan lembrou aos colegas sobre o seu projeto bipartidário, o FRONTIER Act, apresentado em julho junto com o deputado Jay Obernolte.
“O FRONTIER Act estabelece requisitos proporcionais ao porte da desenvolvedora de IA de fronteira, incluindo cartões de modelo, frameworks de gerenciamento de risco, auditorias independentes, relatos de incidentes e avaliações contínuas. Ele também cria um padrão nacional uniforme para transparência, auditoria e comunicação de riscos catastróficos, evitando uma fragmentação de regulações estaduais”, diz o anúncio.
O senador Chris Van Hollen defendeu salvaguardas obrigatórias e negociações urgentes com a China. O deputado Ted Lieu cobrou da liderança republicana o avanço do projeto Kill Switch de IA, apresentado por ele neste ano.
A deputada republicana Anna Paulina Luna rompeu com a postura partidária e defendeu a realização de uma sessão especial sobre IA no Congresso.
So far, at least 22 politicians responded directly to this tweet with calls for legislation to regulate AI:
— Michael Adams (@m_adams) September 9, 2026
2 governors, 7 senators, and 13 representatives. Highly partisan – all democrats except for three.
Here's the full list:
– Governor, IL (JB Pritzker – D)… https://t.co/owcrDOAlri pic.twitter.com/ouCtkISZuc
Jacob Coxon diz que as empresas querem regras
A pressão não vem apenas do meio político. Empresas de IA também têm defendido regulamentação. Coxon declarou à CNN que executivos que pedem regulação ao Congresso realmente têm essa intenção. Entretanto, ressaltou que nenhum deles confia nos concorrentes o suficiente para desacelerar por conta própria.
“… essas pessoas também são absolutamente sinceras quando pedem para serem reguladas… encontram-se em um cenário em que são obrigadas a competir pelo desenvolvimento de uma tecnologia mortal”, afirmou.
A Anthropic declarou separadamente, em uma publicação de setembro, que o setor se beneficiaria de mecanismos legais e verificáveis para um ritmo coordenado de avanço.
Onde começa o risco de extinção?
A importância do ritmo está relacionada ao que Coxon acredita ser o próximo passo. Ele explicou que, ao atribuir à IA o problema de pesquisar sobre ela mesma, começa-se um processo em que o sistema se aprimora de forma contínua.
O pesquisador destacou que, na terça-feira, sistemas da OpenAI teriam solucionado autonomamente um problema matemático milenar.
Segundo ele, o aspecto preocupante seria aplicar o mesmo método ao próprio desenvolvimento da IA. Modelos aperfeiçoam modelos, sem que humanos intervenham, o que Coxon chama de “explosão de inteligência”.
“No momento não há risco de extinção. Os modelos atuais, no pior dos cenários, podem tentar invadir sistemas, talvez causar danos à infraestrutura… mas não são inteligentes o bastante para nos superar a ponto de ameaçar nossa existência”, afirmou.
Coxon alertou, porém, que a combinação de autonomia e capacidades amplificadas pode provocar estragos severos. Entre os perigos mencionados, destacou a invasão de infraestruturas críticas e o desenvolvimento de armas biológicas com potencial destrutivo.
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