Irã diz ter fechado acordo com Omã sobre Ormuz e acusa EUA de travar avanço

O Exército do Irã informou ter chegado a um acordo de compartilhamento de receitas com Omã sobre o Estreito de Ormuz, enquanto os dois países buscam um entendimento mais amplo para a administração da via marítima estratégica.
“Foi alcançado um acordo sobre a participação de cada país nas águas do estreito, bem como sobre a parcela de Irã e Omã nas receitas geradas”, disse nesta quarta-feira Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), segundo a agência estatal Sepah News.
“Os Estados Unidos estão obstruindo esse processo, provocando atrasos no avanço das negociações”, afirmou, sem fornecer mais detalhes.
As declarações da IRGC vão além do comunicado conjunto divulgado na terça-feira pelos ministérios das Relações Exteriores dos dois países, que informou apenas a discussão de uma “estrutura provisória” para retomar a navegação no estreito, sem anunciar um acordo definitivo nem mencionar tarifas.
Nenhum dos ministérios das Relações Exteriores respondeu imediatamente a pedidos de comentário.
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Autoridades iranianas têm alertado repetidamente que um acordo com Omã sobre a navegação no estreito não significaria a reabertura imediata da hidrovia, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo antes da guerra.
Teerã afirma que qualquer normalização do tráfego dependerá do cumprimento, pelos Estados Unidos, dos termos de um memorando de entendimento assinado em junho, incluindo o fim das sanções e do bloqueio naval aos portos iranianos, além do desbloqueio de ativos do país no exterior. Até agora, Washington não sinalizou disposição para adotar essas medidas.
O acordo provisório de 60 dias que expirou no início deste mês foi marcado por sucessivas violações desde seus primeiros dias, à medida que Estados Unidos e Irã entravam em choque sobre o controle do Estreito de Ormuz. Um entendimento para facilitar o tráfego na passagem marítima provavelmente abriria caminho para negociações sobre um encerramento mais permanente do conflito.
O Irã começou a cobrar taxas de trânsito de algumas embarcações nas primeiras semanas da guerra, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, mas posteriormente passou a classificar essas cobranças como tarifas por serviços prestados.
Em julho, Omã informou à agência marítima das Nações Unidas que se opõe à cobrança de tarifas de trânsito no estreito. No entanto, segundo reportagem da Bloomberg publicada em junho, o país advertiu reservadamente autoridades europeias de que embarcações poderiam ser obrigadas a pagar por serviços relacionados à travessia.
O Estreito de Ormuz permanece em grande parte fechado desde que Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro, embora algumas embarcações ainda realizem a travessia. Milhões de barris de petróleo por dia continuam deixando a região pela hidrovia, apesar da continuidade dos ataques a navios.
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