CVM determina que Centaurus faça oferta pública por ações da Oncoclínicas
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Brasil determinou que a gestora de ativos norte-americana Centaurus Capital deve apresentar uma oferta pública de aquisição das ações da Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos, contrariando a recomendação da equipe técnica do órgão regulador e intensificando uma disputa de longa data entre alguns dos maiores acionistas da prestadora de serviços de tratamento oncológico.O conselho da CVM votou por 3 a 0 a favor da exigência da oferta na terça-feira, de acordo com um documento apresentado. A equipe técnica havia recomendado anteriormente que não se exigisse a proposta de aquisição, argumentando que uma reestruturação prevista para 2024, envolvendo veículos de investimento ligados ao Goldman Sachs Group e à Centaurus, não acionava uma cláusula do estatuto social da Oncoclínicas. Em comunicado, o fundo Josephina III, afiliado à Centaurus, afirmou discordar da decisão da CVM. O fundo iniciou um processo na semana passada junto ao órgão de arbitragem da bolsa de valores, alegando que essa é a jurisdição adequada para a disputa.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.Há duas semanas, a polícia brasileira indicou dois funcionários da Goldman como suspeitos em uma investigação para apurar se informações sobre a propriedade da Oncoclinicas foram deturpadas. Nem a Goldman nem os funcionários foram acusados de irregularidades, e a Goldman afirmou acreditar ter agido de forma adequada. A investigação gira em torno dos fundos de investimento Josephina I, II e III, que detinham ações da empresa, e visa apurar se a Goldman divulgou com precisão a propriedade final desse investimento.A Goldman havia sido identificada anteriormente nos documentos da oferta pública inicial como proprietária indireta dos fundos, enquanto documentos apresentados posteriormente indicavam que parte do investimento pertencia à Centaurus. Leia também: Polícia indicia dois executivos do Goldman Sachs em caso envolvendo OncoclínicasA decisão desta terça-feira não citou explicitamente a gigante financeira norte-americana, segundo pessoas a par do assunto, que pediram anonimato para discutir questões confidenciais. Em vez disso, o órgão regulador determinou que a Centaurus e partes relacionadas são obrigadas a realizar a oferta pública de aquisição. O fundo Josephina III iniciou um processo de arbitragem separado contra a Latache Capital Gestão de Recursos Ltda., a acionista que lidera os esforços para forçar uma oferta pública pela Centaurus, na Bolsa de Valores B3, em 22 de agosto.Enquanto seus acionistas se enfrentam, a Oncoclínicas também enfrenta uma crise financeira. A prestadora de serviços de tratamento oncológico chegou a um acordo extrajudicial com alguns de seus credores em julho para reestruturar uma dívida de 5,1 bilhões de reais (US$ 992 milhões). Leia também: Em disputa com Oncoclínicas, Porto e Unimed Recife redirecionam pacientes, dizem fontesA Oncoclínicas registrou prejuízo líquido de 438 milhões de reais no primeiro trimestre, em comparação com um prejuízo de 132 milhões no mesmo período de 2025. Em suas últimas demonstrações financeiras, a empresa afirmou ter enfrentado escassez de medicamentos em suas clínicas durante parte deste ano devido ao aumento da pressão sobre suas finanças, classificando a situação como "extremamente desafiadora".Uma reestruturação dos fundos Josephina, realizada em 2024, separou os investimentos associados à Goldman e à Centaurus. Posteriormente, a Josephina III surgiu como o veículo que detém a participação da Centaurus na Oncoclínicas. O fundo argumenta que a Centaurus já era investidora na empresa antes de sua oferta pública inicial (IPO) de 2021 e, portanto, está abrangida por uma exceção à cláusula de oferta pública de aquisição prevista no estatuto social.Leia também: IG4 busca assumir controle da Oncoclínicas por meio de direitos de voto, dizem fontesEsses estatutos exigem que qualquer acionista que adquira uma participação superior a 15% faça uma oferta pública de aquisição das ações restantes, sujeita a certas exceções. Os acionistas minoritários argumentaram que a Centaurus acionou a cláusula quando sua participação passou a ser detida diretamente por meio da Josephina III. No ano passado, um grupo que representa os acionistas minoritários da Oncoclinicas solicitou permissão a um juiz dos EUA para intimar a Goldman a fornecer informações a serem utilizadas em um processo judicial planejado no Brasil. O grupo argumentou que a Centaurus deveria ter sido obrigada a realizar uma oferta pública de aquisição depois que a Oncoclinicas divulgou, no final de 2024, que a empresa de investimentos detinha uma participação de 16%. --Com a colaboração de Cristiane Lucchesi.Veja mais em bloomberg.com


























