77Sol entra em crédito próprio com FIDC de R$ 140 mi e mira R$ 3 bi em financiamentos
A 77Sol está lançando a sua operação de crédito proprietário, a Crédito 77. A vertical da empresa captou R$ 140 milhões em um FIDC, com a Credit Saison, Icatu Vanguarda e a Riza Asset, também gestora do fundo, que é administrado pela Oliveira Trust.A operação ocorre seis anos depois que a 77Sol nasceu como plataforma de tecnologia para integradores de energia solar.A startup tinha optado por trabalhar com instituições parceiras, que eram as responsáveis pela concessão do crédito para financiar os projetos de energia solar feito por integradores. 95% das instalações são em residências e os 5% restantes ficam com pequenos negócios. O tíquete médio é de R$ 22 mil. "Nós entendemos desde o começo do nosso negócio que a 77 é muito mais uma empresa de tecnologia do que uma empresa de crédito", diz Lucas Milani, CEO da 77Sol, em entrevista à Bloomberg Línea. “Por isso demoramos seis anos para nos sentir confortáveis para entrar em crédito — tanto para montar time quanto para ter histórico e dados suficientes.”Concorrente direta da 77Sol, a Solfácil levantou mais de R$ 6 bilhões em instrumentos financeiros, como FIDCs e CRIs. ⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.Pelo motor de simulação de crédito da plataforma passam hoje mais de R$ 800 milhões em propostas por mês, volume que, segundo Milani, os bancos parceiros historicamente aproveitavam de forma limitada, dado o risco que atribuíam à originação. “Existe o risco do CPF do cliente, existe o risco do integrador enquanto instalador, e a usina tem que performar para o cliente pagar o boleto no fim do mês”, diz. “Muitas vezes os bancos não entendiam — ou entendem menos do que gostaríamos — essa relação que a 77 tem com esse integrador e com o cliente final.”Leia também: Coursera mira ensino individualizado com IA após aquisição bilionária da Udemy, diz CEOAo criar uma vertical própria, a 77Sol busca diminuir essa lacuna que percebeu ao longo dos anos. A nova estrutura, montada dentro de casa, conta com o segundo maior time, vindo atrás de tecnologia e produto. Segundo Milani, a companhia recrutou profissionais de instituições financeiras de peso para desenhar a política de crédito, a área de cobrança e o motor de risco do zero.A estrutura societária, segundo o CEO, mantém a 77Sol — a plataforma de tecnologia e correspondente bancário — separada juridicamente da 77 Serviços Financeiros, ainda que ambas estejam sob o mesmo quadro acionário. O banking as a service do novo braço financeiro é fornecido pela QI Tech.A inadimplência das carteiras financiadas pela plataforma, segundo ele, sempre rodou abaixo de 5%, com mínimas de 2% — faixa que a empresa pretende manter também no Crédito 77.Segundo o CEO da 77Sol, a companhia recrutou profissionais de instituições financeiras de peso para desenhar a política de crédito, a área de cobrança e o motor de risco do zero.O lançamento do produto proprietário de crédito ocorre em um momento de reacomodação do setor solar brasileiro. Segundo Milani, o mercado sentiu os efeitos da Lei 14.300, que reformulou as regras de geração distribuída a partir de 2023, e da evolução das discussões sobre curtailment (corte de geração). Ainda assim, diz, o varejo - geração residencial, comercial e de pequeno porte —, onde a startup atua, segue crescendo acima de outros nichos do setor, mesmo em 2025, considerado “um ano mais difícil”.A plataforma projeta originar R$ 3 bilhões em financiamentos em 2026. O montante é 50% superior aos R$ 2 bilhões movimentados no ano passado. Em receita, Milani diz que a 77Sol está a caminho de superar, nos primeiros oito meses deste ano, o valor registrado em todo o ano de 2025. “Este ano, nós vamos mais do que dobrar em relação ao ano passado”, estima.A receita da empresa está dividida entre equipamentos e crédito, cada uma representando 40% do negócio, e seguros, com 20%. Plano de captaçãoSegundo Milani, a 77Sol é hoje uma empresa rentável e geradora de caixa — situação que a companhia já havia alcançado antes, mas revertida ao investir em novas frentes. A margem da plataforma dobrou desde 2024, período em que o foco estratégico migrou de crescimento agressivo de base de usuários para eficiência e unit economics. “Nós conseguimos estabilizar o nosso padrão de negócio, em termos de branding, o integrador sabe exatamente o que a gente faz. E no crédito, com as nossas parcerias com as financeiras, nós evoluímos as nossas margens à medida que entregamos mais dados em termos de histórico de projetos”, diz. Para ampliar a tração do negócio, a plataforma está em conversas para a uma nova captação de recursos. A última foi em 2023, quando levantou R$ 14 milhões com a Crescera e a EDP Ventures (braço de corporate venture capital da EDP Brasil).O capital seria direcionado a acelerar uma tese mais ampla de mercado de energia, habilitando telhados/usinas menores para a venda de energia excedente para outros consumidores, não apenas para autoconsumo. O CEO estima que a rodada pode ser fechada num horizonte de 6 a 12 meses.Leia também: Dona da InfinitePay aposta em cartão e agente de IA para crescer além das maquininhas

























