BREAKING: Braskem entra em recuperação extrajudicial e ganha 90 dias contra uma RJ

A Braskem deve protocolar nas próximas horas um pedido de recuperação extrajudicial, numa tentativa de chegar a um acordo com bancos, bondholders e os acionistas para reestruturar uma dívida de cerca de R$ 54 bilhões.
A RE, que vem depois de um acordo com os credores, dá à empresa 90 dias de proteção contra execuções afasta, pelo menos por enquanto, o risco de uma recuperação judicial.
A medida cautelar em vigor, que previa a suspensão da execução de dívidas por 60 dias, termina hoje.
O pedido teve a adesão de mais de um terço dos credores – o percentual necessário para que a companhia consiga a proteção enquanto negocia o plano definitivo.
Agora começa a parte mais difícil: chegar a um plano definitivo para uma estrutura de capital que seja aceita por grupos com interesses e visões muito diferentes sobre quanto dinheiro a Braskem precisa – e quem deve pagar a conta.
Os maiores credores são os bondholders e os bancos Banco do Brasil, BNDES, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.
A decisão de entrar com a RE veio depois de semanas de negociações em que os credores chegaram a ameaçar levar a Braskem à recuperação judicial caso não houvesse um plano definitivo ou um compromisso da Petrobras de colocar dinheiro na companhia.
Com a proximidade do fim da cautelar, as partes concluíram que seria inviável negociar um plano definitivo em tão pouco tempo.
A avaliação de fontes próximas à empresa é que as discussões das últimas semanas já serviram para avançar em alguns pontos do plano, permitindo que a Braskem comece a RE com parte das negociações encaminhada – ainda que um acordo esteja longe de ser garantido.
Há divergências em quatro pontos principais: a necessidade e o tamanho de uma injeção de dinheiro novo; uma eventual conversão de dívida em ações, com diluição dos atuais acionistas; as garantias que serão oferecidas aos credores; e as condições de alongamento da dívida.
A distância entre as partes ainda é relevante.
Uma fonte disse ao Brazil Journal que os bancos defendem um desenho mais baseado no alongamento da dívida e chegaram a questionar a necessidade de uma grande injeção de capital.
Alguns bondholders – como os fundos de distressed assets Contrarian e Elliott – pressionam por uma capitalização de até US$ 4 bilhões com participação da Petrobras, além de mais garantias e conversão de dívida em ações.
A Braskem e os seus principais acionistas – Petrobras e IG4 – não estão confortáveis com nenhum dos desenhos. Segundo a fonte, todos os lados acabaram cedendo para viabilizar a RE.
Petrobras e IG4 aceitaram incluir no framework da negociação a possibilidade de um eventual aumento de capital caso a Braskem precise de dinheiro novo.
Os credores buscavam um compromisso imediato, mas conseguiram apenas deixar prevista a discussão sobre uma eventual capitalização no plano definitivo.
Uma das alternativas discutidas é primeiro alongar a dívida e deixar uma eventual decisão sobre capitalização para mais adiante, quando houver maior visibilidade sobre a necessidade de caixa da Braskem.
O movimento acontece poucos dias depois de a Braskem Idesa, joint venture da companhia com o grupo mexicano Idesa, entrar com um pedido de Chapter 11 nos Estados Unidos.
A Braskem Idesa já chegou à recuperação com um acordo de reestruturação costurado com credores e acionistas. O plano prevê reduzir a dívida sênior de cerca de US$ 2,5 bilhões para US$ 1,6 bilhão.
A Braskem vai aportar US$ 476 milhões na subsidiária e continuará como sua acionista majoritária.
O Chapter 11 acabou tendo menos impacto sobre as negociações brasileiras do que a Braskem esperava, disse uma fonte.
Havia o receio de uma reação negativa dos bondholders da Braskem que não são credores da operação mexicana, enquanto os credores com exposição à Idesa receberam melhor a solução.
Uma discussão que permanece, no entanto, é como financiar o aporte na operação mexicana sem prejudicar os credores da Braskem – um assunto para os próximos 90 dias.
As ações da Braskem caem 42% nos últimos 12 meses. A empresa vale R$ 3,6 bilhões na Bolsa.
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