Braskem obtém apoio de credores para reestruturação extrajudicial, diz jornal
A Braskem chegou a um acordo com seus principais credores para buscar uma reestruturação extrajudicial da dívida, segundo o jornal O Estado de São Paulo.A Braskem vinha se empenhando para que pelo menos um terço legal de seus credores concordasse com a reestruturação da dívida antes do prazo final desta segunda-feira, limite necessário para dar início ao processo. As partes têm agora 90 dias para finalizar os termos da reestruturação.O jornal não forneceu mais detalhes sobre o pedido. A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A medida coroa anos de turbulência na Braskem, a maior produtora de petroquímicos da América Latina. A empresa viu seu caixa diminuir após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e um longo período de preços baixos no setor petroquímico. ⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.Várias tentativas fracassadas do conglomerado em dificuldades Novonor de vender sua participação controladora agravaram ainda mais a situação. O IG4 Capital Group assumiu o controle compartilhado da Braskem no início deste ano, depois que os credores detentores das ações da Novonor na produtora petroquímica — que foram dadas em garantia de empréstimos no valor de R$ 21 bilhões que não foram pagos — concordaram em vender os créditos inadimplentes a um fundo administrado pelo investidor especializado em dívidas em dificuldades. O IG4 conquistou o apoio da Petrobras, outra acionista controladora da Braskem, por meio de medidas como a concessão à empresa estatal do cargo de presidente do conselho de administração.Leia também: O próximo desafio da IG4: reestruturar US$ 25 bilhões em dívidas de Braskem e RaízenA produtora de petroquímicos havia solicitado proteção emergencial contra credores em junho, ganhando tempo para conseguir que um número suficiente de credores concordasse com a reestruturação extrajudicial. Um grupo de credores, incluindo a Elliott Investment Management e a Contrarian Capital Management, vinha pressionando a Petrobras a assumir um compromisso financeiro, com alguns solicitando uma contribuição de capital, capital de giro ou dívida subordinada, segundo informaram fontes a par do assunto no início deste mês. Além da Elliott e da Contrarian, entre os principais detentores da dívida da Braskem estão a AllianceBernstein, o Capital Group e a PGIM, de acordo com dados compilados pela Bloomberg News.A iniciativa da Braskem também ocorre em um momento desafiador para as empresas brasileiras, que vêm enfrentando pressão crescente devido às taxas de juros de dois dígitos. Grandes empresas como a produtora de biocombustíveis Raizen, a rede de supermercados Companhia Brasileira de Distribuição e a Kora Saúde Participações também buscaram recentemente reestruturações extrajudiciais. As empresas no Brasil costumam preferir processos extrajudiciais porque tendem a ser mais rápidos, mais baratos e menos disruptivos do que uma reestruturação judicial. Assim que as empresas chegarem a um acordo com uma parcela suficientemente grande de credores, um juiz pode ratificar o acordo para que ele se torne vinculativo. Caso as partes não cheguem a um acordo sobre os termos finais ao final de um período de 90 dias, as empresas podem recorrer à declaração de falência.Veja mais em bloomberg.com


























