Maioria dos norte-americanos acredita que Trump obteve lucros indevidos desde que voltou ao poder, aponta pesquisa
Fortuna de Trump quase dobra em um ano: saiba origem A maioria dos norte-americanos acredita que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, permite que seus interesses empresariais influenciem decisões de governo e considera inadequado que ele e sua família tenham lucrado com negócios de criptomoedas, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta quarta-feira (19). O levantamento, realizado durante quatro dias e concluído na segunda-feira (17), mostra que 63% dos entrevistados consideram inadequado que Trump e sua família tenham lucrado com empreendimentos de criptomoedas. Outros 32% disseram considerar a prática adequada. Até entre republicanos há desconfiança A percepção de conflito entre os negócios particulares e a atuação do presidente também aparece entre os eleitores republicanos, embora em menor intensidade. Segundo a pesquisa, metade dos republicanos acredita que Trump permite que seus interesses comerciais influenciem suas decisões políticas. Entre os democratas, a percepção é majoritária. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 6 de agosto de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein Quando perguntados especificamente sobre os lucros com criptomoedas, cerca de três em cada dez republicanos consideraram os negócios inadequados. Sete em cada dez disseram que eles eram adequados. Trump lucrou com negócios de criptomoedas Trump e sua família ampliaram a atuação no mercado de ativos digitais durante o segundo mandato do presidente. No ano passado, os empreendimentos ligados à família, incluindo a World Liberty Financial e a criptomoeda criada com a marca Trump, geraram mais de US$ 1,4 bilhão em receitas, segundo dados citados pela Reuters. Em março de 2025, dois meses depois de assumir o segundo mandato, Trump promoveu sua própria criptomoeda nas redes sociais e a classificou como a “melhor de todas”. Ao mesmo tempo, o governo Trump passou a adotar políticas favoráveis ao setor de criptomoedas, depois de o então candidato ter buscado apoio e financiamento do mercado durante a campanha eleitoral. Casa Branca nega conflito de interesses Trump afirma que não participa da gestão cotidiana dos negócios da família desde que voltou à Presidência e que seus investimentos são administrados de forma independente. A Casa Branca também rejeita acusações de conflito de interesses. Em comunicado, a porta-voz Anna Kelly afirmou que os investimentos do presidente são administrados por instituições financeiras independentes. “Não há conflitos de interesse”, disse Kelly. Segundo ela, Trump “age apenas no melhor interesse do público americano”. Especialistas dizem que situação é inédita Para especialistas em ética presidencial, porém, a proximidade entre os negócios privados da família Trump e a atuação da Casa Branca não tem precedentes recentes. Richard Painter, que foi o principal advogado de ética do presidente republicano George W. Bush, afirmou que a situação atual é diferente até mesmo do primeiro mandato de Trump. “Nunca vimos nada parecido antes”, disse Painter à Reuters, argumentando que o segundo governo Trump envolve interesses empresariais mais complexos. Disputa pelo Congresso A questão deve ganhar espaço no debate político antes das eleições legislativas de meio de mandato de novembro, que definirão o controle do Congresso americano pelos próximos dois anos. Democratas têm usado acusações de corrupção e conflitos de interesse para criticar o governo Trump. A administração, por sua vez, afirma que pretende investigar supostas práticas de corrupção em estados governados por democratas.

























































