Estes fundos estão pagando IPCA+ 14% ao ano com isenção total de imposto de renda; vale a pena investir?
Se o retorno de inflação mais 8% de juro real dos títulos públicos do Tesouro Direto é visto como excepcional, o que se dirá de uma taxa de IPCA+ 14% ao ano? E ainda totalmente isenta de imposto de renda (IR)?
Estamos falando de um juro real equivalente à taxa Selic atual mais a correção da inflação. E não é uma simulação, é a taxa estimada de retorno de fundos de infraestrutura listados em bolsa atualmente, os chamados FI-Infra.
Essa taxa considera o preço da cota do fundo e o retorno médio dos ativos que compõem o portfólio.
Os FI-Infra são fundos que investem quase a totalidade de seus patrimônios em debêntures incentivadas e, por isso, replicam a isenção de IR que esses títulos de renda fixa têm.
Assim como os fundos imobiliários (FIIs), eles têm cotas negociadas em bolsa, pagam dividendos mensais isentos de IR e têm uma taxa de retorno estimada considerando esses pagamentos. Mas, diferentemente dos FIIs, a isenção se estende à valorização das cotas até o momento da venda.
A questão é, como são fundos listados, o preço da cota também entra nessa conta de retorno estimado. O valor de patrimônio do fundo determina o "preço justo" da cota.
Se o valor negociado em bolsa está abaixo desse "preço justo", é dito que a cota está com "desconto".
E quanto menor é o preço da cota em relação ao patrimônio do fundo, maior deverá ser a valorização que levará esse preço ao seu valor justo, aumentando o potencial de retorno.
Mercado andando de lado
A bolsa de valores não vive o melhor dos seus momentos no ano. O principal índice de ações, o Ibovespa, registrou 11 dias consecutivos de fechamentos no negativo até 18 de agosto. Já o índice dos principais fundos imobiliários, o Ifix, teve uma performance semelhante, de seis dias consecutivos de perdas.
Os FI-Infras não têm um índice próprio, mas não passaram batido pelo mau humor dos investidores.
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O mercado está bastante pessimista em relação às eleições presidenciais e à possibilidade de um ajuste fiscal consistente no próximo governo.
Esse pessimismo tem se refletido nos investimentos e nas projeções para os principais indicadores econômicos nos próximos anos.
A curva de juros futuros, nesta quarta-feira (19), está projetando juros na faixa de 14% entre 2029 e 2038. É como se a Selic nunca mais fosse diminuir. Algo como o país estar estacionado nas condições atuais pelos próximos dez anos.
Os analistas falam em "compasso de espera" nas projeções antes da decisão eleitoral. Ninguém quer fazer apostas para o futuro enquanto não se tem clareza sobre o plano econômico do governo que virá a seguir.
Enquanto isso, os ativos de risco — principalmente os listados em bolsa — são os que mais sofrem com as incertezas. Alta nos juros futuros anda de mãos dadas com a queda dos preços dos ativos negociados em bolsa de valores.
Investidores estão concentrando o seu dinheiro na renda fixa mais tradicional possível: CDBs, Tesouro Selic e fundos de liquidez.
FI-Infras em promoção?
As oportunidades estão na mesa.
Os fundos de infraestrutura com retornos estimados em IPCA + 14% não estão oferecendo essa taxa por problemas no portfólio. Mas, sim, por condições adversas de mercado, que levam suas cotas a negociarem com preços menores do que elas valem.
Em agosto, a carteira recomendada de fundos listados do BTG indicava cinco FI-Infras — todos com desconto que elevam os retornos para dois dígitos de juro real.
A maior taxa estimada era de um FI-Infra do próprio BTG, o BTG Pactual Dívida Infra (BDIF11).
Com uma cota patrimonial de R$ 78,77, o preço negociado em bolsa até o fechamento de ontem (18) era de R$ 68,54. Na prática, a diferença significa um desconto de quase 13% na cota.
Considerando a correção para o "preço justo" mais a taxa de retorno estimada para o portfólio do BDIF11, a taxa equivalente do fundo é de IPCA + 14,88%.
E esse cenário não é exclusividade do BDIF11. FI-Infras da Capitânia, Kinea e Sparta passam pela mesma situação.
FI-Infra Gestora Preço (R$) Desconto Taxa equivalente BDIF11 BTG Pactual 68,54 -13,30% IPCA+ 14,88% BODB11 Bocaina 7,11 -11,60% IPCA+ 12,39% CPTI11 Capitânia 81,58 -6,65% IPCA+ 11,87% KDIF11 Kinea 109,55 -7,84% IPCA+ 11,66% JURO11 Sparta 94,09 -6,74% IPCA+ 9,75% Fonte: sites e relatórios mensais de BTG, Capitânia, Kinea, Sparta e Bocaina.Vale a pena investir nos fundos de infraestrutura?
Em sua carteira mensal, o BTG destaca cinco motivos para investir nos fundos de infraestrutura listados.
Além da isenção de imposto de renda sobre os dividendos e os ganhos de capital, os analistas do banco também citam a exposição ao crédito privado de forma diversificada e bem selecionada, com acesso a ativos que possivelmente a pessoa física não conseguiria comprar de forma pontual.
Isso garante não apenas o acesso exclusivo, mas taxas melhores desses títulos de dívida.
Outro ponto é a liquidez da bolsa. Para muitos, a volatilidade da negociação da cota pode ser uma dificuldade, mas ela também representa a disponibilidade para compra e venda do ativo, e a oportunidade de ganho com a valorização, que é justamente o que o desconto representa neste momento.
É uma forma diferente de investir na renda fixa com renda passiva. Sendo compatível com o perfil do investidor, neste momento, os analistas acreditam que vale a pena considerar.
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