Criptomoedas: bitcoin sobe 5% e supera US$ 68 mil com recompra de título
O bitcoin operou em alta acima de 5% hoje, ultrapassando a faixa recente de negociações e superando os US$ 68 mil. O anúncio da recompra de títulos pelo Departamento do Tesouro norte-americano serviu como catalisador para os preços da criptomoeda. Neste cenário, a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) teve impacto limitado para o mercado.
Por volta das 16 horas (em Brasília), o bitcoin operava em alta de 5,60%, a US$ 68.425,99, enquanto o ethereum tinha alta de 9,42%, a US$ 2.096,86, de acordo com a plataforma Binance.
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Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin observa que a decisão do Tesouro americano de dobrar o tamanho das recompras de títulos de longo prazo, dos atuais US$ 2 bilhões por operação para, pelo menos, US$ 4 bilhões por operação, “não é um quantitative easing clássico, porque não é o Federal Reserve (Fed) criando dinheiro para comprar títulos”. Mas, diz ele, para o mercado, a mensagem é parecida: “quando o custo da dívida americana aperta demais, alguma forma de intervenção de liquidez aparece. É justamente esse tipo de ambiente que fortalece a tese do bitcoin”, argumenta. “A alta é uma reação direta à percepção de que o sistema financeiro tradicional está exigindo cada vez mais suporte para lidar com dívida, juros e liquidez”, acrescenta.
Fontes observa que se o maior mercado de dívida do mundo precisa de suporte para funcionar com mais estabilidade, cresce a busca por ativos escassos, previsíveis e fora da lógica de expansão da dívida pública. “Do ponto de vista técnico, o bitcoin rompeu a região dos US$ 65 mil e agora se aproxima da parte superior da resistência entre US$ 65 mil e US$ 67 mil. Caso supere os US$ 67 mil com força, o próximo alvo natural passa a ser a região dos US$ 70 mil”, projeta.
O LMAX Group destaca que o anúncio do Tesouro coincide com uma reunião agendada entre a Casa Branca e representantes do setor cripto nesta quarta-feira. “O Tesouro aprimora a liquidez enquanto Washington discute avanços regulatórios para criptomoedas e tenta manter sua liderança entre ativos digitais”, observa.
Na visão do grupo, o conjunto de fatores soma-se a possibilidade de flexibilização monetária também pelo Fed mais tarde neste ano. “Isso importa para o bitcoin porque o enfraquecimento dos rendimentos americanos e do dólar junto a melhores condições do mercado podem ajudar a rotação de capital para ativos mais ligados ao risco”, disse.
Ontem, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) apresentou propostas para estabelecer regras claras para que empreendedores do setor de criptoativos e participantes do mercado possam realizar captação de recursos em conformidade com as leis federais de valores mobiliários.
