Mediterrâneo mais quente pode alimentar tempestades intensas na Europa, diz estudo
O aumento das temperaturas no oceano tem agora o potencial de causar tempestades intensas na Europa ainda este ano, de acordo com uma nova pesquisa. O Mar Mediterrâneo está se aquecendo duas vezes mais rápido do que a média dos oceanos no restante do mundo, de acordo com a World Weather Attribution, um grupo de cientistas que utiliza métodos revisados por pares para realizar estudos rápidos sobre como as mudanças climáticas influenciam os padrões meteorológicos. Sua análise mostra que algumas regiões do Mar Mediterrâneo e da costa atlântica europeia registraram temperaturas superficiais mais de 6 °C acima do que seria considerado normal para o mês de junho. "Quando temos temperaturas da superfície do mar muito elevadas, isso fornece energia adicional às tempestades, permitindo que elas se mantenham por muito mais tempo", afirmou Catherine Gregory, pesquisadora da Universidade de Berna, na Suíça, e coautora do relatório. ⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.“Trata-se de uma área de pesquisa relativamente nova, mas provavelmente é um dos impactos mais importantes quando falamos sobre como as ondas de calor marinhas afetam os seres humanos”, disse ela.O aquecimento global causado pelo homem foi o principal fator responsável pelas temperaturas marítimas recordes registradas ao redor da Península Ibérica, bem como no Mediterrâneo Ocidental e Oriental em julho, constataram os pesquisadores. A Europa, o continente que mais rapidamente se aquece no mundo, enfrenta dificuldades para se adaptar às ondas de calor implacáveis que já resultaram em cerca de 25 mil mortes neste verão. Leia também: Nos EUA, rejeição a data centers ganha peso eleitoral e preocupa Wall StreetIsso ocorre à medida que o aumento das temperaturas afeta a economia, com o abastecimento de commodities, a infraestrutura crítica e a segurança energética todos na mira. “A cúpula de calor que se mantém sobre a maior parte da Europa Ocidental há uma boa parte do verão vem causando as ondas de calor tanto na terra quanto no oceano”, afirmou Friederike Otto, cientista do Centro de Política Ambiental do Imperial College de Londres e coautora do relatório. “Elas estão definitivamente relacionadas.” Os mares quentes também estão contribuindo para o calor em terra, criando um ciclo de retroalimentação, disse Otto. A água do mar retém a temperatura por períodos mais longos, fazendo com que as ondas de calor marinhas durem mais, aumentando a umidade nas áreas costeiras e impedindo o resfriamento, especialmente à noite. “Durante as ondas de calor em terra, a umidade proveniente do oceano pode ser incrivelmente letal”, afirmou Gregory. “Vimos isso no Sudeste Asiático ou na Índia durante as estações das monções, mas também estamos observando isso no sul da Europa.” Os pesquisadores analisaram as temperaturas do mar durante as duas últimas semanas de julho e as compararam com ondas de calor marinhas anteriores e com médias históricas. Eles constataram que as temperaturas no Golfo da Biscaia e no oeste da Península Ibérica aumentaram 1,5 °C, enquanto o Mediterrâneo Oriental se aqueceu 2,6 °C e o Mediterrâneo Ocidental, 3,1 °C. No ritmo atual de aquecimento, as ondas de calor marinhas deverão ser de 1,3 °C a 1,9 °C mais quentes até o final do século do que as observadas neste verão. Leia também: Agro brasileiro avança na Bolívia atraído por terra barata e leis ambientais mais levesO relatório constatou que os oceanos mais quentes estão afetando áreas maiores do que seria o caso sem o aquecimento global. Este ano, 90% do Golfo da Biscaia e da região costeira da Península Ibérica passaram por condições de onda de calor marinha. Essa área seria de apenas 40% sem as mudanças climáticas causadas pelo homem. No Mediterrâneo Oriental, o nível atual de 70% cairia para 9%. Os verões europeus estão agora associados a ondas de calor marinhas mais extremas, mas o aquecimento rápido também está começando mais cedo e se prolongando por mais tempo, segundo o relatório.Veja mais em bloomberg.com


























































