No último dia 21 de outubro, o Comitê de Política Monetária (Copom), órgão vinculado ao Banco Central, elevou a taxa básica de juros da economia, a chamada taxa Selic , em 1,5 ponto percentual, de 6,25% para 7,75% ao ano.
Com apenas mais uma reunião neste ano, marcada para os próximos dias 7 e 8 de dezembro, é esperado mais um aumento da mesma magnitude, ou seja, de 1,5 ponto percentual, com a Selic encerrando 2021 a 9,25% ao ano.
Para 2022, conforme expectativas de mercado divulgadas pelo Boletim Focus , ainda teremos novas elevações da Selic , que pode chegar a 11,25% ao ano.
E como esse aumento consistente da Selic ao longo dos meses impacta seus investimentos de renda fixa ?
Primeiramente, é importante saber que essa subida da taxa, que vem sendo percebida gradualmente desde o primeiro semestre de 2021 (veja o gráfico da evolução da Selic ), tem como um de seus objetivos controlar a inflação , medida por alguns indicadores, mas com referência no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
Fonte: TradeMap
Contudo, a despeito dos sucessivos aumentos da Selic ao longo de 2021, esse ciclo de elevação dos juros ainda não foi suficiente para compensar as perdas geradas pela alta da inflação .
No momento em que escrevo esse artigo, temos uma taxa Selic de 7,75% ao ano e um IPCA acumulado nos últimos 12 meses de 10,67%, o que foge muito do centro da meta estipulado pelo Banco Central, de 3,75% em 2021.
Quando subtraímos uma inflação de 10,67% dos 7,75% da Selic anual temos, em termos aproximados, -2,92% de juro real. Dessa forma, para o atual patamar de inflação e taxa Selic, nós investidores temos uma perda do poder de compra de -2,92% ao ano caso mantivermos nosso dinheiro aplicado a uma taxa de juros próxima à da Selic.
Então, quando deixamos nosso dinheiro aplicado na poupança — que vai render 0,5% ao mês quando a Selic ultrapassar 8,5% ao ano –, no título público Tesouro Selic (que tem sua rentabilidade atrelada à taxa Selic) ou em um CDB que renda 100% do CDI (cuja taxa é muito próxima à da Selic), vemos que a rentabilidade anual a ser paga por esses investimentos, no cenário atual, não é capaz de repor totalmente as perdas geradas pela inflação .
Dessa forma, com o passar do tempo, o capital aplicado nesses tipos de investimento está de fato perdendo seu poder real de compra.
Contudo, um dos efeitos positivos para o investidor com o aumento da Selic é que, apesar de nos dias atuais os investimentos a ela atrelados não serem capazes de repor as perdas trazidas pela inflação, fato é que a elevação da inflação da Selic provoca um aumento de forma geral nos prêmios pagos pelos investimentos de renda fixa . Além disso, o aumento da Selic tem um efeito esperado de reduzir a escalada da inflação vista em 2021.
Ou seja, quanto mais a Selic aumenta, cresce a tendência de maior remuneração a ser paga pelos investimentos de renda fixa , o que os torna cada vez mais atrativos.
Além disso, a elevação da Selic tende a controlar a inflação, de forma que, num cenário futuro não muito distante, certamente deixaremos de ter investimentos de renda fixa como o Tesouro Selic ou os CDBs de liquidez diária apresentando rentabilidades reais negativas.
Com isso, o que podemos perceber é que, com o aumento da Selic, podemos constatar o aumento dos juros pagos pelos investimentos de renda fixa em geral (nos quais se incluem os títulos do Tesouro Direto , os CDBs, as LCIs, as LCAs e as debêntures), o que beneficia direta e imediatamente o investidor de renda fixa.
Assim, momentos como o atual, de franca escalada da Selic, abrem excelentes oportunidades na renda fixa, seja em investimentos pós-fixados atrelados ao CDI e ao IPCA, ou, sobretudo, nos produtos com rentabilidade prefixada.
Investir em papéis prefixados em momentos de mercado próximo ao topo da Selic (que segundo estimativas deve atingir os 11,25% ao fim de 2022) permite ao investidor “travar” a rentabilidade em patamares elevados. Isso significa que é possível garantir taxas reais positivas durante alguns anos, já que o aumento da Selic tende a provocar a queda do IPCA e a elevação dos prêmios pagos pela renda fixa.
Mas lembre-se: quanto mais longo é o prazo de vencimento do investimento, sobretudo dos prefixados, maior é o seu risco, o que deve ser levado em consideração pelo investidor.