Se você chegou neste artigo e está lendo essas linhas é porque já ouviu falar da Taxa Selic e ainda tem dúvidas sobre o que a famigerada taxa representa para o seu bolso, não é mesmo?
Não poderia ser diferente, afinal, a tal taxa aparece nos noticiários, nos vídeos sobre investimentos e em diferentes lugares que falam sobre economia. E tem motivo para tanta repercussão.
A Taxa Selic é a taxa básica de juros do Brasil. O que isso quer dizer? Significa que ela influencia todas as demais taxas de juros do país, inclusive aquelas que te importam.
Alguns exemplos são: juros de empréstimos, de financiamentos e também daquela aplicação que você tem em renda fixa ou na caderneta de poupança . Além disso, ela tem potencial para afetar outros aspectos da sua vida, como a inflação dos bens de consumo e de serviços.
Achou interessante? Fica com a gente até o final do texto, que você vai entender os seguintes pontos:
Como funciona a Taxa Selic?
Por que a Selic sobe ou desce?
Como ficam meus investimentos com a mudança da Taxa Selic?
O que fazer para superar a taxa básica de juros?
Como funciona a Taxa Selic?
Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia , um programa do governo federal em que os títulos do Tesouro Nacional são diariamente comprados e vendidos por instituições financeiras (vulgo: os bancos).
Todas essas transações são taxadas, mesmo sendo executadas por um curto período de tempo, que é diário. A taxa em questão é a Taxa Selic.
Por isso, a Selic está diretamente relacionada à taxa de juros. Ao impor uma cobrança a essas transações, o Banco Central consegue influenciar os demais juros dos bancos e, por consequência, todas as taxas de juros do país.
Isso acontece porque o valor cobrado dos bancos nestas operações de compra e venda dos títulos será repassado em outras transações das instituições, como por exemplo, os juros de empréstimos e de financiamentos.
Os rendimentos que incidem sobre aplicações financeiras, como a caderneta de poupança e o Tesouro Direto , também são parametrizados com a Selic, entre outros ativos de renda fixa .
Por que a Selic sobe ou desce?
A Taxa Selic foi criada em 1979, num período em que a economia brasileira vivia o fenômeno da hiperinflação. Seu objetivo era controlar a inflação e ainda hoje é. Ao aumentar, diminuir ou manter a Selic em determinado valor, o BC, indiretamente, regula os preços no país.
Funciona mais ou menos assim:
❖ Ao subir o valor da Selic , o BC tem como objetivo conter o crescimento econômico do país. Isso acontece porque, com os juros de empréstimentos e financiamentos mais altos, o dinheiro em circulação diminui, logo os gastos gerais diminuem e as pessoas começam a poupar mais;
❖ Ao diminuir o valor da Selic, o inverso também é verdadeiro . A economia floresce porque as pessoas estão dispostas a gastar mais, pedir mais empréstimos e fazer financiamentos. O dinheiro em circulação aumenta e a demanda também.
Claro que tudo isso é teoria. Existem outros fatores que podem complicar essas relações. Mas, no geral, é assim que funciona o mecanismo da taxa básica de juros .
Até 2015, a Taxa Selic no Brasil tinha um histórico de valores altos, sendo o pico justamente em julho daquele ano, quando atingiu 14,25%. Desde então, vivemos seis anos de queda, chegando no menor valor em 2020, aos 2% ao ano.
Fonte: Bacen
Vale destacar que no ano de 2015, o país tentava se reerguer de uma forte crise, que começou com a queda nos preços das commodities e piorou com a recessão de 2014. Antes que a estabilidade econômica chegasse, começou a pandemia do coronavírus em 2020, o que aprofundou o cenário instável do país.
Em março deste ano, vimos a primeira elevação da taxa em seis anos. Subiu 0,75 p.p. e em maio ocorreu um segundo aumento de 0,75 p.p, deixando a Selic em 3,50%, valor ainda baixo para o histórico do Brasil.
Como ficam meus investimentos com a mudança da Taxa Selic?
Já explicamos que ativos de renda fixa estão atrelados à Taxa Selic, certo? Isso acontece porque esses investimentos têm seus rendimentos pré-estabelecidos, com base em uma taxa, Selic ou não. Vamos de exemplo:
❖ O Tesouro Selic é um título público cuja rentabilidade depende diretamente da Taxa Selic. Ou seja, quando ela aumenta, a rentabilidade aumenta, e o inverso é verdadeiro.
❖ A caderneta de poupança também rende de acordo com a Selic. Ela tem uma regra especial que explicamos neste artigo aqui. Mas, basicamente, quando a Selic está abaixo de 8,5%, a poupança rende apenas 70% da Selic.
❖ CDBs, LCIs, LCAs, LCs são os investimentos que usam o CDI como indicador de rentabilidade. E o CDI é uma outra taxa definida por bancos, que usa por base o valor de quem? DA SELIC.
Com isso, o corte da taxa básica de juros mexe com inúmeros títulos de renda fixa, principalmente com aqueles que são pré fixados , ou seja, tem seu valor de rendimento definido antes da data de vencimento do título.
Nestes casos, se a Selic aumenta, os títulos valem menos, se ela cai, os títulos valem mais.
Para os papéis pós-fixados , o rendimento é computado no longo prazo. Dessa forma, variações nas taxas Selic, CDI ou IPCA (inflação), também influenciam os juros finais dos ativos (explicamos melhor este assunto aqui).
O que fazer para superar a taxa básica de juros?
Muitas pessoas ao ver a Taxa Selic cair drasticamente nos últimos anos migraram para um outro módulo de investimentos: renda variável .
Na renda variável são negociadas ações , fundos imobiliários, ETFs, câmbio, commodities, e mais uma variedade de ativos. O ponto é: eles superam a Selic? Podem superar, sim. Porém, o risco que você corre de ver seu suado dinheirinho minguar também existe.
Então, para saber se vale a pena, indicamos esta live aqui, com a Bea Aguilar , do Papo de Bolsa, e o Murilo Duarte , o Favelado Investidor. Eles falam sobre as oscilações do mercado nessa crise e vão te ajudar a entender mais sobre o assunto e decidir se este risco é para você.
Agora, se sua praia é ter certeza dos seus rendimentos, com o menor risco possível, então é melhor ficar na renda fixa mesmo e tirar o melhor proveito possível da Taxa Selic.
Para isso, você pode aproveitar o módulo de renda fixa do TradeMap, que conta com inúmeros ativos e suas respectivas descrições. Assim, você vai saber qual taxa está vinculada àquele papel, se ele rende 100% da Selic ou do CDI, se paga mais do que o IPCA, entre outros detalhes.
Dá um clique nesse vídeo aqui para entender tudinho: